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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

PARECER AGU - EXTRADIÇÃO 1085 - BATTISTI

Segue para conhecimento o parecer da AGU

Documentos Relacionados  
  1. » Parecer (13.01 MB)
  2. » Despacho da AGU.pdf (1.29 MB)


    Para considerações...


    Att.,

    Prof. Badaró 

Itália já reage à não extradição de Battisti

31/12/2010
Carolina Brígido, Chico de Gois e Luiza Damé
O País
Lula anunciará hoje que italiano ficará no Brasil; Supremo só decidirá sobre saída da cadeia em fevereiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou para divulgar hoje, último dia de seu governo, a decisão de manter o ex-ativista italiano Cesare Battisti no Brasil, mas ontem mesmo o governo italiano já reagiu duramente. Lula seguirá a recomendação da Advocacia Geral da União (AGU) de negar o pedido de extradição feito pela Itália. Ainda assim, Battisti não sairá da prisão até fevereiro, quando termina o recesso no Supremo Tribunal Federal (STF). Cabe ao tribunal analisar se o decreto de Lula se encaixa no tratado de extradição firmado entre os dois países. O presidente da Corte, Cezar Peluso, que está de plantão, preferiu deixar a decisão para o colegiado.

Se o pedido de extradição fosse concedido, Battisti teria de cumprir 30 anos de prisão em seu país, pela participação em quatro assassinatos na década de 1970. Ficará a cargo do Ministério da Justiça definir a condição atribuída ao italiano: refugiado, asilado ou, simplesmente, cidadão estrangeiro com visto de permanência.

A decisão de Lula deverá ser publicada no Diário Oficial da União de hoje. Em seguida, o Palácio do Planalto enviará o documento ao STF. Peluso informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que enviará o texto ao ministro Gilmar Mendes, relator do caso Battisti. Gilmar vai elaborar um voto sobre a validade ou não da decisão presidencial e submeterá sua opinião a votação em plenário.

O parecer da AGU recomenda a Lula que negue a extradição de Battisti. O documento diz que o italiano poderia ter sua segurança posta em risco, se fosse para à Itália. Segundo a AGU, o tratado de extradição firmado entre os dois países deixa brechas para que o presidente da República mantenha Battisti no Brasil - ainda que, por cinco votos a quatro, o STF tenha autorizado a extradição, em 2009.

Battisti está preso no Brasil desde 2007. Antes de enviar o parecer a Lula, a AGU submeteu o documento à Casa Civil, ao Ministério da Justiça e ao Itamaraty. O temor era melindrar a relação com a Itália. Por isso, a necessidade de um parecer jurídico para embasar a decisão do presidente.
Opinião: Fecho de ouro
A poucas horas de deixar o cargo, o presidente Lula deu um fecho muito simbólico à sua política externa: manteve no Brasil o italiano Cesare Battisti, ex-militante da esquerda radical no país dele, onde foi condenado por homicídios, num julgamento feito dentro do estado de direito. O ATO se contrapõe à rapidez com que o governo devolveu à ditadura cubana, em avião venezuelano, dois lutadores de boxe que, no Pan, pensaram ter encontrado refúgio no Brasil da perseguição castrista. Enganaram-se. Tudo resume bem o caráter ideológico e militante da diplomacia companheira, contra as melhores tradições do Itamaraty

Putin e política da desforra

31/12/2010
Visão Global - Internacional Magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky é a mais nova vítima do premiê da Rússia

Simon Tisdall, The Guardian - O Estado de S.Paulo

A imperdoável política de desforra do premiê russo Vladimir Putin fez mais uma vítima importante com o veredicto de culpado para Mikhail Khodorkovsky, ex-magnata do petróleo que ousou se contrapor ao Kremlin. O resultado não poderia ser diferente. Na Rússia, desafiar Putin é como entrar na frente de um tanque.

Putin é implacável, incansável e impiedoso quando lida com inimigos. Ele segue uma antiga tradição russa que o público parece gostar, concedendo-lhe índices de aprovação de 70% ou mais. No entanto, a profundidade à qual o ex-agente da KGB parece pronto a ir alimenta acusações de que a corrupção prosperou sob sua tutela.

Um exemplo da desforra como ferramenta política foi em 1999, quando Putin, então um nomeado pouco conhecido do presidente Boris Yeltsin, derrubou Yuri Skuratov, poderoso procurador-geral da Rússia. Putin e o então ministro do Interior, Sergei Stepashin, montaram uma coletiva para discutir um vídeo no qual um homem nu, parecido com Skuratov, aparecia se divertindo com duas jovens. Putin disse que as mulheres eram prostitutas numa orgia paga por criminosos.

O erro de Skuratov foi ter iniciado uma investigação de corrupção envolvendo Yeltsin e seu círculo íntimo, do qual Putin fazia parte. Skuratov acusou Putin de proteger assessores corruptos do Kremlin. No ano seguinte, com Putin já presidente eleito, o Parlamento russo exonerou Skuratov. Como Khodorkovsky, ele estava acabado.

A implacabilidade de Putin foi vista outras vezes. A oposição foi esmagada pela Rússia Unida, partido criado por Putin. Políticos capazes, como o ex-premiê Mikhail Kasyanov, foram descartados por serem independentes. Ex-aliados desobedientes, como o oligarca Boris Berezovsky, hoje exilado em Londres, caíram em desgraça.

Após mais de uma década no poder, Putin continua inflexível. Este mês, em pronunciamento, ele acusou os opositores Boris Nemtsov, Vladimir Milov e Vladimir Ryzhkov de buscarem o poder para "forrarem seus bolsos". "Se os deixarmos fazer isso, eles venderão toda a Rússia", disse. Em 2006, Anna Politkovskaya, uma renomada jornalista opositora, foi morta. Apesar de uma investigação pública, seu assassinato continua inexplicado. Outros sofreram destinos parecidos, tanto no país como no exterior.

Visto de perto, Putin não parece um ogro. Fisicamente pequeno, ele compensa a pouca estatura malhando e praticando esportes. Ele parece arrogante, inseguro, zangado e ressentido. Seja como for, por diversas vezes ele exportou a animosidade pessoal para a arena externa. A invasão russa da Georgia, em 2008, ocorreu na esteira de uma disputa com o presidente georgiano Mikhail Saakashvili.

Em questões como a defesa antimísseis europeia e a independência de Kosovo, Putin parece levar as coisas para o lado pessoal. Mas, em outros casos, ele prefere cooptar, como fez com o ex-chanceler da Alemanha Gerhard Schroeder e com o premiê italiano, Silvio Berlusconi. Por não se retratar, Khodorkovsky tornou-se o mais recente de uma longa lista de oponentes vítimas dessa política de desforra - e não será o último. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

É COLUNISTA

Caso Battisti ainda volta ao STF

Presidente Lula decidiu-se pela não extradição do italiano... e agora Ministro PELUSO? Muito TROLOLÓ... como diria um jurista amigo meu...
31/12/2010
Brasil
Lula adiou para hoje a decisão sobre a concessão de refúgio ao italiano Cesare Battisti. Mas não será o desfecho. Decisão terá de passar pelo crivo do Supremo

BRASÍLIA – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, disse ontem que, antes de determinar o destino do ex-ativista italiano Cesare Battisti, o tribunal vai analisar os argumentos utilizados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve negar sua extradição. Após se reunir com Peluso, no Palácio do Planalto, Lula adiou para hoje, seu último dia de governo, o anúncio do refúgio a Battisti. Ele já tem em mãos um parecer da Advocacia Geral da União (AGU) favorável à permanência do italiano no País.
De manhã, quando repórteres perguntaram sobre Battisti, Lula respondeu bem-humorado: “Qual o interesse de vocês nesse caso?. Eu tenho até as 23 horas, 59 minutos e 59 segundos de amanhã (dia 31) para decidir. Quando decidir, vocês serão informados”. Mais tarde, reuniu-se com Peluso.
A decisão de Lula deverá ser publicada no Diário Oficial da União de hoje. Em seguida, o Palácio do Planalto enviará o documento ao STF. Peluso informou que enviará o texto ao ministro Gilmar Mendes, relator do caso Battisti. Gilmar vai elaborar um voto sobre a validade ou não da decisão presidencial e submeterá sua opinião a votação em plenário, que só volta a se reunir em fevereiro, após o recesso do Judiciário.
Battisti está preso no Brasil há quatro anos por decisão do mesmo STF, que acolheu pedido da Itália. Ele foi condenado à prisão perpetua pela Justiça de seu país por mortes ocorridas no fim dos anos 1970, quando integrava organizações da extrema esquerda. Ele nega e diz ser perseguido político.
De acordo com Peluso, o STF deverá analisar novamente a decisão de Lula de manter Battisti no Brasil. Na primeira vez, em novembro de 2009, o tribunal reverteu refúgio que fora concedido pelo então ministro da Justiça, Tarso Genro. Ficou acordado, à época, que a decisão do presidente da República, quem tem a palavra final no caso, deve seguir o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália.
O nó do governo brasileiro é exatamente esse: para ser fiel ao tratado, o anúncio de refúgio deve se basear no argumento de que Battisti sofre na Itália fundado temor de perseguição política, ponto principal da decisão de Genro e que causou celeuma entre os dois países.
“Se o presidente decidir desta forma, o STF vai analisar os argumentos usados por ele. O tribunal decidiu que tem de ser à luz do tratado”, afirmou Peluso, após deixar o Planalto.
Se o pedido de extradição fosse concedido, Battisti teria de cumprir 30 anos de prisão em seu país, pela participação em quatro assassinatos na década de 1970. Ficará a cargo do Ministério da Justiça definir a condição atribuída ao italiano: refugiado, asilado ou, simplesmente, cidadão estrangeiro com visto de permanência.
Nos argumentos jurídicos entregues a Lula para manter Battisti no Brasil, um calhamaço de 70 páginas, a AGU alega que o ex-ativista poderia ter sua “situação agravada” caso fosse levado para a Itália para cumprir pena. Com essa saída, o governo não descumpriria o tratado de extradição entre o Brasil e a Itália, avaliaram os advogados da União.

