24/06/2010
Opinião Mário Soares
EX-PRIMEIRO-MINISTRO E EX-PRESIDENTE DE PORTUGAL
EX-PRIMEIRO-MINISTRO E EX-PRESIDENTE DE PORTUGAL
AComissão para as Comemorações do Centenário da República – que tem realizado um trabalho notável, com enorme participação popular – teve a excelente ideia de integrar, entre os eventos que tem organizado, um colóquio intitulado Integração europeia e d e m o c ra c i a , que teve lugar no Mosteiro dos Jerónimos no dia 11 de junho.
Foi aberto, pelo seu ilustre e incansável presidente, Artur Santos Silva, pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e contou com a participação de portugueses, muito bem escolhidos, pelo seu conhecimento e experiência da temática, como: José Medeiros Ferreira, Álvaro de Vasconcelos e Carlos Gaspar (que trataram da União face aos desafios internacionais); Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino e Guilherme d’Oliveira Martins (sobre A legitimidade democrática em tempo de crise); Ernâni Lopes, Victor Martins e Maria João Rodrigues (sobre A União Europeia à prova da crise mundial) e Jaime Gama, Felipe Gonzalez e eu próprio (sobre Integração e democracia: Os casos de Portugal e Espanha).
No dia seguinte, 12 de junho, que foi o dia da assinatura do Tratado de Adesão, houve uma comemoração oficial em Lisboa e depois em Madri, como no dia da efeméride há 25 anos. Em Lisboa, presidida pelo presidente da República, professor Cavaco Silva, e em Espanha pelo rei dom Juan Carlos. Tanto em Lisboa como em Madri falaram ainda o presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero, o primeiro-ministro português, José Sócrates, bem como os presidentes da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Parlamento Europeu, o polaco Jerzy Buzek.
Juntar as duas datas foi, quanto a mim, uma boa ideia, dado que a implantação da República (5 de outubro de 1910) e a adesão à CEE (12 de junho de 1985) constituem, com o 25 de abril de 1974, as três datas mais marcantes do século passado e as que mais contribuíram para a modernidade de Portugal e o seu prestígio internacional.
Acresce que a celebração da nossa adesão à CEE, hoje União Europeia, e, depois, à Zona Euro, quando era primeiro-ministro António Guterres, é de uma enorme actualidade, dada a crise especulativa que está a atacar a moeda única e, através dela, a própria integração europeia.
Realmente, desde a fundação da Comunidade Europeia, em 1957, nunca a integração europeia correu tão grandes riscos de se desintegrar como hoje. Uma situação que podia ter sido evitada, se tivesse havido bom-senso e mais solidariedade entre os Estados-membros, nomeadamente da parte da Alemanha, reunificada – note-se – graças ao esforço dos seus parceiros europeus. Não houve. Mas agora parece que a chanceler Merkel compreendeu a gravidade da situação e dispôs-se a actuar. Propôs a criação de um fundo monetário europeu para valer aos Estados-membros em dificuldades, que hoje são praticamente todos, incluindo a Alemanha. Mas um tal fundo implica a sua gestão, em tempo de recessão, ou seja: um governo econômico da União. Será a saída lógica para a crise mas, em si mesma, reclama um novo modelo de desenvolvimento econômico e político, numa lógica de tipo federal... A União a dezesseis esteve reunida no passado dia 17. Saberemos o que ela decidiu.
A circunstância de Portugal e Espanha, como referi acima, terem dado quase simultaneamente uma manifestação pública de unidade e solidariedade, foi oportuna e importante.
Como disse Sócrates, em Madri, “a actual crise só pode resolver-se com mais Europa”.
E eu acrescento: com mais política e ousadia. Portugal e Espanha, nas cerimônias comemorativas de adesão, demonstraram o seu europeísmo e a importância de uma Europa unida, solidária e mais justa.
Foi aberto, pelo seu ilustre e incansável presidente, Artur Santos Silva, pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e contou com a participação de portugueses, muito bem escolhidos, pelo seu conhecimento e experiência da temática, como: José Medeiros Ferreira, Álvaro de Vasconcelos e Carlos Gaspar (que trataram da União face aos desafios internacionais); Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino e Guilherme d’Oliveira Martins (sobre A legitimidade democrática em tempo de crise); Ernâni Lopes, Victor Martins e Maria João Rodrigues (sobre A União Europeia à prova da crise mundial) e Jaime Gama, Felipe Gonzalez e eu próprio (sobre Integração e democracia: Os casos de Portugal e Espanha).
No dia seguinte, 12 de junho, que foi o dia da assinatura do Tratado de Adesão, houve uma comemoração oficial em Lisboa e depois em Madri, como no dia da efeméride há 25 anos. Em Lisboa, presidida pelo presidente da República, professor Cavaco Silva, e em Espanha pelo rei dom Juan Carlos. Tanto em Lisboa como em Madri falaram ainda o presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero, o primeiro-ministro português, José Sócrates, bem como os presidentes da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Parlamento Europeu, o polaco Jerzy Buzek.
Juntar as duas datas foi, quanto a mim, uma boa ideia, dado que a implantação da República (5 de outubro de 1910) e a adesão à CEE (12 de junho de 1985) constituem, com o 25 de abril de 1974, as três datas mais marcantes do século passado e as que mais contribuíram para a modernidade de Portugal e o seu prestígio internacional.
Acresce que a celebração da nossa adesão à CEE, hoje União Europeia, e, depois, à Zona Euro, quando era primeiro-ministro António Guterres, é de uma enorme actualidade, dada a crise especulativa que está a atacar a moeda única e, através dela, a própria integração europeia.
Realmente, desde a fundação da Comunidade Europeia, em 1957, nunca a integração europeia correu tão grandes riscos de se desintegrar como hoje. Uma situação que podia ter sido evitada, se tivesse havido bom-senso e mais solidariedade entre os Estados-membros, nomeadamente da parte da Alemanha, reunificada – note-se – graças ao esforço dos seus parceiros europeus. Não houve. Mas agora parece que a chanceler Merkel compreendeu a gravidade da situação e dispôs-se a actuar. Propôs a criação de um fundo monetário europeu para valer aos Estados-membros em dificuldades, que hoje são praticamente todos, incluindo a Alemanha. Mas um tal fundo implica a sua gestão, em tempo de recessão, ou seja: um governo econômico da União. Será a saída lógica para a crise mas, em si mesma, reclama um novo modelo de desenvolvimento econômico e político, numa lógica de tipo federal... A União a dezesseis esteve reunida no passado dia 17. Saberemos o que ela decidiu.
A circunstância de Portugal e Espanha, como referi acima, terem dado quase simultaneamente uma manifestação pública de unidade e solidariedade, foi oportuna e importante.
Como disse Sócrates, em Madri, “a actual crise só pode resolver-se com mais Europa”.
E eu acrescento: com mais política e ousadia. Portugal e Espanha, nas cerimônias comemorativas de adesão, demonstraram o seu europeísmo e a importância de uma Europa unida, solidária e mais justa.

Rui Aurélio de Lacerda Badaró


A relação das potências ocidentais com o Irã se deteriorou com rapidez após a CIA (agência de inteligência dos EUA) detectar por satélite a existência da usina de enriquecimento de urânio escondida dentro de uma montanha próxima da cidade sagrada xiita de Qom em setembro de 2009
Nome oficial: República Islâmica do Irã
Renata Lira e Rafael Dias