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sábado, 24 de dezembro de 2011

Estimados amigos, colegas, professores e leitores do blog,

Compartilho um texto de Nietzshe, escrito em 1858,  aos 14 anos, sobre o Natal:

"A  festa de Natal é a noite mais feliz do ano. Durante um longo tempo, eu a aguardava com alegria realmente transbordante, mas nesses últimos dias, eu já não estava mais agüentando, contava os minutos, e os dias me pareciam longos como nunca. Uma vez – isso é curioso – tomado de uma impaciência particular, escrevi subitamente uma carta de Natal, transportando-me inteiramente para a fantasia daquele momento em que a porta seria aberta e a árvore de Natal cintilaria de maneira deslumbrante. Assim escrevi em um pequeno ensaio na ocasião:
- “Como é magnífica essa árvore com o cume ornado com um anjo, alusão à árvore genealógica de Cristo, cuja coroa é o Senhor em pessoa. Como resplandecem as numerosas luzes, que representam simbolicamente a chama nascida entre os homens graças ao nascimento de Cristo. Como nos sorri tentadoramente as maçãs vermelhas, que lembram a expulsão do Paraíso! E olha! Na raiz da árvore, o menino Jesus na manjedoura rodeado por José e Maria e os pastores em adoração! Que olhar pleno de fé ardente lançam sobre o menino! Queira os céus que nós também nos abandonemos com tal devoção ao Senhor! 
-O dia de aniversário é um dia semelhante, embora não tão esplêndido. Mas por qual razão não nos sentimos tão repletos de alegria como pelo dia de nascimento de Cristo? Em primeiro lugar, falta toda aquela grande significação, que eleva essa festa acima de todas as outras. Em seguida, o Natal não diz respeito apenas a nós mesmos, mas a toda a humanidade em geral, pobres e ricos, grandes e pequenos, ilustres e desconhecidos. E é próprio desta alegria universal aumentar a nossa pessoal. Ela pode falar a todos, todos os homens são de certo modo unidos em uma expectativa comum. Pense, em seguida, em sua localização, que torna o Natal, por assim dizer, o ponto culminante do ano, pense naquela hora da noite, quando a alma está em geral muito mais animada, e enfim a solenidade com que esta festa é celebrada. A festa de aniversário tem um caráter mais familiar, enquanto que o Natal é a festa da cristandade inteira.”...

Feliz Natal! Virtuoso 2012!

Seguimos em frente! Sempre em frente!

Professor Rui Badaró

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

HAJA PACIÊNCIA COM O CASO BATTISTI!

Estimados,
Divido com vocês mais uma publicação na revista jurídica CONSULEX.
Aproveitem a leitura.
Abraços,


Prof. Badaró
Revista Jurídica Consulex nº 355
Destaque
Arquivo pessoalRui Aurélio de Lacerda Badaró
Doutorando em Direito Internacional pela Universidad Católica de Santa Fé (UCSF). Diretor da Academia Brasileira de Direito Internacional (ABDI). Membro da International Law Association (ILA) – ramo brasileiro. Professor Titular de Direito das Organizações Internacionais da Escola Paulista de Direito (EPD).
1/11/2011

HAJA PACIÊNCIA COM O CASO BATTISTI!

Cesare Battisti foi condenado por quatro assassinatos em todas as instâncias judiciais da Itália. Três Cortes francesas e uma internacional (Corte Europeia de Direitos Humanos) posicionaram-se favoravelmente à sua extradição para aquele país. Preso no Brasil em março de 2007, em cumprimento à ordem prisional exarada pelo Ministro Celso de Mello, em razão de seu processo de extradição, o italiano também foi denunciado por uso de passaporte falso, o que resultou em ação penal, ora em trâmite na 2ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro. Em 2008, Battisti requereu a concessão de refúgio perante o CONARE. Indeferido seu pleito, recorreu ao Ministro da Justiça, o qual decidiu, em 2009, conceder-lhe a condição de refugiado.
Inconformado com tal decisão, o Estado italiano impetrou mandado de segurança perante o Supremo Tribunal Federal contra o ato do Ministro de Estado. Em 2010, a Corte entendeu que a concessão de refúgio é ato administrativo vinculado e, portanto, passível de controle jurisdicional, descartando a hipótese de ato político. E, assim, anulou a concessão do refúgio a Battisti, uma vez que ausentes os requisitos do art. 1º, inciso I, da Lei nº 9.474/97, de “fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas”.
No que tange à extradição, a Corte Constitucional entendeu que os crimes cometidos por Battisti são comuns e não de natureza política, decidindo pela procedência do pleito do Estado italiano. Todavia, filiando-se ao modelo belga de extradição, ao Supremo Tribunal Federal coube apenas analisar a legalidade e a procedência do pedido extradicional, uma vez que resta ao Presidente da República, por ato político, decidir pela extradição, nos casos em que o Pretório Excelso a defere.
Em dezembro de 2010, o então Presidente da República negou a extradição de Battisti ao Estado italiano, com fundamento no Artigo 3, item 1, letra f, do Tratado de Extradição Brasil-Itália, ou seja, quando houver “razões ponderáveis para supor que a pessoa reclamada será submetida a atos de perseguição e discriminação por motivo de raça, religião, sexo, nacionalidade, língua, opinião política, condição pessoal ou social; ou que sua situação possa ser agravada por um dos elementos antes mencionados”.
Eis o problema! Battisti não possui status de refugiado, não foi extraditado e responde por crime de falsificação no Brasil. Em tempo recorde, o italiano pleiteou no dia 9 de junho de 2011, perante o Conselho Nacional de Imigração, documento para atestar a legalidade de sua permanência definitiva no País. Em 22 de junho de 2011, o CNI concedeu autorização de permanência a Cesare Battisti, ainda que reconhecida a existência de impeditivo legal, qual seja, o art. 7º, inciso IV, da Lei nº 6.815/80. Como assim? Para explicar, relembro o conteúdo do aludido dispositivo: “não se concederá visto ao estrangeiro condenado ou processado em outro país por crime doloso, passível de extradição segundo a lei brasileira”.
Ora, o ato do Conselho Nacional de Imigração violou diretamente o princípio da legalidade. Pior, fundamentou-se, equivocadamente, no art. 63 da Lei nº 6.815/80, que expõe não ser possível a deportação se esta implicar em extradição inadmitida pela lei brasileira. Não é o caso! A Suprema Corte brasileira estruturou posicionamento no sentido de que os crimes de Battisti são comuns e, portanto, passíveis de extradição segundo nosso ordenamento jurídico.
E agora? O que fazer? O Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública visando a anulação de ato ilegal, qual seja, a concessão de visto permanente a Cesare Battisti. De outro lado, mister lembrar aos desavisados que o italiano não possui o status de refugiado, uma vez que anulado pelo Pretório Excelso e, se não foi extraditado, graças a ato político do então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em que pese a Corte Constitucional tenha decidido pela possibilidade de extradição, não resta outra alternativa, após a anulação (acertada!) do ato ilegal, senão a deportação.
Finalmente, óbvio constatar que os institutos da extradição e da deportação não se confundem. Por óbvio também, acompanhando o posicionamento do Procurador da República que assina a ação civil pública, Hélio Ferreira Heringer Junior, não ocorrerá violação transversa ao ato político da Presidência da República (não extradição de Battisti), bastando análise acurada do parágrafo único do art. 58 da Lei nº 6.815/80, o qual permite a saída compulsória do estrangeiro para país de procedência ou outro que consinta em recebê-lo.
Haja paciência (jurídica!) com o caso Battisti!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Unesco aceita Palestina como membro pleno da instituição