Ex-major argentino pede hábeas corpus ao STF

Será que esse também deveria pleitear o refúgio? Quem sabe para morar no Rio Grande do Sul...

31/12/2010


Luiz Orlando Carneiro
Brasil
O ex-major do Exército argentino Norberto Raul Tozzo, preso preventivamente em setembro de 2008, para fins de extradição, ajuizou hábeas corpus no Supremo Tribunal Federal , alegando “excesso de prazo” e “a idade avançada de 65 anos”, que não lhe daria “condições físicas nem psicológicas” para manter “uma vida de fugitivo”.

O militar é acusado de “crimes contra a humanidade” durante a ditadura militar em seus pais. Conforme o seu processo, ele teria comandado em 13/12/1976, um grupo de soldados que seqüestrou e teria fuzilado 22 militantes oposicionistas, no episódio conhecido como o Massacre de Margarita Belém (cidade da Argentina onde teria ocorrido o fuzilamento).

No hábeas corpus – que deverá ser analisado pelo presidente do STF, ministro Cezar Peluso, de plantão neste recesso do Judiciário – o extraditando se compromete a manter residência fixa no Brasil, bem como a entregar seu passaporte e qualquer outro documento exigido. Informa ainda ter “meios econômicos para sustento próprio e de sua família”. Os advogados de Norberto Tozzo solicitam, em ultimo caso, sua prisão domiciliar, até o julgamento da extradição.

O ex-militar argentino já tinha feito pedido idêntico em dezembro de 2008, alegando não haver na legislação brasileira o crime de “desaparecimento forçado”, de que foi acusado em seu pais e que mesmo em se tratando de homicídio, o crime já estaria prescrito. Mas a relatora do processo de extradição, ministra Carmen Lucia, negou a petição.

Fiscalização no Vaticano

31/12/2010
Economia
O papa Bento XVI ordenou ontem a criação de uma nova autoridade financeira que vai supervisionar as transações de todos os órgãos da Santa Sé, incluindo o Instituto das Obras Religiosas (IOR, o banco do Vaticano), o braço financeiro da administração central da igreja católica. O Vaticano vai criar uma agência reguladora chamada Autoridade de Informação Financeira para controlar transações suspeitas que podem envolver o financiamento do terrorismo bem como operações fraudulentas, informação privilegiada e abusos de mercado. O presidente da nova autoridade será nomeado pelo papa e terá um mandato de cinco anos.

Suspeito no tribunal

31/12/2010
Mundo
Atentado na Dinamarca

Três dos cinco presos sob suspeita de planejar um atentado contra o jornal dinamarquês Jyllands-Posten foram levados ontem ao tribunal, onde ouviram formalmente a acusação por tentativa de ato de terrorismo e por posse de armas. Na quarta-feira, a polícia deteve quatro homens na Dinamarca e um na Suécia sob suspeita de tramar um ataque contra a redação do jornal, que enfureceu os muçulmanos em 2005 com cartuns do profeta Maomé. Os três suspeitos que se apresentaram ontem ao tribunal — um tunisiano e dois suecos — se disseram inocentes das acusações.

Para analistas, 'diplomacia do carisma' de Lula projetou Brasil, mas com 'excessos'

31/12/2010
BBC Brasil
Avaliação é de que história pessoal do presidente ajudou a 'legitimar' demandas do país no cenário mundial.

Segundo analistas, Lula passou a ser visto como um 'superstar' na política internacional

Ao imprimir um tom "carismático e personalista" à sua política externa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contribuiu de forma decisiva para uma maior projeção do Brasil no cenário internacional, dizem especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

A avaliação é de que a história pessoal do presidente, que ascendeu da pobreza ao cargo máximo da política do país, aliada à sua capacidade de negociação, ajudaram a "legitimar" as reivindicações do Brasil nos principais debates mundiais.

Mas os analistas também veem "excessos" em uma estratégia que, para muitos, privilegiou os "gestos e a retórica" em detrimento de resultados concretos.

"A contribuição do presidente Lula para a projeção do país é inegável. Na questão da imagem, saímos melhores, mas isso não é tudo em diplomacia", diz Rubens Ricupero, ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) e atualmente diretor da Faculdade de Economia da Faap.

Em oito anos de governo, Lula foi frequentemente elogiado pela opinião pública internacional, que viu no líder brasileiro um "símbolo" e "porta-voz" das demandas dos países em desenvolvimento.

Na opinião de Ricupero, o estilo de Lula aplicado à diplomacia trouxe "perdas e ganhos" ao Brasil nos últimos oito anos.

O principal ganho, segundo ele, foi o fortalecimento do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, e que a partir de 2008 passou a dar mais voz aos países emergentes.

"Claro que a conjuntura internacional, com a crise financeira, ajudou a mudar o status quo, dominado pelas grandes potências. Mas o presidente Lula teve o mérito de ser um dos principais porta-vozes da necessidade de mudanças no grupo", diz Ricupero.

Como perda, o ex-secretário da Unctad cita o "fracasso" das negociações com o Irã, que para ele foi fruto de uma "insistência sem qualquer respaldo internacional".

"Ali ficou claro o quanto o excesso de personalismo, o desejo de vitória a qualquer preço, pode ser também infrutífero. O resultado foi desastroso", diz o ex-embaixador.

Líder 'intuitivo'

Professor de história das Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), Amado Cervo diz que o perfil "intuitivo" e "menos racional" do presidente Lula, com seus discursos em prol da justiça e de defesa da negociação no lugar do confronto, fez do presidente uma "celebridade política" no circuito internacional.

"Sem dúvida Lula foi um líder com altíssima aceitação na opinião pública mundial. E é natural que o país tenha se beneficiado disso", diz Cervo.

Um dos principais legados de Lula para a diplomacia, na opinião do professor da UNB, está na projeção econômica e comercial do país.

Para Cervo, Lula foi uma espécie de "garoto-propaganda" não apenas da economia brasileira, mas também das empresas. "Ele se responsabilizou por essa tarefa como ninguém e acho que a estratégia funcionou bem".

Já do ponto de vista das relações políticas, o professor da UNB vê "excessos" na diplomacia lulista, como na tentativa de acordo com o Irã e a na condenação a Honduras.

"Minha avaliação é de que, em muitos desses casos, o presidente precisava agradar a certas alas do PT. E acabou dando passos maiores do que as pernas, como na aproximação com (Mahmoud) Ahmadinejad", diz Cervo.

Dilma

A figura do líder carismático, que fala de improviso e sempre com uma opinião sobre os mais variados assuntos, deverá ceder lugar a uma presidente mais racional, mais concentrada em resultados e comedida em seus comentários.

É assim que analistas e diplomatas veem a transição da diplomacia do governo Lula para a da futura presidente, Dilma Rousseff.

"Minha impressão é de que ela será mais comedida nos comentários e mais racional nas negociações", diz Cervo.

O perfil mais técnico da nova presidente, aliado ao seu conhecimento de economia, também é apontado como diferença em relação ao perfil político e carismático de Lula.

