Larissa Leiros Baroni
Do UOL, em São Paulo
Arquivo Pessoal
Bassam Nasser, 39, decidiu trocou a Líbia pelo Brasil aos 23 anos em busca de liberdade e diversão; com o fim da guerra, o líbio retomou para sua terra natal
"Para muitos líbios, há homem-bomba no Brasil", diz ele, que também afirma ser equivocada a informação de que cenas como a do ataque ao Consulado dos Estados Unidos na cidade de Benghazi --onde morreram quatro pessoas, incluindo o embaixador-- sejam rotineiras na Líbia. "Ao mesmo tempo em que só chegam notícias de uma Líbia violenta no Brasil, em território líbio só são veiculadas situações como tanques de guerra invadindo favelas e o confronto entre civis e policiais."
Nasser, que está de volta ao Brasil para uma temporada de apenas três meses, reconhece a existência de violência nos dois países, mas discorda da forma como elas são "erroneamente" interpretadas. "Quando voltei à Líbia, em outubro de 2011, após a trégua da guerra civil em Trípoli, me assustei com o número de armas, algumas delas pesadas, nas ruas da capital. Mas, com o fim da guerra, essas cenas são raras no país", conta ele, que optou por vir morar com o tio no Brasil aos 23 anos, em busca de liberdade e diversão, coisas que não tinha em seu país.
A diminuição da violência na Líbia também é descrita pelo líbio Adnan Sherif, 43. "Durante a guerra civil era comum ver caminhões com metralhadores andando pelas ruas e ouvir trocas de tiros na madrugada. Hoje não há mais nada disso", aponta ele, que vive em Trípoli junto com a mulher e os dois filhos. Mesmo que o número de armas em circulação ainda seja grande, o líbio diz nunca ter ouvido falar em um roubo a banco, tão comum no Brasil.
"A violência na Líbia está muito mais vinculada a atos de retaliações específicos como, por exemplo, contra grandes nomes do Exército antigo de Gaddafi", cita Sherif, que também afirma ser comum no país roubos e furtos. "O ditador, em seus últimos dias de poder, liberou mais de 15 mil presos para liberar espaço nas cadeias e prender os rebeldes. Essas pessoas continuam soltas."
E assim como os brasileiros, Sherif, que é filho de uma pernambucana com um líbio, toma algumas precauções para evitar qualquer contratempo. "Nunca fui vítima de nenhum ato de violência, mas sempre evito sair com o carro da empresa, que tem placa estrangeira e é mais visado a roubo", relata ele