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Atualizado às 10h57.
A Unesco, agência cultural da ONU (Organização das Nações Unidas), decidiu nesta segunda-feira admitir a entrada da Palestina como membro total no órgão, mesmo com opositores afirmando que isso poderia ameaçar os esforços de paz na região.
"A Conferência Geral decidiu pela admissão da Palestina como membro de pleno direito na Unesco", anunciou a secretária-geral da 36ª Conferência.
A resolução foi aprovada com 107 votos a favor e 52 abstenções. Foram contra 14 membros, entre eles Estados Unidos, Israel, Canadá e Alemanha. Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e França votaram a favor. O Reino Unido se absteve da votação.
"Esta votação vai apagar uma pequena parte da injustiça cometida contra o povo palestino", afirmou o ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al-Malki.
Para conceder o status de Estado-membro à Palestina, a Unesco necessitava do voto afirmativo de dois terços dos 193 países representados na votação.
A condição anterior dos palestinos era de membro observador. A solicitação de mudança de status é parte da batalha diplomática empreendida pelo povo árabe para que sejam reconhecidos como Estado, o que culminaria em sua tentativa de ingressar na ONU.
A agência é a primeira da organização em que os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, entrou com o pedido de assento na ONU, em 23 de setembro.

Mike Segar - 23.set.11/Reuters
Presidente de Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, mostra cópia de pedido de adesão à ONU em setembro
Presidente de Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, mostra cópia de pedido de adesão à ONU em setembro
Os EUA já disseram que vetariam a reivindicação palestina na ONU e também são os principais opositores, com Israel, aos pedidos de que os palestinos sejam membros totais de outros órgãos.
A admissão representa uma vitória moral aos palestinos na tentativa de obter a condição de membro pleno da ONU, mas pode ter um grande custo para a Unesco.
Dentro da lei americana, a entrada dos palestinos na Unesco levaria a um corte no financiamento proveniente dos EUA, cuja contribuição representa 22% da verba total da agência, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, havia alertado no início do mês que a contribuição poderia ser suspensa.
"Eu incitaria o conselho executivo da Unesco a repensar antes de prosseguir com esse voto, porque a decisão sobre o status [da Palestina] precisa ser tomada nas Nações Unidas e não em um de seus grupos auxiliares", disse Hillary na ocasião.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Brasil 'tem oportunidade' de passar da abstenção à ação, diz embaixador dos EUA


FÁBIO BRANDT
DE BRASÍLIA
O embaixador do Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, disse nesta quarta-feira (26) que "o Brasil tem a oportunidade de tomar passos importantes e de passar de um país que se abstenha para um país que atua". Shannon se referiu às recentes abstenções brasileiras na ONU sobre conflitos na Líbia e na Síria.
O diplomata falou sobre o assunto no programa "Poder e Política - Entrevista" conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília. O projeto é uma parceria do UOL e da Folha.
Sobre a vontade do Brasil de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, Shannon disse que o país faz parte de um grupo de países que têm capacidade de "atuar no mundo". Mas ressalvou que "o processo de reformar o Conselho [de Segurança da ONU] e determinar os novos integrantes ou membros do Conselho não é tanto uma troca transacional, como [também] um processo de reconhecer poder, o poder no mundo".
O americano concedeu a entrevista em português. Entre outros assuntos, falou sobre as mortes de Muamar Gaddafi e Osama bin Laden. Também respondeu sobre a extinção do visto de entrada nos EUA para brasileiros e sobre as relações comerciais entre os dois países.
A seguir, trechos em vídeo da entrevista de Thomas Shannon. Mais abaixo, vídeo com a íntegra da entrevista. A transcrição está disponível em texto.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Notícias de 24 de outubro de 2011

Kirchner conquista vitória arrasadora nas presidenciais argentinas

Comentários 2

Eleições na Argentina

Foto 38 de 40 - 24.out.2011 - Presidente argentina, Cristina Kirchner, sorri após saber o resultado das eleições presidenciais em Buenos Aires. Os primeiros resultados oficiais de domingo (23) confirmam que Cristina foi reeleita para mais quatro anos de mandato Mais Marcos Brindicci/Reuters
A presidente argentina, Cristina Kirchner, conquistou uma vitória esmagadora com 53,7% dos votos, após a apuração de 96,7% das urnas, o maior triunfo desde o retorno da democracia em 1983, e dedicou a vitória ao falecido marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.
A ampla vitória permite a Cristina Kirchner, 58 anos, uma advogada peronista, manter a maioria no Senado e recuperar o controle da Câmara dos Deputados, perdido nas legislativas de 2009.
"Convoco a unidade, aprofundando um projeto que ajude a melhorar a vida dos 40 milhões de argentinos", afirmou, em um palanque diante da Casa Rosada, diante de uma multidão.
O socialista Hermes Binner, com 17%, foi o segundo mais votado. Critina Kirchner é a primeira mulher reeleita na história do país, para um mandato até 2015, e registrou o maior número de votos desde a redemocratização, superior aos 51% de Raúl Alfonsín em 1983.

A lei argentina consagra presidente o candidato com mais de 45% dos votos ou mais de 40%, mas com vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. A participação foi de 77% dos quase 29 milhões de eleitores.

Quase quatro horas depois do fechamento dos centros de votação, com apenas 15% das urnas apuradas, a presidente se declarou vitoriosa em um discurso diante de centenas de partidários em um hotel da capital que serviu de quartel general da sua campanha.
A presidente argentina se declarou vitoriosa ao afirmar que "na vitória sempre é preciso ser maior ainda" e ao saudar seu ministro da Economia e companheiro de chapa Amado Boudou como "vice-presidente eleito".

As pesquisas de boca de urna divulgadas pela televisão indicavam a reeleição de Cristina com 55% dos votos.

Atrás de Binner, governador da província de Santa Fé, aparecem o deputado Ricardo Alfonsín (11,1%) e Alberto Rodríguez Saá (7,9%), anunciou o ministro do Interior, Florencio Randazzo.