"O presidente Lula é um superstar, mas isso não quer dizer que a presidente eleita não possa conquistar seus nichos. Diplomacia não é uma disputa de popularidade", diz Ricupero. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Brasil assina acordo para entrada no Observatório Europeu do Sul, no Chile

31/12/2010
Com Herton Escobar, de O Estado de S. Paulo
Adesão prevê a participação do País na construção do maior telescópio do mundo, o ELT

SÃO PAULO - O Ministério da Ciência e Tecnologia assinou em Brasília na quarta-feira, 29, o acordo que formaliza a entrada do Brasil no European Southern Observatory (ESO). A adesão - que custará cerca de R$ 555 milhões - prevê a participação do País na construção do observatório ELT, o maior telescópio do mundo, com um espelho refletor de 42 metros de diâmetro.

Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Congresso. Segundo informações do Ministério, a adesão prevê a possibilidade de empresas brasileiras disputarem as licitações ligadas à instituição.

A ESO é responsável pela construção e operação de vários telescópios de grande porte nos Andes chilenos. Entre eles, o Very Large Telescope (VLT), um conjunto de quatro telescópios de 8 metros de diâmetro que podem funcionar como um enorme telescópio de 32 metros.

Polêmica

Em fevereiro, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, escreveu para a cúpula da European Southern Observatory (ESO) dizendo que o País estava "profundamente interessado" em se juntar ao grupo de 14 países europeus. A proposta, aparentemente benéfica, revoltou parte da comunidade astronômica brasileira.

"É um absurdo, uma irresponsabilidade", diz João Steiner, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). "Fiquei indignado." Segundo ele, a participação na ESO custaria ao Brasil R$ 1,24 bilhão nos próximos 20 anos, o que comprometeria a continuidade de projetos nacionais importantes em curso - além de ser incompatível com a realidade orçamentária brasileira.

"Parece-me inconcebível concordar que um país ainda em desenvolvimento pague essa quantia de dinheiro para países desenvolvidos fazerem boa ciência", diz Steiner, em uma longa carta de protesto enviada ao ministro Rezende no início deste mês.

Sociedades

Com a aprovação do acordo, o Brasil se torna o primeiro país não-europeu a se associar à ESO. Hoje, o País é sócio de dois grandes telescópios no Chile, chamados Soar (de 4 metros) e Gemini (8 metros), não ligados à ESO. Steiner teme que o custo de entrar para a ESO desvie recursos e prioridades desses projetos, essenciais para a astronomia brasileira. Diz ainda que o ministro passou por cima da comunidade científica ao escrever para a ESO sem consultar os pesquisadores.
 

Exame de DNA de filhos de desaparecidos políticos da Argentina será feito apenas por órgão oficial

31/12/2010
Renata Giraldi
A Suprema Corte de Justiça da Argentina determinou que apenas o Banco Nacional de Dados Genéticos está autorizado a fazer exames de DNA para verificar a paternidade dos filhos de desaparecidos e mortos durante a ditadura militar no país (1976 a 1983). Em novembro de 2009, o Congresso Nacional estabeleceu as competências do banco como a instituição competente para a realização dos exames.

As informações são da agência oficial de notícias da Argentina, a Telam. A decisão foi divulgada pela Unidade Fiscal de Coordenação e Acompanhamento dos Casos de Violação dos Direitos Humanos para o Terrorismo de Estado, do Gabinete do Procurador-Geral, peticionário assunto em dezembro de 2009.

Pela decisão da Suprema Corte, a orientação é que os exames sejam feitos na tentativa de buscar as “crianças filhas de pessoas desaparecidas, que foram sequestradas de seus pais ou nasceram em cativeiro”. Segundo a determinação, o corpo médico forense depende das decisões da Suprema Corte.

Dados da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas da Argentina estima que cerca de 9 mil pessoas desapareceram durante a ditadura, no país. Os grupos de defesa dos desaparecidos e mortos argentinos são bastante ativos com destaque internacional para as Mães e Avós da Praça de Maio, que se reúnem semanalmente para lembrar o episódio que marcou a história política do país.

As Mães e Avós da Praça de Maio e representantes de outras entidades de defesa dos direitos humanos estimam que o número de desaparecidos e mortos durante o regime militar pode chegar a 22 mil. Na Argentina, houve inúmeras denúncias de bebês e crianças retiradas dos pais e de suas famílias sequestradas. Há suspeitas de que várias dessas crianças foram entregues a militares para serem criadas como filhas.

Dilma dará continuidade à política de integração do Mercosul, acredita chanceler argentino

31/12/2010
Agência Telam
Brasília - O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, está confiante na política externa que será adotada pela presidenta eleita, Dilma Rousseff. O chanceler argentino afirmou que Dilma dará “continuidade ao processo de integração”, principalmente entre os países do Mercosul. Timerman representará a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, nas cerimônias de posse de Dilma no dia 1º, em Brasília.

"Dilma [Rousseff], o que vemos é a continuidade do processo de integração que estamos fazendo nos países do Mercosul", disse o chanceler. “[Minhas expectativas] são muito boas porque [o governo Dilma] dará continuidade às políticas de Lula, por ela ter feito parte do coração da administração do presidente.”

No dia seguinte ao da posse, Timerman se reúne com o novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio de Aguiar Patriota. Durante a reunião, irão rever os principais temas da relação entre os dois países. Na conversa, Timerman vai sugerir a realização de uma reunião em Buenos Aires, já no primeiro trimestre de 2011.

Timerman desembarca em Brasília acompanhado do secretário de Comércio das Relações Econômicas Internacionais, Luis Maria Kreckler, do subsecretário de Política Latino-Americana, Tettamanti Diego, e do embaixador argentino em Brasília, Juan Pablo Lohlé.

Não extradição de Battisti seria inaceitável, diz Itália

31/12/2010
Agência Estado
Política
O governo italiano divulgou nota, no final da tarde de hoje (30) , na qual considera que seria "incompreensível e inaceitável" se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomar a decisão de não extraditar Cesare Battisti, condenado à revelia por quatro homicídios cometidos na Itália na década de 1970, baseado na suposta ameaça que o ex-militante político sofreria em uma prisão italiana. Lula poderá anunciar a decisão amanhã.

Mas o governo italiano afirma que só se manifestará oficialmente sobre a questão após Lula tomar e anunciar sua decisão. A nota também faz uma referência velada à suposta perseguição que Battisti sofreria na Itália, de acordo com um relatório da Advocacia-Geral da União (AGU), que recomendou que Lula não extradite o ex-militante. A nota também se refere a uma das possíveis vítimas de Battisti, que ficou paralítica após receber um tiro durante um assalto, quando tinha 17 anos.

"Neste momento delicado, algumas informações fazem manter que na possível motivação da decisão do presidente Lula possa existir uma referência ao artigo 3 do tratado de extradição, e por isso à suposta situação pessoal agravada de Battisti. Neste caso, o governo italiano declara considerar incompreensível e inaceitável, no modo mais absoluto, tal referência e a relativa decisão", afirma o texto.

Nesse caso, o presidente Lula deveria explicar tal escolha não apenas ao governo, mas a todos os italianos e, em particular, às famílias das vítimas e a um homem reduzido a viver em uma cadeira de rodas", diz a nota do governo italiano. As informações são da Agência Ansa.

Joerges on Conflicts Law as Europe’s Constitutional Form

by Gilles Cuniberti on December 30, 2010
Christian Joerges, who is a professor of law at Bremen University (and formerly at the European University Institute) has posted Unity in Diversity as Europe’s Vocation and Conflicts Law as Europe’s Constitutional Form on SSRN. The abstract reads:
“Unity in Diversity” was the fortunate motto of the otherwise unfortunate Draft Constitutional Treaty. The motto did not make it into the Treaty of Lisbon. It deserves to be kept alive in a new constitutional perspective, namely the re-conceptualisation of European law as new type of conflicts law. The new type of conflicts law which the paper advocates is not concerned with selecting the proper legal system in cases with connections to various jurisdictions. It is instead meant to respond to the increasing interdependence of formerly more autonomous legal orders and to the democracy failure of constitutional states which result from the external effects of their laws and legal decisions on non-nationals. European has many means to compensate these shortcomings. It can derive its legitimacy from that compensatory potential without developing federal aspirations.
The paper illustrates this approach with the help of two topical examples. The first is the conflict between European economic freedoms and national industrial relations (collective labour) law. The recent jurisprudence of the ECJ in Viking, Laval, and Rüffert in which the Court established the supremacy of the freedoms over national labour law is criticised as a counter-productive deepening of Europe’s constitutional asymmetry and its social deficit. The second example from environmental law concerns the conflict between Austria and the Czech Republic over the Temelin nuclear power pant. The paper criticises the reasoning of the ECJ, but does not suggest an alternative outcome to the one the Court has reached.
The introductory and the concluding sections generalise the perspectives of the conflicts-law approach. The introductory section takes issue with max Weber’s national state. The concluding section suggests a three-dimensional differentiation of the approach which seeks to respond to the need for transnational regulation and governance.
It can be freely downloaded here.

LICC agora é LINDB, é mole?

Para terminar o ano, uma mudança que talvez expresse o quanto tudo muda para continuar na mesma.
Deram-se ao trabalho de alterar o “nome” - ementa,  da LICC e mais nada. Mas vamos ter que citar tudo segundo a nova lei, mudar textos, etc.
Bom, ainda aguardo mudanças mais substanciais no DIPr brasileiro, mas em 2011, vamos continuar acompanhando os acontecimentos.

Um feliz 2011.

Nadia de Araújo

Lei nº 12.376/2010
31/12/2010

LEI Nº 12.376, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2010
DOU 31.12.2010
Altera a ementa do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Esta Lei altera a ementa do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, ampliando o seu campo de aplicação.
Art. 2º A ementa do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro."
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 30 de dezembro de 2010; 189º da Independência e 122º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto


publicada no DOU1 em 31/12/2010

FELIZ 2011


Que o Grande Arquiteto nos abençoe e nos guarde neste ano de 2011!
Sucesso, Paz, Harmonia e todo o necessário para construir harmonia!

São os votos do Professor Rui Badaró!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL À TODOS QUE ACOMPANHAM O PROFESSOR BADARÓ

Estimados,


Desejo um excelente Natal à todos que acompanham o Blog do Professor Badaró! Obrigado por acompanharem este veículo de comunicação e tenham certeza absoluta que em 2011 continuaremos a trazer informações sobre as Relações Internacionais e o Direito Internacional!


Um Cordial Aperto de Mão e um Tríplice Fraternal Abraço!


Professor Rui Badaró

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Itamaraty intercedeu por pilotos do Legacy

22/12/2010
Mundo
EFEITO WIKILEAKS

Diplomatas brasileiros teriam interferido em favor dos pilotos americanos do jato Legacy, na época detidos no Brasil. A revelação consta em um documento da embaixada dos EUA em Brasília vazado ontem pelo site WikiLeaks.

O Legacy se chocou com um Boeing da Gol em 29 de setembro de 2006, em Mato Grosso, provocando a maior tragédia da aviação comercial brasileira até então: 154 pessoas morreram. Os pilotos americanos, Joseph Lepore e Jan Paladino, voavam com o transponder (aparelho que sinaliza a aproximação perigosa entre aeronaves) desligado.

Em um telegrama enviado ao Departamento de Estado dos EUA em 17 de novembro de 2006, é relatado que o então diretor do Departamento de Comunidades Brasileiras no Exterior, embaixador Manoel Gomes Pereira, acatou o pedido de autoridades americanas para que intercedesse pelos pilotos junto aos juízes responsáveis pelo caso. Lepore e Paladino estão soltos desde dezembro de 2006 e voltaram para os EUA.

Mais revelações
BANGLADESH E GRÃ-BRETANHA
O que trouxeram de novo os vazamentos mais recentes do WikiLeaks:
- Documentos diplomáticos americanos revelaram que a polícia britânica treinou integrantes do Batalhão de Ação Rápida (RAB, na sigla em inglês), uma força policial de Bangladesh acusada de execuções extrajudiciais e apontada por organizações de defesa dos direitos humanos como um “esquadrão da morte”.
AFEGANISTÃO
- Antonio Maria Costa, ex-czar antidrogas das Nações Unidas, revelou que insurgentes afegãos estocaram toneladas de ópio – a partir do qual é produzida a heroína – para influir no preço do produto no Ocidente. Costa estima que até 12,4 mil toneladas de ópio, com valor de mercado de US$ 1,2 bilhão, foram mantidas fora do mercado pelo Talibã.

''Brasil pode arcar com a conservação''

22/12/2010
Planeta

Para pesquisador, País não precisa de recursos externos para projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd)

Karina Ninni

A última Conferência do Clima da ONU, que terminou dia 10 em Cancún (México), não conseguiu gerar um acordo vinculante de redução de emissões, mas chegou a um pacote de medidas, o qual inclui a adoção do mecanismo de Redd - ferramenta que compensa financeiramente os países que conservam suas florestas.

No Brasil existem duas dezenas de projetos piloto de Redd, mas a falta de regulamentação e a possibilidade de que o mecanismo seja apropriado pela burocracia geram temor de que o dinheiro não chegue àqueles que protegem as matas.

Em entrevista, o engenheiro florestal Maurício Voivodic, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), explica como o País pode ser favorecido pelos projetos de Redd e defende que essas iniciativas deveriam valorizar mais as riquezas florestais do que a ameaça do desmatamento.

Há quanto tempo vocês trabalham para desenvolver essas "salvaguardas"?

Isso começou em 2009 durante um evento no Mato Grosso, quando já estavam surgindo projetos de Redd na Amazônia sem nenhum tipo de regulamentação e com pouquíssima transparência. Os movimentos sociais reclamavam dos riscos que as comunidades do entorno dos projetos corriam. Então, a iniciativa partiu de entidades ligadas à Aliança dos Povos da Floresta, que é uma grande rede, e veio ao encontro do desejo de outros grupos. Foram feitas três consultas públicas entre agosto de 2009 e julho deste ano reunindo lideranças da Amazônia inteira.

Os diferentes povos da floresta estavam preocupados com as mesmas coisas?

As preocupações apareceram de acordo com situações locais e por isso foi bom ter feito essas reuniões na Amazônia. As quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, presentes na consulta feita em Belém, estavam preocupadas pois coletam os recursos em fazendas que não são de sua propriedade. Nosso texto não as incluía como beneficiadas, mas elas são responsáveis em boa medida por fixar o carbono dos babaçuais.

Como garantir que os recursos chegarão às populações que conservam as florestas?

O que a gente tem apoiado no Imaflora é que a arquitetura institucional contemple benefício para os Estados e tenha um mecanismo que garanta que o recurso chegue aos projetos. Não sabemos como, mas entendemos que a estrutura não deve ficar só no nível do governo e nem só no dos projetos. É importante que esteja amarrada ao sistema nacional de contabilidade de emissões e de redução de desmatamento.

Isso deve ficar a cargo de um órgão ambiental?

Os órgãos existentes não dão conta de organizar isso. Será preciso criar um órgão especial para controlar a questão do mercado de carbono no Brasil. Será um grande erro se o mercado de carbono ficar só conectado a florestas. É preciso criar uma legislação que permita que a ferramenta seja plugada com o futuro mercado nacional de créditos de carbono e envolva a indústria, o setor de transportes, o de energia, as legislações climáticas estaduais...

Conectar Redd ao mercado de carbono gera polêmica no movimento ambientalista, não é?

É, mas isso tem a ver com uma maneira de discutir Redd no Brasil que, na minha opinião, é equivocada. É uma tremenda hipocrisia achar que o Brasil precisa de recurso internacional para combater o desmatamento. Não existe argumento que consiga sustentar isso. Para países mais pobres cujo foco do desenvolvimento é o desmatamento, financiamento internacional e transferência de tecnologia são fundamentais. Não é o caso do Brasil. A maior prova de que não precisamos disso para conter o desmatamento é a queda nos níveis nos últimos anos.

Insistir na captação externa denota "oportunismo" ou é uma postura ideológica?

Num primeiro momento, a possibilidade do Redd apareceu como a "oportunidade da vida" para quem trabalha com proteção de florestas. O volume de recursos que tem se cogitado é maior que qualquer outro já dirigido para isso. O PPG-7, que foi o programa que mais recebeu recursos para proteger florestas tropicais, recebeu em dez anos o que o Fundo Amazônia estava programado para receber em um. Tem uma lógica de captação de recursos, sim, de aproveitar a disponibilidade para canalizar dinheiro para reduzir o desmatamento. Mas acho que não está se pensando numa estrutura de longo prazo. Isso é um erro.

Por quê?

O Redd sozinho não se sustenta. Se o desmatamento diminuir, as florestas que estarão lá não vão receber mais recursos. Se lá na frente descobrirmos que o Redd não ajudou a reduzir emissões, que não deu certo - e temos de trabalhar com essa possibilidade - ninguém mais vai querer pagar pelas florestas em pé. Por isso defendo a conexão com o mercado de carbono. O Redd também precisa migrar para um modelo em que se valorize o estoque florestal em vez de valorizar a ameaça do desmatamento. As premissas nas quais os projetos de Redd estão fundamentados não são as que vão servir para a gente quando tivermos um mercado de carbono mais estruturado.