A vitória arrasadora ocorre dias antes do primeiro aniversário da morte de seu marido Néstor Kirchner (2003-2007).

Eufóricos, militantes governistas saíram às ruas minutos depois do anúncio da reeleição da mandatária pela TV e começaram a agitar bandeiras e a bater bumbos na Praça de Maio, diante da Casa Rosada, sede do governo.

"Somos a gloriosa Juventude Peronista!", cantavam os manifestantes na praça.

Antes de votar em Río Gallegos (2.600 km ao sul de Buenos Aires), onde está enterrado seu marido, a presidente afirmou com lágrimas nos olhos: "Não posso dizer que é um momento de felicidade porque estaria mentindo, também não diria que é de tristeza. Onde ele estiver, deve estar muito feliz com o fato de as pessoas terem ido votar, todas em paz".

A mandatária assumiu o poder e o peronismo depois da morte de seu marido, no dia 27 de outubro do ano passado.

Néstor Kirchner foi quem tirou o país do buraco após a tragédia econômica e social do final do século 20, e renegociou a dívida após o maior calote da história.

A popularidade de Kirchner é apoiada, segundo analistas, na dinâmica da economia, no consumo e nas exportações agrícolas em um país com uma média de 8% de crescimento do produto interno bruto desde 2003.

Outra política dos Kirchner foi promover os julgamentos por crimes na ditadura (1976-1983) com 244 militares e policiais condenados e outros 800 que aguardam sentença.

"A razão da vitória é simples: 60% dos argentinos estão bem e dos 40% restantes que estão mal, a metade é peronista", disse à AFP o sociólogo Jorge Giacobbe, diretor da consultoria de mesmo nome e ex-assessor da Transparência Internacional.

Giaccobe disse que outros motivos são "a inexistência de oposição e a comprovação de que os meios de comunicação opositores (majoritários) não incomodam Kirchner".

Durante sua campanha, Kirchner ressaltou a redução dos níveis de pobreza, que hoje chega a 8,3% (2 milhões de pessoas nas 31 principais cidades do país).

Kirchner já tinha obtido 50,7% dos votos nas primárias obrigatórias de 14 de agosto.

Quase 29 milhões de argentinos estavam habilitados a votar nestas eleições, em que também foram renovados a metade da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e foram eleitos nove governadores.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Kaddafi assassinado... eu disse isso à vocês! Em Abril! Leiam de novo!

Revista Jurídica Consulex nº 342
Direito Internacional
Arquivo pessoalRui Aurélio de Lacerda Badaró
Doutorando em Direito Internacional pela University of California, San Francisco (UCSF). Mestre em Direito Internacional pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). DEA em Direito Internacional, Europeu e Comparado, pela Universidade Paris 1 – Sorbonne Panthéon. Professor do Curso de Pós-Graduação em Direito Internacional da Escola Paulista de Direito (EPD). Coordenador do Curso de Direito da Faculdade de Direito e Administração de São Roque. Diretor da Academia Brasileira de Direito Internacional. Membro da Sociedade Brasileira de Direito Internacional (SBDI) e da ILA – Ramo brasileiro.
15/4/2011

ATAQUE À LÍBIA • O EMBUSTE

Em pleno século XXI – Era Digital, da sociedade da informação e da exaltação dos direitos humanos –, observa-se que a democracia, a justiça, a liberdade e o mínimo de bem-estar representam um sonho longíquo. Os ataques à Líbia denotam a vontade dos Estados Unidos e aliados (França e Grã-Bretanha) de pôr sob controle o Mediterrâneo, todo o Golfo e, por extensão, a África. Desoladoras são as previsões para os países do Magreb e Mashrek, Tunísia, Líbia e Egito, passando pelo Iêmem e Bahrein.
É claro o esforço empreendido pelos Estados Unidos, no intuito de maquiar sua vocação neocolonial e imperialista, sob o hábito de mais uma intervenção humanitária. Evidente que a defesa dos direitos humanos e garantia da paz e segurança internacionais não passam de retórica. Os flagrantes achaques ao conteúdo da Carta de São Francisco e o oportunismo presente no uso do Conselho de Segurança das Nações Unidas provam a irreprimível sede de poder.
Lembro-me, como hoje, da agressão da OTAN contra a Sérvia, em 1999, tão desejada pelo Chefe de Estado norte-americano, para a “libertação” do Kosovo. Uma “verdadeira” intervenção humanitária! Resultado: um massacre de milhares de inocentes. Ao ler a Resolução nº 1.973, de 17 de março de 2011, do Conselho de Segurança, que decidiu sobre a “zona de interdição de voo” contra a Líbia, encontra-se violação gravíssima à Carta das Nações Unidas, bem como ao Direito Internacional geral.
A violação em questão é do Artigo 2, item 7, da Carta, que prescreve: “Nenhuma disposição do presente Estatuto autoriza as Nações Unidas a intervirem em questões que pertencem à competência interna de um Estado”. Indis­cutível que a “guerra civil”, de competência interna da Líbia, não é um fato de que o Conselho de Segurança possa se ocupar militarmente. Assim, estuda-se na doutrina jusinternacionalista; assim escuta-se nos discursos da ONU; assim depreende-se das inúmeras decisões da Corte Internacional de Justiça.
Se não bastasse isso, o Artigo 39 da Carta de São Francisco enuncia que o Conselho de Segurança poderá autorizar a utilização da força militar somente após se ter verificado a existência de ameaça internacional à paz, violação da paz ou ato de agressão (da parte de um Estado contra outro).
Eis uma segunda razão, absoluta, que torna, conforme a lição do eminente Professor da Universidade de Florença, Danilo Zolo, “criminoso o massacre de pessoas inocentes que os voluntaristas aliados europeus e os Estados Unidos fazem na Líbia”. Ora, não há qualquer sentido em servir-se – como é feito, em várias passagens, pela Resolução nº 1.973/11 – da dita “responsabilidade de proteger” (responsability to protect).
Trata-se [a “responsabilidade de proteger”] de instituto criado (!?!?!) pela muito contestada Resolução nº 1.674, a qual prevê que, em caso de violação grave e confirmada dos direitos humanos por parte de um Estado, o Conselho de Segurança – sustenta-se – poderá declarar que se trata de ameaça à paz e à segurança internacionais. E, assim, adotar todas as medidas militares que julgar oportunas!!
Desnecessário promover uma tese para argumentar que o Conselho de Segurança não é competente para dar origem a novas normas de Direito Internacional. E também é cristalino e de fácil entendimento que a “guerra civil” interna na Líbia não representava e não representa uma ameaça à paz e à segurança internacionais, como de resto cinco membros do Conselho de Segurança (Alemanha, Rússia, Índia, China e Brasil) sustentaram implicitamente, quando se recusaram a votar a favor da resolução!
Além disso, os mesmos membros do Conselho de Segurança lastimaram a agressão (no sentido estrito do Direito Internacional) que França, Grã-Bretanha e Estados Unidos desencadearam contra a população líbia, em nome da “vigilância sobre os direitos humanos”. Da mesma maneira que a Liga Árabe sustentou ser seu objetivo “salvar os civis e não matar outros”. Outras vias para solução pacífica desta controvérsia (interna) poderiam ter sido adotadas. Não ocorreu.
Até há pouco tempo, convenci-me de que os Estados Unidos haviam mudado, graças à chegada do Presidente Barack Obama ao poder. Todavia, a continuidade da guerra no Afeganistão, a aquiescência sobre o desastre do povo palestino, o pseudoencerramento de Guantánamo e, agora, os ataques à Líbia provam-me o contrário. Sem contar o encontro, em prol dos direitos humanos, de Kaddafi com Obama, na ONU, em 2009, ou a medalha recebida das mãos de Sarkozy. Sim! Tudo a propósito de direitos humanos!!
Não ocorreram mudanças no estratagema de hegemonia dos Estados Unidos e, no caso do povo líbio, a guerra não cessará enquanto Kaddafi não for feito prisioneiro ou morto (lembram-se de Saddam Hussein?). Fácil prever também que, finda a guerra, os Estados Unidos exercerão seu poder para controlar a Líbia, a pretexto de garantir a “democracia” naquele país. Enquanto isso, explora seus fartos recursos energéticos...
Eis a política do Direito Internacional atual. Costumeiro ou convencional, possui uma dualidade: suas regras às vezes são aplicadas, às vezes não. E o fato é que sua aplicação está condicionada a uma decisão de ordem política, e não jurídica. Como já afirmei outrora: commitas gentium (cortesia/interesse [econômico] internacional).