Vitória brasileira

22/12/2010
Editorial

Brasil vence mais uma dura disputa comercial contra os EUA

É mais importante do que parece a mais nova vitória do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os Estados Unidos. O organismo multilateral decidiu a favor do Brasil no processo em que o país contesta, desde 2009, medidas antidumping dos Estados Unidos impostas ao suco de laranja brasileiro. Nossa diplomacia conseguiu a abertura de uma painel para discutir e propor a condenação como prática contra o comércio internacional a modalidade de cálculo utilizada pelo governo norte-americano para acusar o Brasil de exportar o suco a preços inferiores ao custo de produção (dumping). Essa forma de barrar a concorrência com produtos importados é praática comum do governo dos EUA, muitas vezes forçado por poderosos lobbies empresariais ou de regiões produtoras. Maior exportador mundial de suco de laranja, o Brasil tem nos Estados Unidos um comprador importante, já que se trata do maior mercado consumidor. Mas os produtores locais, concentrados nos estados do Sul e do Sudeste daquele país, tradicionalmente conseguem mobilizar apoio político para impor sobretaxas, configurando protecionismo.

Esta é a segunda vitória do Brasil em disputa com os Estados Unidos na OMC. Há dois, a entidade máxima do comércio mundial deu ganho de causa a um longo processo que a diplomacia brasileira sustentou contra sobretaxas norte-americanas aplicadas às entradas de algodão. Além do Brasil, países mais pobres da África eram prejudicados. Como é de costume, os Estados Unidos, embora filiados à OMC, resistem a acatar a decisão da entidade. Preferem levar a questão ao extremo de levar a OMC a autorizar o país vencedor a aplicar sanções ao derrotado. No caso do algodão, o Brasil pode retaliar em US$ 800 milhões os Estados Unidos, impedindo a entrada de produtos ou quebrando direitos sobre patentes.

Bem mais importante para a pauta brasileira do que o algodão, o suco de laranja não deverá ter solução fácil. A decisão da OMC ainda é preliminar e o mais provável é que os EUA apresentem recurso, provocando o adiamento de eventuais sanções. É também possível, embora improvável, que os dois países cheguem a um acordo de trocas comerciais para pôr fim ao embate. O problema é que, como acontece com o aço, com o algodão, com o metanol e com o suco de laranja, os norte-americanos são menos competitivos, mas contam com tradicional apoio dos políticos republicanos e democratas. De qualquer modo, acerta o governo brasileiro em manter a disputa. Se deseja lugar de destaque no comércio mundial, o país precisa desenvolver, em paralelo com os ganhos de produtividade de suas estruturas produtivas, uma poderosa musculatura diplomática. Afinal, a luta por consumidores capazes de assegurar o crescimento da economia e dos empregos em dimensão acima da do mercado interno, requer a disposição e a capacidade de enfrentar adversidades que vão do jogo bruto do comércio à sofisticação dos tribunais internacionais. Mas é luta que vale a pena e da qual não temos mais como fugir. 

Conselho de Lula para o colega Chávez / Senado deve ratificar acordo Start / Crescimento da população é mais lento / Canibal de Londres é condenado

22/12/2010
Mundo - Notas
WIKILEAKS
Conselho de Lula para o colega Chávez
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria pedido para o colega venezuelano Hugo Chávez ser mais ameno com os Estados Unidos, segundo um telegrama da diplomacia americana, liberado pelo site WikiLeaks e divulgado ontem pelo jornal espanhol El País. Em visita ao embaixador americano em Brasília, em abril de 2005, o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou que havia conversado com o presidente venezuelano para que ele parasse de “brincar com fogo”. Na correspondência, o diplomata afirmou que o assessor de Lula viajaria à Caracas para conversar com Chávez, a fim de que ele “eliminasse a retórica provocadora e se concentrasse mais nos problemas internos do país”.

ESTADOS UNIDOS
Senado deve ratificar acordo Start
O Senado dos Estados Unidos vota hoje, em caráter definitivo, a ratificação do tratado de desarmamento nuclear Start, celebrado com a Rússia. Ontem, os senadores encerraram sete dias de debates após a aprovação, por 67 votos a 28, da moção para apreciação final do assunto. A expectativa é a de que o acordo seja ratificado sem grandes obstáculos. Nove dos adversários republicanos do presidente Barack Obama afirmaram recentemente que vão apoiar o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start), e nenhum democrata rompeu com o pacto, dando ao acordo os votos necessários para ser aprovado. A ratificação exige dois terços dos senadores presentes: 67 votos, se todos os 100 estiverem na votação, e 66 se, como o esperado, o senador democrata Ron Wyden não estiver, já que se recupera de uma cirurgia de câncer de próstata.

Crescimento da população é mais lento
A população dos Estados Unidos chegou a 308.745.538 habitantes em 1º de abril deste ano, registrando um aumento de 9,7% em relação ao ano 2000. De acordo com o censo, trata-se da taxa mais baixa dos últimos 80 anos. Há 10 anos, o levantamento registrava 281,4 milhões de americanos. O crescimento populacional na maior economia do mundo foi o mais lento desde 1930, quando, em pleno período de depressão econômica, a população subiu apenas 7,3%. “O censo é a coluna vertebral de nosso sistema econômico e político para os próximos anos”, disse o secretário de Comércio, Gary Locke, responsável por apresentar oficialmente os resultados ao presidente Barack Obama.

JUSTIÇA
Canibal de Londres é condenado
Stephen Griffiths, o estudante de criminologia de 40 anos que se autointitulou “o canibal de Londres”, foi condenado ontem à prisão perpétua por um tribunal britânico por assassinar três prostitutas. Ao ler a sentença, o juiz Peter Openshar , do tribunal de Leeds (norte da Inglaterra), chamou de “monstruosos” os crimes cometidos por Griffiths. Griffiths declarou-se culpado pelas mortes de Susan Rushworth, de 43 anos, Shelley Armitage, de 31, e Susan Blamires, de 36, que desapareceram na cidade de Bradford, em Yorkshire (norte da Inglaterra).

General assume crimes da ditadura

22/12/2010
Mundo
Argentina

O ex-ditador argentino Jorge Videla assumiu a responsabilidade por crimes políticos cometidos no país entre 1976 e 1983, durante o julgamento do processo em que é acusado pelo fuzilamento de 31 presos políticos em Córdoba, no centro do país. “Assumo plenamente as minhas responsabilidades. Meus subordinados limitaram-se a cumprir ordens”, destacou o general Videla no Tribunal de Córdoba, um dia antes da divulgação do veredito, prevista para hoje. Videla é réu no processo com 29 militares. No depoimento final, que leu pausadamente durante 49 minutos, o ex-ditador de 85 anos disse que assumirá “sob protesto” a “injusta condenação” que possa receber.

A Promotoria havia pedido, em novembro passado, a pena de prisão perpétua para Videla. Em 24 de março de 1976, ele comandou um golpe e instaurou uma ditadura na Argentina, que deixou 30 mil desaparecidos, de acordo com as estimativas de entidades humanitárias. “Reclamo a honra da vitória e lamento as sequelas. Valorizo os que, com dor autêntica, choram seus seres queridos. Lamento que os direitos humanos sejam utilizados com fins políticos”, disse Videla.

Em seguida, fez várias considerações sobre o governo da presidente Cristina Kirchner. Assinalou, por exemplo, que as organizações armadas dissolvidas “não mais precisam da violência para chegar ao poder, porque já estão no poder e, daí, tentam a instauração de um regime marxista à maneira de (Antonio) Gramsci (téorico marxista italiano)”.

Jorge Videla, como comandante da ditadura, e Luciano Menéndez, 83 anos, como ex-chefe militar com jurisdição em 11 províncias, são os dois militares de mais alta patente acusados pelo assassinato de 31 presos políticos numa prisão de Córdoba.

O ex-ditador havia sido condenado à prisão perpétua num histórico julgamento dos comandantes militares, realizado em 1985. Alguns anos mais tarde, entretanto, recebeu indulto do então presidente Carlos Menem, que governou a Argentina de 1989 a 1999. O perdão foi anulado pela Corte Suprema em 2007. Desde então, foram somadas várias acusações contra Videla por crimes de lesa-humanidade, praticados durante a ditadura.

Nobel da Paz
Na área reservada ao público, familiares das vítimas, acompanhados do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, agraciado em 1980, ouviam o depoimento de Videla com gestos de desaprovação. Não houve incidentes. “(O julgamento) é um avanço importantíssimo no direito à verdade e à justiça”, assinalou Pérez Esquivel à agência France Presse.

Em Buenos Aires, três ex-militares foram condenados ontem à prisão perpétua também por crimes cometidos durante a ditadura na base naval da cidade balneária de Mar del Plata. De acordo com o Centro de Informação Judicial (CIJ), foram sentenciados os ex-oficiais da Marinha Justo Ignacio Ortiz e Roberto Luis Pertusio, além de Alfredo Manuel Arrillaga, do Exército.

O Tribunal Oral Federal de Mar del Plata aceitou a acusação feita contra os três por “privação ilegal da liberdade duplamente agravada e imposição de tormentos agravada”. Com esse julgamento, chega a 133 o número de réus condenados por crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura argentina.

Governo vai investigar dumping nas vendas de tubo de aço da China para o Brasil

22/12/2010
O governo brasileiro decidiu investigar a partir desta terça-feira a possível existência de dumping nas exportações de um tipo de tubo de aço carbono da China para o país. De acordo com a circular 59 da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, publicada no Diário Oficial da União, o objetivo é apurar algum tipo de "dano à indústria doméstica decorrente de tal prática".

De acordo com o texto do DOU, "tendo em vista que, para fins de procedimentos de defesa comercial, a República Popular da China não é considerada um país de economia predominantemente de mercado, determinou-se o valor normal utilizando-se como terceiro país de economia de mercado os Estados Unidos da América".

Mais cedo, o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, durante um encontro de fim de ano com jornalistas, ressaltou a luta do Brasil contra todo o tipo de protecionismo, inclusive, por parte da indústria nacional. Para ele, a prática é "perniciosa" e não deve ser adotada de forma alguma pelos brasileiros uma vez que o país, atualmente, é extremamente competitivo em vários setores.

"Permitindo medidas protecionistas [por parte dos brasileiros], isso quer dizer que alguém vai usar medidas contra nós. Para o Brasil, interessa que as regras do jogo sejam cumpridas e, por isso, reclamamos tanto na OMC [Organização Munidial do Comércio]", disse.

SUCO DE LARANJA

Sobre a vitória do Brasil na OMC, que considerou ilegais as medidas antidumping aplicadas pelos Estados Unidos ao suco de laranja brasileiro, Barral lembrou que o Brasil é o país em desenvolvimento que mais reclama sobre esse tipo de prática, graças à experiência acumulada ao longo dos anos nesse tipo de disputa.

"Este caso é um avanço no sentido de garantir as regras do jogo. O Brasil é um ator cada vez mais importante no comércio internacional e nos interessa que as regras sejam cumpridas", destacou Barral.

A decisão é preliminar e as duas partes podem recorrer. Só em fevereiro de 2011, a organização dará a palavra final sobre o assunto e poderá estabelecer retaliações comerciais aos EUA.

O dumping é considerado uma prática ilegal e se configura quando um país vende seus produtos no exterior abaixo do preço de custo da produção na tentativa de eliminar a concorrência.

Coreia do Sul inicia segunda série de exercícios militares

22/12/2010
Mundo
AFP
Coreia do Sul iniciará esta semana uma nova série de manobras militares, terrestres, aéreas e navais, poucos dias depois de ter executado exercícios na ilha bombardeada pela Coreia do Norte que aprofundaram ao máximo a tensão na península coreana. As Forças Armadas sul-coreanas anunciaram que iniciarão nesta quinta-feira, 23, manobras militares, terrestres e aéreas, com uso de munição real, em uma área próxima da fronteira com o Norte.

Segundo o Exército, as manobras, classificadas de 'importantes', acontecerão em Pocheon, 20 km ao sul da fronteira entre as Coreias, com a participação de 800 soldados, além de helicópteros, seis aviões de combate, tanques, mísseis antitanque, canhões e lança-foguetes. O local já foi cenário de vários exercícios militares similares em várias ocasiões.

O Exército também anunciou o início de manobras navais nesta quarta-feira, 22, na costa leste da península coreana, no Mar do Japão, em um exercício que deve durar quatro dias. As manobras acontecem a quase 100 quilômetros da fronteira com a Coreia do Norte, com a participação de seis navios de guerra e helicópteros.

O objetivo é treinar as tropas para uma resposta em caso de invasão de submarinos ou navios de patrulha da Coreia do Norte em águas sul-coreanas. "Os exercícios demonstrarão a solidez de nossa preparação militar", declarou o comandante do I Batalhão Armado, Choo Eun-Sik, à agência Yonhap.

"Vamos executar represálias severas caso o Norte se aventure em outro ato de provocação como o bombardeio de Yeonpyeong", acrescentou.

Em 23 de novembro, a Coreia do Norte disparou 170 peças de artilharia contra Yeonpyeong. O bombardeio, o primeiro ataque a uma zona habitada por civis desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953), matou quatro sul-coreanos e gerou uma onda de protestos ao redor do mundo.

Na segunda-feira, Seul realizou breves exercícios militares com munição real na ilha de Yeonpyeong, apesar das ameaças de graves represálias feitas por Pyongyang. Mas a Coreia do Norte decidiu não responder às manobras.

Segundo o embaixador chinês na ONU, Wang Min, nos últimos dias as Coreias estiveram a ponto de entrar em guerra. "Esperamos que possamos manter a calma", afirmou na terça-feira.

"Mas as divergências duram décadas, não são de ontem. É pouco provável que o problema possa ser resolvido em uma noite", acrecentou.

Na segunda-feira, Pyongyang aceitou o retorno dos inspetores nucleares da ONU que havia expulsado em abril de 2009, segundo o governador do estado americano do Novo México, Bill Richardson, que já foi embaixador do país na ONU. Ele fez uma visita de cinco dias ao país, que foi qualificada de "privada" por Washington.

Mas o gesto de aparente abertura, que segundo os analistas demonstra a vontade da Coreia do Norte de iniciar o diálogo com os Estados Unidos, recebeu até o momento uma reação cética de Washington.

"Deixando de lado os discursos e a retórica, sabem o que devem fazer para que se transformem em um membro respeitado da comunidade internacional", declarou o porta-voz do presidente Barack Obama, Robert Gibbs, sobre os dirigentes norte-coreanos. As conversações multilaterais serão retomadas quando os norte-coreanos demonstrarem a vontade de mudar sua atitude", completou.

Em abril de 2009, Pyongyang abandonou as negociações multilaterais (que envolvem as duas Coreias, Japão, Rússia, Estados Unidos e China) e um mês depois executou o segundo teste nuclear de sua história.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Argentina julga ex-ditador Jorge Rafael Videla por crimes cometidos na ditadura

Após seis meses de audiências e décadas de espera, a Argentina deverá conhecer, nesta quarta-feira (22/12), o veredicto do julgamento oral e público de Jorge Rafael Videla, primeiro presidente da ditadura cívico militar do país, que deixou um saldo estimado de 30 mil mortos e desaparecidos, entre 1976 e 1983. 
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Desde julho deste ano, o ex-general está sendo julgado ao lado de 30 militares e policiais, por assassinatos e torturas na Unidade Penitenciária No 1 (UP1) de Córdoba, crimes cometidos entre abril e outubro de 1976. Um dos destaques do banco de réus é Luciano Benjamín Menéndez, então chefe do Terceiro Corpo do Exército, que comandava as atividades militares de dez províncias do noroeste argentino.

Luciana Taddeo/Opera Mundi

Policial protege a sede de H.I.J.O.S. em Córdoba, após denúncias de ameaças recebidas por advogados e parentes das vítimas

Pela primeira vez, um julgamento de crimes cometidos durante a ditadura reúne tamanha quantidade de acusados, uma das razões pelas quais as organizações de direitos humanos definem esta sentença como um “momento histórico” da luta pela aplicação da justiça aos envolvidos nos crimes cometidos durante a ditadura.

“A imagem inicial deste julgamento foi muito forte, com uma grande quantidade de pessoas no banco dos réus, com Videla na primeira fila. Dos julgamentos atuais, este é o maior do país e o primeiro que conta com a presença do repressor”, afirmou ao Opera Mundi Martín Notarfrancesco, o porta-voz de causas judiciais da organização H.I.J.O.S. (Filhos pela Identidade e Justiça, contra o esquecimento e o silêncio).   

Nesta terça-feira (21/12), os acusados terão direito a dar sua última palavra e na quarta-feira (22/12), receberão a sentença. Este será o primeiro veredicto escutado por Videla desde 1985, no Julgamento das Juntas Militares que governaram o país durante o período de repressão.   

Notarfrancesco confia na condenação do ex-ditador à prisão perpétua. “Esta conquista é o resultado de um caminho de luta que construímos há 15 anos, com um trabalho permanente de conscientização de muitos setores da sociedade sobre a importância do julgamento dos repressores”, afirmou.

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Principais momentos   

Um dos momentos mais significativos dos quase seis meses de audiências foi a declaração do ex-ditador, que pela primeira vez se pronunciou em um tribunal. Nem em 1985, quando foi condenado à prisão perpétua por numerosos crimes contra a humanidade, o ex-general tinha feito o uso da palavra.   