PESQUISADORES DEBATEM A EFETIVIDADE DO DIREITO INTERNACIONAL

Importante evento na área do Direito Internacional reuniu no Palácio do Itamaraty, em Brasília, pesquisadores das mais variadas instituições de ensino superior do País e do exterior, acadêmicos de Direito, autoridades da República e personalidades da sociedade civil. Ressalte-se a participação do UNICEUB como universidade sede do Congresso Brasileiro de Direito Internacional e, também, palco do Encontro, bem como de representantes da equipe editorial Consulex, que prestigiaram o evento a convite dos seus organizadores. Em sua nona edição, o Congresso foi permeado pelo ideal de muitas vidas na construção de uma identidade de pensar idealista, humanista e universalista, nas palavras do Professor Doutor Wagner Menezes, Coordenador-Geral, oportunidade em que se fez justa homenagem ao Jurista Antonio Paulo Cachapuz de Medeiros, o qual proferiu brilhante Conferência de Abertura.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Posição de Luis Roberto Barroso sobre vários assuntos...

Luís Roberto Barroso visita a redação de Migalhas
Recebemos nesta manhã o jurista Luís Roberto Barroso. Veja abaixo alguns dos tópicos que foram conversados.
  • Judicialização
  • Constituinte exclusiva para reforma política
  • Julgamentos no STF
  • Indicação de ministros para o STF
  • CNJ
  • Caso Battisti
_______________









Esta matéria foi colocada no ar originalmente em 13 de outubro de 2011.
ISSN 1983-392X