Sem demonstrar indícios de emoção, Videla assumiu plena responsabilidade pela repressão promovida durante seu governo: “Reitero e assumo minhas responsabilidades em todas as ações realizadas pelo exército na guerra interna contra os subversivos”, disse ele, acrescentando ainda que seus “subordinados se limitaram a cumprir” suas ordens.   

Outra etapa do processo que marcou tanto testemunhas como querelantes foi a inspeção ocular à unidade penitenciária onde estavam presas as vítimas em questão, realizada em novembro, para situar os fatos nos espaços do edifício. Durante a visita, duas testemunhas colaboraram com detalhes sobre dois crimes ocorridos no local.   

Rosário Rodríguez Balustra, uma das querelantes do julgamento, pelo assassinato de seu marido, Pablo Alberto Balustra, contou que um dos momentos mais dolorosos da inspeção foi quando testemunhas descreveram o assassinato de René Moukarzel, cujos braços e pernas foram amarrados em estacas na noite mais fria de 1976. Ele passou horas de tormentos, tendo o corpo queimado com cigarros e molhado com baldes de água fria, entre outras agressões.   

Para Claudio Orosz, advogado da associação de Familiares de Desaparecidos e Presos por Razões Políticas e da organização H.I.J.O.S., representante de algumas das famílias querelantes, uma das audiências mais críticas foi quando esperavam um testemunho por teleconferência da Itália. “Esta testemunha se refugiou inicialmente no Brasil e com a ajuda de Dom Paulo Evaristo Arns, foi elaborado um documento com muitos dados fundamentais para a causa, mas que a testemunha nunca ratificou. Confirmar esta declaração, como terminou acontecendo, era muito importante”, revelou.   

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Outro momento de destaque foi quando o ex-cabo do exército, Miguel Angel Pérez, um dos acusados, pediu perdão por ter “arruinado a vida” da família de Raúl “Paco” Bauducco, assassinado com um tiro na cabeça. “Somente a eles eu devo explicações”, afirmou o ex-militar.   

Segundo ele, na época, seus superiores o obrigaram a declarar que o crime ocorreu devido a uma tentativa de roubo de sua arma. “Era a primeira vez que eu tinha ‘terroristas’ tão perto. Depois, soube que se tratava de presos políticos. Responsabilizo o exército argentino por ter arruinado minha vida quando eu tinha 20 anos, por ter me mandado atuar na prisão quando eu não tinha preparação”, relatou em uma audiência.   

Repressores

Videla, hoje com 84 anos, deverá ser condenado pela primeira vez desde 1985, quando recebeu a pena de prisão perpétua por homicídios qualificados, 504 privações ilegais de liberdade, torturas, roubos agravados, falsidade ideológica de documentos públicos, usurpações, extorsões, roubo de menores, entre outros crimes contra a humanidade.   

O ex-ditador cumpriu, no entanto, apenas cinco anos consecutivos de pena, seguidos por voltas intermitentes à prisão, devido aos benefícios dos indultos de 1990 do então presidente Carlos Menem, que mediante decretos determinou sua liberdade e direitos de prisão domiciliar após sua volta à cadeia em 1998.

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Em 2003, o Tribunal Territorial de Nuremberg solicitou sua extradição para a Alemanha, pelo homicídio da alemã Elisabeth Kaesemann na Argentina em 1977. Pela falta de provas, o pedido foi negado. Em 2009, a causa de Nuremberg foi reaberta após a aparição do cadáver do alemão Thomas Stawowiok na Argentina.

Apesar do pedido dos querelantes de que seja condenado à prisão comum, Videla deve cumprir qualquer pena em prisão domiciliar, como garante a lei para réus com idade superior a 70 anos.   

Já o réu Luciano Benjamín Menéndez foi o mandante das atividades militares em 10 províncias do noroeste argentino entre 1975 e 1979. Segundo testemunhos, supervisou e dirigiu pessoalmente torturas e fuzilamentos executados nos centros clandestinos de detenção desta área.   

Em 1988, foi processado por quatro roubos de bebês, 47 casos de homicídio, 76 de torturas, sendo quatro deles seguidos de morte. Chegou a ficar na prisão por alguns dias, mas terminou beneficiado pela Lei de Ponto Final, que estabelecia um limite para o desfecho da causa, e pelos indultos de Menem.

Menéndez está preso desde julho de 2008 e, se concretizada a condenação, deve bater um recorde e acumular sua quinta prisão perpétua. Devido às precárias condições de saúde, o ex-militar passa períodos intermitentes na cadeia, revezando-se entre o hospital militar e a residência de um de seus filhos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

OAB diz que juiz é suspeito porque teve filho reprovado quatro vezes

Daniella Dolme e Laisa Beatris - 17/12/2010 - 15h38
 
O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) vai pedir a suspeição do desembargador Vladimir Souza Carvalho, do TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região), que concedeu liminar, determinando que a OAB inscreva dois bachareis em direito como advogados sem exigir aprovação no Exame Nacional da Ordem.
O presidente da Comissão Estadual de Exame de Ordem da OAB de Sergipe, em nota, afirmou que a suspeição fundamenta-se no fato de que houve “envolvimento de nítido caráter familiar”, por parte do desembargador, já que seu filho, Helder Monteiro de Carvalho, foi reprovado quatro vezes na prova, entre 2008 e 2009.
Além disso, Carvalho publicou um artigo no jornal Correio de Sergipe, em 14 de agosto, criticando a prova. No texto, o magistrado alega que o Exame não é elaborado pela OAB, e sim por “um terceiro, constituído de pessoas sem a experiência das lides forenses, que vai formular as perguntas, colorindo cada uma de casca de banana, para o candidato escorregar”.
E ainda ironiza a suposta exigência de que os alunos saiam “especialistasnão em uma matéria, mas em todas (...) exigindo do recém formado um cabedal de conhecimentos que só mais tarde, dedicando-se a uma advocacia generalizada e abrangente, poderia obter”.
TRF-5
Suspeição: OAB acusa desembargador Vladmir Carvalho de "envolvimento familiar" ao declarar Exame de Ordem inconstitucional
Dessa forma, no entendimento do presidente da Comissão, Nilo Jaguar, ficou registrada na imprensa a opinião “preconceituosa” do desembargador com relação ao Exame e, por isso também, justifica-se o pedido de suspeição neste processo.
O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, anunciou, por meio de nota, que apoia a suspeição e tentará afastar o desembargador do processo. “Por uma questão de ética, o juiz jamais deveria ter decidido o processo”, alegou. “É lamentável que uma pessoa que tenha esse envolvimento familiar tome esse tipo de decisão”.
Outro lado
Por meio de sua assessoria, o desembargador Vladimir Souza Carvalho declarou que essa é uma "questão de processo" e só se manifestará nos autos.
Carvalho afirmou ao site Consultor Jurídico que não tem nada contra a OAB e que está surpreso com a atitude da entidade. Declarou ainda  que sua decisão está dentro das normas legais e que foi somente uma liminar, em um processo que está no início, podendo ser reformada posteriormente em uma decisão colegiada.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Justiça Federal diz que Exame da OAB é inconstitucional

SINCERAMENTE? Chega de pensar na constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Valor vale! O material deve preponderar pelo formal. O Exame é importante...


Daniella Dolme - 16/12/2010 - 15h54
*Atualizada às 18h01
O desembargador Vladimir Souza Carvalho, do TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região) concedeu liminar determinando que a OAB inscreva bachareis em direito como advogados sem exigir aprovação no Exame Nacional da Ordem. Para o desembargador, a exigência de prova para pessoas com diploma de direito reconhecido pelo MEC é inconstitucional. 
A decisão ocorreu em uma ação movida por Francisco Cleupon Maciel, integrante do MNBD (Movimento Nacional dos Bacharéis de Direito), contra a OAB do Ceará. O pedido havia sido negado em primeira instância e o autor entrou com agravo no TRF-5. É primeira decisão de segunda instância que reconhece a inconstitucionalidade do Exame.
De acordo com o desembargador Vladimir Souza Carvalho, relator do caso, o Exame de Ordem é inconstitucional, na medida em que a Carta Magna prevê que "é livre o exercício de qualquer trabalho, oficio ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer". Portanto, para o magistrado, não cabe à OAB “exigir do bacharel em ciências jurídicas e sociais, ou, do bacharel em direito, a aprovação em seu exame, para poder ser inscrito em seu quadro, e, evidentemente, poder exercer a profissão de advogado”.
Ainda segundo a decisão, da forma como está regulamentada a norma atualmente, conferindo poder de decisão à Ordem, faz com que as avaliações realizadas ao longo da graduação percam a validade. “Trata-se de um esforço inútil, pois cabe à OAB e somente a ela dizer quem é ou não advogado”, ressalta Carvalho.
Além disso, no entendimento do desembargador, a advocacia é a única profissão no país em que o estudante, já portando o diploma, necessita se submeter a um exame para poder exercê-la, “circunstância que, já de cara, bate no princípio da isonomia”, observa Carvalho, condição também prevista na legislação brasileira.
“De posse de um título, o bacharel em direito não pode exercer sua profissão. Não é mais estudante, nem estagiário, nem advogado. Ou melhor, pela ótica da OAB, não é nada”, aponta o magistrado.
“Usurpação do poder"
Para o relator da decisão, a avaliação realizada pelo Conselho da OAB, obrigatória, “não se apresenta como devida, por representar uma usurpação de poder, que só é inerente a instituição de ensino superior”. Carvalho alega que somente a Presidência da República pode regulamentar, privativamente, a lei – o que, portanto, não deve ser de responsabilidade do Conselho.
O relator ainda argumenta que o STF (Supremo Tribunal Federal) já reconheceu a repercussão geral em um recurso extraordinário (RE 603.583-RS) que discute a constitucionalidade do Exame de Ordem para o ingresso no quadro de advogados da OAB. Segundo ele, “em breve, haverá uma solução definitiva para a questão”.