Relembrando o CASO BATTISTI de A a Z

O caso que será julgado pela 20ª vara Federal.
Clique aqui e veja a íntegra da ACP.
  • Processo : 54466-75.2011.4.01.3400
________________
  • 22/6/11 - Autorizada permanência de Battisti no Brasil - clique aqui.
  • 9/6/11 - STF concede liberdade a Cesare Battisti - clique aqui.
  • 17/5/11 - Ministro Gilmar Mendes mantém prisão de Cesare Battisti - clique aqui.
  • 14/5/11 - Advogados pedem ao STF liberação de Battisti e processo é distribuído para ministro errado – clique aqui.
  • 7/2/11 - Defesa de Battisti apresenta recurso contra a decisão que negou sua soltura - clique aqui.
  • 4/2/11 - Senado - Suplicy lê carta na qual Cesare Battisti diz que nunca matou ou feriu alguém - clique aqui.
  • 29/1/11 - Em carta à Itália, Dilma defende legitimidade de decisão pela permanência de Battisti no Brasil - clique aqui.
  • 19/1/11 - STF - Battisti poderá ser extraditado se decreto presidencial contrariar tratado - clique aqui.
  • 10/1/11 - Caso Battisti tem desdobramentos - clique aqui.
  • 7/1/11 - Advogado Luís Roberto Barroso acredita que negação de soltura a Battisti constitui uma espécie de golpe de Estado - clique aqui.
  • 7/1/11 - Presidente do STF rejeita petição para soltar Battisti e remete processo ao relator - clique aqui.
  • 5/1/11 - STF manda desarquivar processo de extradição de Cesare Battisti - clique aqui.
  • 4/1/11 - Jurista Dalmo de Abreu Dallari defende soltura de Battisti - clique aqui.
  • 4/1/11 - Cópia da petição apresentada pelos advogados de Battisti ao STF, solicitando a soltura do italiano - clique aqui.
  • 3/1/11 - Defesa de Battisti entra no STF com pedido de soltura do italiano - clique aqui.
  • 3/1/11 - Lula nega extradição de Cesare Battisti - clique aqui.
  • 7/12/10 - Advogado de Cesare Battisti esclarece acusações feitas em matéria publicada pela Revista Veja - clique aqui.
  • 5/5/10 - Supremo comunica MJ e MRE sobre decisão que manda extraditar Cesare Battisti - clique aqui.
  • 17/4/10 - Publicado acórdão do julgamento da extradição de Cesare Battisti - clique aqui.
  • 17/12/09 - Seção de notícias do site do STF informa : "Plenário retifica proclamação de resultado do caso Battisti e esclarece que presidente deve observar o tratado Brasil-Itália" - clique aqui.
  • 19/11/09 - STF autoriza extradição e diz que presidente da República decide sobre entrega de Battisti - clique aqui.
  • 18/11/09 - Defesa de Battisti apresenta último memorial sustentando que a competência final é do presidente - clique aqui.
  • 17/11/09 - Defesa de Battisti apresenta memorial sustentando que a decisão condenatória já foi prescrita - clique aqui.
  • 13/11/09 - Julgamento da extradição de Battisti é suspenso e será desempatado pelo ministro presidente - clique aqui.
  • 12/11/09 - Toffoli confirma que não participará do julgamento de Battisti - clique aqui.
  • 1/10/09 - Reflexões de Luís Roberto Barroso sobre o caso Cesare Battisti - clique aqui.
  • 24/9/09 - Parecer do professor Celso Antônio Bandeira de Mello sobre o caso Battisti - clique aqui.
  • 10/9/09 - Marco Aurélio pede vista e adia julgamento de extradição do italiano Cesare Battisti - clique aqui.
  • 9/9/09 - Relator do pedido de extradição de Battisti considera ilegal a concessão de refúgio ao italiano - clique aqui.
  • 8/9/09 - Suplicy lê carta de escritora francesa em defesa de Cesare Battisti - clique aqui.
  • 8/9/09 - Jurista e professor Paulo Bonavides em defesa ao refúgio concedido a Cesare Batistti - clique aqui.
  • 7/9/09 - STF julga extradição de Cesare Battisti e ações de parlamentares esta semana - clique aqui.
  • 13/8/09 - Tarso Genro: STF deve confirmar refúgio político a Battisti - clique aqui.
  • 12/5/09 - Confira o parecer dado pelo procurador-geral da República no Caso Battisti - clique aqui.
  • 8/5/09 - Luiz Viana Queiroz apresenta parecer sobre caso Battisti - clique aqui.
  • 8/5/09 - A pedido da Itália, ministro Calos Velloso apresenta parecer sobre Caso Battisti - clique aqui.
  • 7/5/09 - Luís Roberto Barroso apresentou três memoriais ao STF em defesa de Cesare Battisti - clique aqui.
  • 5/5/09 - Conselho Federal da OAB começa a discutir o caso Cesare Battisti - clique aqui.
  • 16/4/09 - José Afonso conclui que concessão de refúgio a Battisti é constitucional - clique aqui.
  • 15/4/09 - Luís Roberto Barroso assume caso Battisti - clique aqui.
  • 13/3/09 - Chega ao Supremo parecer da PGR pela manutenção da prisão de Battisti - clique aqui.
  • 6/3/09 - Comissão do Senado aprova convocação de Tarso para dar explicações sobre caso Battisti - clique aqui.
  • 27/2/09 - Senador Eduardo Suplicy lê no Supremo carta encaminhada por Battisti em que declara não ser culpado pelos homicídios - clique aqui.
  • 17/2/09 - Italianos dizem que caso Battisti não afetará relação com Brasil – clique aqui.
  • 10/2/09 - Itália questiona refúgio concedido a Battisti e entra com MS no STF contra ato de Tarso Genro - clique aqui.
  • 30/1/09 - Itália tem cinco dias para se manifestar sobre pedido de liberdade de Cesare Battisti - clique aqui.
  • 30/1/09 - Carta ao STF - Caso Battisti - clique aqui.
  • 27/1/09 - Itália chama embaixador no Brasil para consultas por causa de Caso Battisti – clique aqui.
  • 27/1/09 - Chega ao Supremo parecer da PGR na Extradição do italiano Cesare Battisti - clique aqui.
  • 25/1/09 - Governo da Itália quer ser ouvido sobre pedido de liberdade de Cesare Battisti - clique aqui.
  • 22/1/09 - MJ recebe documento com cerca de 90 assinaturas em apoio ao refúgio concedido ao italiano Cesare Battisti - clique aqui.
  • 17/1/09 - STF pede parecer do MP antes de julgar caso de Cesare Battisti - clique aqui.
  • 14/1/09 - Tarso Genro aprova refúgio do escritor italiano Cesare Battisti - clique aqui.
  • 3/4/08 - Cesare Battisti não cometeu crime político e deve ser extraditado, diz PGR - clique aqui.
  • 27/11/07 - Câmara Municipal de Ribeirão Preto externa solidariedade ao italiano Cesare Battisti em requerimento ao STF - clique aqui.
Leia mais - Artigos
  • 2/3/11 - O caso Cesare Battisti - clique aqui.
  • 24/1/11 - Caso Battisti: Fla-Flu jurídico interminável - clique aqui.
  • 20/1/11 - Battisti e o Direito brasileiro - clique aqui.
  • 17/1/11 - Caso Battisti: Eureka! Agora tudo tem lógica! - clique aqui.
  • 10/1/11 - O Brasil poderia ser levado à Corte da Haia como resultado do Caso Battisti? - clique aqui.
  • 6/1/11 - Crime Político - Almir Pazzianotto Pinto - clique aqui.
  • 9/10/09 - Sobre o caso Battisti - Daniella Buzaid Fleury – clique aqui.
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Japão vai contestar elevação de IPI para carro

DE SÃO PAULO
O Japão vai contestar a elevação de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para carros importados na OMC (Organização Mundial do Comércio) nesta sexta-feira, segundo o "Valor Econômico".
De acordo com o jornal, a ofensiva contra a medida para proteger a indústria nacional vai começar pelo Comitê de Acesso ao Mercado, que periodicamente examina novas barreiras comerciais.
Após alta do IPI, carros da Kia sobem até 14%; veja nova tabela
Vendas de carros de marcas sem fábrica no país dobram no ano
Estoque de veículos cai, mas ainda equivale a 36 dias de vendas
No dia 15 de setembro, o governo federal anunciou a elevação de 30 pontos percentuais nas alíquotas de IPI para veículos que tenham menos de 65% de conteúdo nacional. Antes, o tributo variava de 7% a 25% e, com a medida, passou para 37% a 55%.
As montadoras instaladas no país, vale lembrar, respondem por mais de 75% dos carros importados, mas apenas uma pequena parte desses veículos terá aumento de preço devido à elevação na alíquota do imposto.
Já a empresa importadora da coreana Kia Motors anunciou que foi "obrigada" a reajustar os preços de dez modelos que vende atualmente no Brasil por causa do aumento de IPI. O acréscimo médio foi de 8,41%, mas uma das versões do Picanto, por exemplo, subiu 14,33%, de R$ 34.900 para R$ 39.900.
ESTOQUES
Apesar da medida, os estoques de veículos ainda equivaliam a 36 dias de vendas em setembro, apenas um a menos do que o período registrado em agosto, de acordo com a Anfavea (associação das montadoras com fábrica no Brasil). O patamar alto foi um dos motivos que levou o governo federal a elevar a alíquota de IPI.
Com as férias coletivas concedidas pelas montadoras para tentar reduzir esse patamar, a produção de veículos montados em setembro no Brasil recuou 19,7% na comparação com o mês anterior e 6,2% ante igual período no ano passado.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Procuradoria questiona visto e pede deportação de Battisti

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DE SÃO PAULO
Atualizado às 15h59.
O Ministério Público Federal no Distrito Federal pede, em uma ação civil pública, a anulação da concessão do visto de permanência no Brasil ao italiano Cesare Battisti e a sua consequente deportação. O caso será julgado pela 20ª Vara Federal.
Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando militava no grupo de extrema-esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo). Ele nega as acusações e afirma sofrer perseguição política.
Governo concede visto de permanência a Cesare Battisti
A Procuradoria alega que o ato de concessão do visto ao italiano é ilegal e contraria "expressamente" o Estatuto do Estrangeiro --de acordo com a lei, é proibida a concessão de visto a estrangeiro condenado ou processado em outro país por crime doloso, passível de extradição segundo a lei brasileira.
Fernando Bizerra Jr. - 09.jun.2011/Efe
Procuradoria questiona visto e pede deportação de Cesare Battisti
Procuradoria questiona visto e pede deportação de Cesare Battisti
Segundo o procurador Hélio Heringer, ao analisar o processo de extradição de Battisti, o STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu que os delitos cometidos pelo italiano têm natureza comum, e não política. São, portanto, passíveis de extradição, segundo a Constituição brasileira.
Na mesma decisão, porém, o STF decidiu que cabe ao chefe do Poder Executivo, em ato político, a palavra final quanto à entrega do estrangeiro reclamado. No caso de Battisti, o ex-presidente Lula decidiu, no último dia de seu governo, pela não extradição do italiano.
Para Heringer, a decisão política do ex-presidente não muda a natureza dos crimes imputados a Battisti. "Tal competência é exclusiva do STF e foi exercida para declarar os crimes praticados como sujeitos à extradição. Desse modo, sendo os crimes dolosos e sujeitos à extradição segundo a lei brasileira, não há que ser concedido visto de estrangeiro a Cesare Battisti."
DEPORTAÇÃO
O procurador destacou que não se cogita a hipótese de entregar Battisti à Itália, país de sua nacionalidade, o que, indiretamente, violaria decisão do ex-presidente da República.
O Ministério Público defende, segundo o procurador, a deportação do italiano para o país de procedência --França ou México, onde Battisti viveu antes de mudar para o Brasil-- ou para outro país que concorde em recebê-lo.
OUTRO LADO
O advogado de Battisti, Luiz Eduardo Greenhalgh, afirmou à reportagem que ainda não foi informado sobre a ação, mas que, assim que for intimado, fará a contestação.
A defesa, no entanto, destacou que o visto de permanência no Brasil ao italiano é legal.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Por que a direita perdeu o Senado na França?

Patrick Roger
Em Paris
Le Monde

Embora os sucessos registrados nas eleições territoriais desde 2004 e os sucessivos progressos em renovações senatoriais anteriores pudessem alimentar a hipótese de uma vitória da esquerda, no domingo (25), no Palácio do Luxemburgo [sede do Senado], dá-la por certa teria sido bem arriscado. A conquista de 25 cadeiras adicionais ultrapassou as simples projeções eleitorais.
Não foi nos departamentos mais urbanos e povoados, elegendo seus senadores em votação proporcional, que a esquerda teve seu crescimento: sua progressão não foi além das expectativas que ela havia colocado ali, exceto somente pelos Hauts-de-Seine, onde ela se beneficiou com divisões dentro da direita para conseguir uma cadeira adicional que estava longe de certa.
Em outras partes, a direita conseguiu limitar os danos e até surpreender em Moselle, onde, embora esteja saindo dispersa, tomou uma cadeira do Partido Socialista. A estratégia, combinada ou forçada, de listas separadas, não foi tão prejudicial à direita quanto ela afirmava.
Foi nos departamentos mais rurais que a esquerda registrou conquistas às vezes inesperadas. Os primeiros resultados do primeiro turno mostraram um nítido enfraquecimento do desempenho dos candidatos da maioria, particularmente os da UMP. Ao passo que os candidatos cuja reeleição estava longe de estar garantida obtiveram um sucesso espetacular.
É, entre outros, o caso de Jean-Pierre Sueur, senador socialista, ex-prefeito de Orléans e ex-ministro, reeleito longo no primeiro turno no Loiret, departamento fortemente ancorado à direita, enquanto o presidente do conselho geral, Eric Doligé (UMP), teve de enfrentar um segundo turno. O mesmo aconteceu com a senadora (PS) em final de mandato Odette Herviaux em Morbihan, sendo que ela enfrentava o presidente do conselho geral, François Goulard (UMP).
Em uma configuração diferente, a senadora em final de mandato Jacqueline Gourault (MoDem), muito próxima de François Bayrou, também obteve logo no primeiro turno sua passagem de volta ao Senado, enquanto o presidente do conselho geral, Maurice Leroy (Novo Centro), ministro da Cidade no governo de François Fillon, foi derrotado. Tanto para Goulard quanto para Leroy, a sanção foi ainda amplificada no segundo turno, uma vez que foram derrotados. Em Morbihan, as três cadeiras voltaram para a esquerda.
Foram reviravoltas surpreendentes, perdas imprevistas da maioria, que também se puderam observar em Indre-et-Loire, no Loire, no Lot-et-Garonne ou nos Pirineus Orientais, mesmo que neste último caso haja dissensões internas no UMP. O último alerta grave foi a derrota em Lozère do senador Jacques Blanc (UMP), ex-presidente do conselho regional do Languedoc-Roussillon, eleito com quase 78% dos votos na renovação anterior.
Foram esses departamentos rurais que deram a vitória à esquerda. Tanto à direita quanto à esquerda, os especialistas examinaram esse fenômeno e o atribuem a um conjunto de razões. A principal, provavelmente, tem a ver com a evolução sociológica das populações urbanas, constatada há cerca de quinze anos, e consequentemente dos parlamentares rurais. A imagem do prefeito-agricultor tem se apagado por trás do novo perfil de um jovem aposentado, muitas vezes ex-funcionário público, que trabalhou na cidade e veio se instalar em setor periurbano. A constatação já havia sido feita após a renovação senatorial de 2008, e foi confirmada agora.
A direita também tem pago pelos efeitos da reforma territorial. O brusco reagrupamento de comunas, conduzido sob a autoridade dos governadores, suscitou o temor por uma volta da centralização administrativa e avivou as inquietudes sobre a autonomia financeira das coletividades. Os presidentes de conselhos gerais da maioria, que supostamente não conseguiram defender seus territórios, pagaram caro por isso.
Em um registro mais político, os candidatos às eleições senatoriais constataram que o anti-sarkozysmo das campanhas continua a progredir. O clima das relações internas contribuiu bastante para reavivá-lo. A condenação das coletividades territoriais, acusadas de serem dispendiosas e irresponsáveis, irritou muitos representantes locais. “Estamos sofrendo tudo de uma vez”, reconhece Jean-Claude Gaudin, presidente da bancada UMP no Senado, “uma crise econômica e financeira e uma crise política”.
Por fim, os holofotes voltados para a instituição senatorial durante os últimos dias de campanha, fazendo surgir a possibilidade de uma mudança, de certa maneira contribuíram para politizar o resultado da eleição.
Normalmente, os chamados representantes sem partido, mesmo quando têm tendência esquerdista, se livram facilmente das fronteiras partidárias contanto que tenham uma apreciação favorável sobre determinado candidato que não seja necessariamente de sua ideologia, sobretudo quando se trata de um senador em fim de mandato. O colégio eleitoral, desta vez, claramente se apropriou da questão política. E aquilo que não passava de uma hipótese incerta se confirmou nas urnas.
A transformação do Senado demonstra ao mesmo tempo a mudança sociológica das campanhas e a consequência dos erros metodológicos e psicológicos que alimentaram um sentimento crescente de rejeição ao poder executivo. O primeiro dever do “novo Senado” será tecer novos laços de confiança com as coletividades territoriais, cuja representação ele garante.
 