Condenação do Brasil não anula decisão do Supremo

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, afirmou nesta quarta-feira (15/12) que a punição do Brasil na Corte Interamericana da Direitos Humanos (CIDH) “não revoga, não anula, não caça a decisão do Supremo” em sentido contrário. Em abril deste ano, o STF decidiu, por 7 votos a 2, declarar a constitucionalidade da Lei de Anistia ao decidir uma ação ajuizada pela Ordem dos Advogados do Brasil. A notícia é da Agência Brasil.
O ministro negou a possibilidade de rever a decisão do Supremo e afirmou que o que pode ocorrer é o país ficar sujeito a sanções previstas na convenção ratificada pelo Brasil para integrar a Organização dos Estados Americanos (OEA). Peluso ainda afirmou que caso alguém entre com um processo contra eventuais responsáveis, a pessoa que se sentir prejudicada “vai entrar com Habeas corpus e o Supremo vai conceder na hora”.
Para o ministro Marco Aurélio Mello, o Direito interno, pautado pela Constituição Federal, deve se sobrepor ao Direito internacional. “Nosso compromisso é observar a convenção, mas sem menosprezo à Carta da República, que é a Constituição Federal”. Ele ainda afirmou que a decisão da CIDH tem eficácia apenas política e que “não tem concretude como título judicial. Na prática, o efeito será nenhum, é apenas uma sinalização”.
Marco Aurélio ainda afirmou que o governo brasileiro não atuou errado ao não punir torturadores porque a Lei da Anistia foi bilateral e implica o perdão em sentido maior. “Foi a virada de página para nós avançarmos culturalmente”, avalia o ministro.
Decisão política
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que a decisão da CIDH de condenar o Brasil pelo desaparecimento de 70 pessoas na Guerrilha do Araguaia é meramente política e que não produz efeitos jurídicos no Brasil. Jobim disse também que não há possibilidade de punição para os militares que praticaram tortura no país.
Para Jobim, que já foi ministro do Supremo Tribunal Federal, a validade da Lei da Anistia não deve voltar a ser discutida na Corte. “O assunto não pode voltar ao Supremo, pois a Corte está sujeita a suas próprias decisões. As decisões de constitucionalidade têm efeito contra todos, inclusive eles [os ministros]”, disse Jobim.
“Se você tem uma lei que anistiou, ela não pode ser revista hoje. É uma lei que se esgota em sua própria vigência”, afirmou Jobim, durante palestra na Secretaria de Assuntos Estratégicos. O ministro disse que seu lema é “memória tudo, retroação zero”, e que não se constrói política no presente olhando para o passado. “Quando isso acontece, há um consumo brutal de energia no primeiro ano de governo, só retaliando o governo anterior”.
Segundo Jobim, o Estado já está cumprindo decisão da CIDH com o Grupo de Trabalho do Tocantins, que atua há dois anos e é formado por diversos especialistas que trabalham na localização dos corpos dos desaparecidos na guerrilha.
O ministro lembrou que a anistia foi negociada na transição entre o governo militar e o civil, assegurando uma ampla vigência para os dois lados.
“O processo de transição no Brasil é pacífico, com histórico de superação de regimes, não de conflito. Isso nem sempre acontece nos países da América espanhola, muitas vezes pautados por situações de degola e pelo lema lucha hasta la muerte [luta até a morte]”, disse Jobim, fazendo referência a um discurso do revolucionário Ernesto Che Guevara na Organização das Nações Unidas, em 1964, em defesa da Revolução Cubana.
Outras recomendações
O Ministério das Relações Exteriores ressaltou, em nota, que o Brasil está cumprindo várias determinações da sentença anunciada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que puniu o país pelo desaparecimento de 70 pessoas na Guerrilha do Araguaia. A nota ainda afirma que essas medidas continuarão a ser implementadas e que “o Brasil também envidará esforços para encontrar meios de cumprir as determinações remanescentes da sentença”.
O Itamaraty também afirmou que o Estado brasileiro reconheceu sua responsabilidade pela morte e pelo desaparecimento de pessoas durante o regime militar, apresentando informações sobre medidas implementadas, nos planos legal e político, em sua defesa junto à CIDH. Cita como exemplos o pagamento de indenizações a familiares das vítimas e o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, da constitucionalidade da Lei da Anistia em abril deste ano.
“Essas medidas também incluíram os esforços, ainda em curso, de localização e identificação de restos mortais; de compilação, digitalização e difusão de documentos sobre o período do regime militar; e de preservação, divulgação e valorização da memória histórica associada àquele período” afirmou a nota.
Possibilidade de revisão
O ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Paulo Vannuchi, disse que o STF poderia voltar a discutir a Lei de Anistia, julgada constitucional por 7 votos a 2 em abril deste ano. Segndo Vannuchi, “existe possibilidade jurídica” de revisão. A determinação do Supremo impede a punição de torturadores que atuaram durante o regime.
Segundo a decisão da CIDH “são inadmissíveis as disposições de anistias, as disposições de prescrição e o estabelecimento de excludentes de responsabilidade, que pretendam impedir a investigação e punição dos responsáveis por graves violações dos direitos humanos, como tortura, as execuções sumárias, extrajudiciárias ou arbitrárias e os desaparecimentos forçados”.
Vannuchi afirma ainda que já esperava a condenação. “A decisão da Corte não surpreende as pessoas ligadas aos direitos humanos”, salientou. Para ele, cabe ao Brasil acatar a determinação, uma vez que é membro da OEA e signatário das convenções internacionais como o Pacto de San Jose da Costa Rica que assegura o respeito a direitos políticos, civis e humanos, violados pelo Exército no combate à guerrilha.
O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, divulgou nota afirmando que recebeu a sentença da Corte Interamericana com “preocupação”. Segundo ele, “o Brasil pode sofrer consequências penais e econômicas decorrentes da decisão do Supremo, que foi tomada dentro de sua autonomia, mas sem compatibilizar com os tratados e as convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.” A Ação Direta de Inconstitucionalidade da Lei de Anistia, considerada improcedente pelo STF, foi proposta pela OAB.
Paulo Vannuchi afirmou que para não sofrer sanções nem regredir a ponto de abandonar tratados que assinou, o país deverá acatar a decisão internacional.
Para o ministro, a instalação de uma Comissão Nacional da Verdade, proposta ao Congresso Nacional (PL 7.376/2010), será importante para apuração do desaparecimento das pessoas envolvidas na Guerrilha do Araguaia. “A comissão pode ser um outro passo que leve o Brasil a se convencer de que como está não pode ficar.”
O ministro fez questão de salientar que não há revanchismo contra os militares. “Eu sustento e reitero que, contrária às Forças Armadas, é a posição de proteger torturadores, porque foram membros das Forças Armadas que violaram sexualmente e esquartejaram [perseguidos políticos]. Isso viola a dignidade da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Esse equívoco, o Brasil tem que corrigir e as Forças Armadas têm de entender que a ação desses criminosos sádicos não pode ser protegida pela corporação”, apelou.
Essa é a quarta vez que o Brasil é condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA em cinco processos a que foi submetido na Corte: além da Guerrilha do Araguaia, houve a condenação por causa da morte por maus-tratos do paciente de distúrbio mental Daniel Ximenes Lopes, ocorrida em 1999, no Ceará; por causa do grampo ilegal para espionagem do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Paraná (também em 1999); e a morte do trabalhador rural Sétimo Garibaldi por 20 pistoleiros, no Paraná, em 1988.