Lições latino-americanas da crise na Líbia (IRIS, 29/08/2011)

Leçons latino-américaines de la crise libyenne (IRIS, 29/08/2011) Jean-Jacques Kourliandsky, pesquisador no IRIS (Institut de Relations Internationales et Strategiques)

Lições latino-americanas da crise na Líbia (Paris, 29/08/2011)
Tradução : Embaixada do Brasil em Paris
A queda do regime de Muamar Gadafi deixou os latino-americanos em geral, os argentinos e os mexicanos em particular, sem voz. Aprovam? Condenam? São indiferentes aos direitos humanos e dos povos? Uma certeza, apesar de tudo: seus dirigentes não compartilharam o entusiasmo democrático que a França, o Reino Unido e os Estados Unidos demonstraram ao empregar a via militar. Alguns dirigentes, os do Brasil, do Equador e da Venezuela, expressaram isso de maneira mais ou menos evidente. Essa reserva e esse mau humor foram objeto do espanto ocidental e foram atribuídos ao passado ético militante de numerosas autoridades latino-americanas. Como a brasileira Dilma Rousseff, ex-prisioneira política torturada por uma ditadura militar; José “Pepe” Mujica, presidente uruguaio que passou longos anos na cadeia; Evo Morales, ativista boliviano das causas indígenas, Cristina Kirchner, peronista de esquerda, puderam apresentar reservas democráticas a uma operação aprovada pela ONU, executada em nome da liberdade contra um autocrata excêntrico, sem piedade com os seus opositores?

A resposta não é óbvia. Colocada em termos de universalidade ética, justifica de fato surpresa, arrependimentos e críticas. Mas essa será mesmo a verdadeira pergunta? A pergunta posta nesses termos é pertinente? O rolo compressor do pensamento único, fabricado no Ocidente e difundido por uma série impressionante de mídias e de laboratórios de idéias, provoca cada vez mais cegueira crítica, incapacidade de ouvir e entender outras visões do mundo. A democracia, lembra Amartya Sen, indiano que recebeu o prêmio Nobel de economia, é o bem mais compartilhado (1). A tal ponto, aliás, que cada um deles, ao sul dos meridianos de Londres, Paris e Washington, sente-se no direito de propor sua leitura e um “manual de instruções” próprio. Atualmente, as grandes democracias da América Latina querem ter sua voz ouvida e dividir com as democracias mais antigas um direito de fiscalização e de decisão nos assuntos do planeta. Em resumo, no que diz respeito à Líbia, Argentina, Brasil, México e seus vizinhos condenaram a repressão da população pelo regime. Mas a maior parte rejeitou a pretensão de alguns países, membros de uma organização militar herdada da Guerra Fria, a OTAN, de querer sozinhos ditar a lei e impô-la com suas armas.

Equador, Nicarágua e Venezuela condenaram o recurso à pretendida guerra justa, entendida do seu ponto de vista como neocolonial. A Nicarágua indicou que receberia Muamar Gadafi, se este pedisse. O Brasil, emergente, ao se abster, deixou passar a resolução 1973 do Conselho de Segurança no dia 17 de março de 2011, em nome da responsabilidade de proteger os civis, novo direito adotado pelas Nações Unidas em 2005. Antonio Patriota, seu Ministro das Relações Exteriores, tinha justificado frente aos parlamentares brasileiros o sinal amarelo dado aos Estados Unidos, à França e ao Reino Unido. Como o roteiro inicial não foi respeitado, o Brasil e outros países manifestaram uma crescente irritação. Com o grupo IBAS (2), ou seja, com Índia e África do Sul, multiplicaram-se as iniciativas diplomáticas visando a colocar de novo a intervenção militar nos trilhos da resolução. A queda do regime líbio foi admitida de maneira realista como um fato consumado. O Brasil contatou os rebeldes. Mas não reconheceu como legítimo o CNT, o Conselho Nacional de Transição. Ele espera a constituição de um governo de coalizão. Está aguardando o dia 21 de setembro e a decisão do Comitê das Cartas Credenciais das Nações Unidas.

De imediato, as lições da crise líbia e o desrespeito da OTAN e da França à resolução 1973 têm uma incidência sobre a gestão a respeito da situação na Síria. O grupo IBAS foi a Damasco para defender uma democratização sem interferências externas. A paz não tem nada a ver com operações militares, declarou o Ministro das Relações Exteriores. O Brasil  mantém contato com todos os excluídos da crise líbia, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a China, a Índia, a Rússia, a África do Sul, a Liga Árabe, o Benin e também seus vizinhos do Mercosul para estudar as convergências e inventar, como em 2003 na OMC, um modo coletivo de gestão das crises internacionais. A democracia, sim, dizem os membros do grupo IBAS. O Brasil, lembrou Antonio Patriota, “apóia as aspirações à liberdade e à democracia” dos povos líbios e sírios. Acrescentou que “o Brasil, porém, considera que intervenções militares e democracia são incompatíveis”. Patriota julga que a comunidade internacional tem uma responsabilidade que não poderia limitar-se à sua parte “ocidental”.
Essa necessidade de acordo colegiado, pelo jeito, não é compreendida ou aceita pelas potências democráticas instaladas. Apesar de ter assinado um pacto estratégico com o Brasil em dezembro de 2008, a França gravita hoje cada vez mais longe desse país. Os atritos se multiplicam no comércio, na economia e na diplomacia. São ainda mais ásperos na medida em que a posição econômica de uns e outros evolui. A Europa e os Estados Unidos estão em crise e endividados. Os emergentes, no entanto, se desenvolvem, crescem e acumulam divisas. A Venezuela decidiu reinvestir suas reservas em euros e em dólares na China e na Rússia. O Brasil, contando com seus avanços econômicos e sociais, ergue-se como modelo e reivindica os dividendos diplomáticos. Definirá o perímetro da sua defesa em um Livro Branco que está sendo elaborado. Mantém com a Argentina uma cooperação nuclear, civil, cujos objetivos foram relembrados no 18 de julho de 2011 (3). Em 2010, com a Turquia, chamou a atenção do Ocidente em relação ao Irã. Prossegue suas iniciativas diplomáticas refundadoras com os BRIC e IBAS nos casos da Líbia e da Síria. As revoluções árabes, na sua diversidade, definem um Magreb e um Machrek novos. Mas a ruptura geopolítica poderia ir muito mais além e abranger as Nações Unidas. Obviamente, o Brasil e os emergentes desejam, no Irã, na Líbia e na Síria, construir os alicerces de um mundo organizado de maneira multilateral.

A América Latina pode ser qualificada de Extremo Ocidente (4). Este extremo, que por vezes é esquecido de Paris a Washington, foi ocidentalizado à força, seja ela espanhola, portuguesa, francesa ou norte americana. Isso predispõe à crítica das armas e à busca de garantias. “From the halls of Montezuma to the shores of Tripoli” (“Dos salões de Montezuma à costa de Trípoli”), cantam numa música de “cancã francês” as tropas dos fuzileiros navais  dos Estados Unidos desde 1879. Este hino marcial acompanha a partir desta data as intervenções militares de Washington. Foi escutado atentamente no seu contexto, do México até a Líbia. Hoje,  encontra-se diluído no turbilhão dos produtos musicais cada vez mais audíveis fabricados em Bollywood e no Sambódromo do Rio.

(1) Amartya Sen, La démocratie des autres, pourquoi la démocratie n’est pas une invention de l’Occident Paris, Payot, 2005. (A democracia dos outros, por que a democracia não é uma invenção do Ocidente).
(2) IBAS= Índia, Brasil, África do Sul, grupo constituído em 2003 na véspera da Conferência da OMC organizada em Cancun, México.
(3) Declaração dos Ministros das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota e Héctor Timerman
(4) Alain Rouquié, Extremo Ocidente : Introdução à América latina, Edusp, 1991.

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original em francês
La chute du régime libyen de Mouammar Kadhafi a laissé les Latino-américains en général, les Argentins et les Mexicains en particulier, sans voix. Approuvent-ils ? Condamnent-ils ? Sont-ils indifférents aux droits de l’homme et des peuples ? Une certitude malgré tout, leurs dirigeants n’ont pas partagé l’enthousiasme démocratique affiché manu militari par ceux de la France, du Royaume Uni et des Etats-Unis. Certains, ceux du Brésil, d’Equateur, et du Venezuela, l’ont dit à voix plus ou moins haute. Cette discrétion et cette mauvaise humeur ont fait l’objet d’un étonnement occidental, peiné, justifié par le passé éthique militant de nombreux responsables latino-américains. Comment la brésilienne Dilma Rousseff, ancienne prisonnière politique torturée par une dictature militaire, José « Pepe » Mujica, président uruguayen qui a passé de longues années en prison, Evo Morales, activiste bolivien des libertés indiennes, Cristina Kirchner, péroniste de gauche, ont-ils pu rester en réserve démocratique d’une opération bénéficiant du label onusien menée au nom des libertés contre un autocrate fantasque, sans pitié à l’égard de ceux qui lui résistent ?

La réponse n’est pas évidente. Posée en termes d’universalité éthique, elle justifie en effet surprise, regrets et critiques. Mais la réelle question est-elle vraiment celle-là ? En d’autres termes, est-il pertinent de la poser ainsi ? Le rouleau compresseur de la pensée unique fabriquée en Occident et diffusée par un éventail impressionnant de médias et de laboratoires d’idées provoque de plus en plus souvent un aveuglement critique, une incapacité à écouter et à comprendre d’autres partitions du monde. La démocratie, rappelle Amartya Sen, prix Nobel indien d’économie, est la chose la mieux partagée (1). Au point d’ailleurs que tout un chacun, au sud des méridiens de Londres, Paris et Washington, se sent le droit d’en proposer une lecture et un mode d’emploi particuliers. Les grandes démocraties d’Amérique latine entendent aujourd’hui dire leur mot, et partager avec les démocraties plus anciennes un droit de regard et de décision sur les affaires du globe. En clair, concernant la Libye, Argentine, Brésil, Mexique et leurs voisins ont condamné la répression des populations par le régime. Mais la plupart ont également rejeté la prétention de quelques pays, membres d’une organisation militaire héritée de la guerre froide, l’OTAN, à vouloir seuls dire le droit et à l’imposer avec leurs armes.

Equateur, Nicaragua, Venezuela, ont condamné le recours à la prétendue guerre juste, perçue de leur point de vue comme néocoloniale. Le Nicaragua a signalé qu’il accueillerait Mouammar Kadhafi, si ce dernier en faisait la demande. Le Brésil, émergent local, en s’abstenant, a laissé filer la résolution 1973 du Conseil de sécurité le 17 mars 2011, au nom de la protection des civils, droit nouveau adopté par les Nations unies en 2005. Antonio Patriota, son ministre des Affaires étrangères, avait justifié devant les parlementaires de son pays le feu orange ainsi accordé aux Etats-Unis, à la France et à la Grande Bretagne. Le scénario initial n’ayant pas été respecté, le Brésil et d’autres pays ont manifesté un agacement croissant. Avec le groupe IBAS (2), soit avec l’Inde et l’Afrique du Sud, il a multiplié les initiatives diplomatiques visant à remettre l’intervention militaire sur les rails de la résolution. La chute du régime libyen a été de façon réaliste admise comme un fait accompli. Le Brésil a pris contact avec l’opposition. Mais il n’a pas pour autant reconnu comme légitime le CNT, le Conseil national de transition. Il espère la constitution d’un gouvernement de coalition. Il attend le 21 septembre et la décision qu’adoptera le Comité des lettres de créance des Nations unies.

D’ores et déjà, les leçons de la crise libyenne, le non respect par l’OTAN et la France de la résolution 1973, ont une incidence sur la gestion du dossier syrien. Le groupe IBAS a visité Damas, pour défendre une démocratisation sans interférences extérieures. La paix n’a rien à faire avec les opérations militaires, a déclaré le ministre brésilien des Affaires étrangères. Le Brésil se concerte tous azimuts avec les exclus de la crise libyenne, l’ASEAN, la Chine, l’Inde, la Russie, l’Afrique du Sud, la Ligue arabe, le Bénin, et avec ses voisins du Mercosul pour explorer les convergences et inventer comme en 2003 à l’OMC, un mode collectif de gestion des crises internationales. La démocratie oui, disent les membres du groupe IBAS. « Le Brésil, a rappelé Antonio Patriota, soutient les aspirations à la liberté et à la démocratie » des peuples libyen et syrien. « Mais le Brésil, a-t-il ajouté, considère qu’interventions militaires et démocratie sont incompatibles ». Il estime que la communauté internationale a une responsabilité qui ne saurait se limiter à sa partie « occidentale ».

Cette exigence de collégialité n’est de toute évidence pas comprise, ou acceptée, par les puissances démocratiques installées. Bien qu’ayant signé un pacte stratégique avec le Brésil en décembre 2008, la France gravite aujourd’hui de plus en plus loin du Brésil. Les frottements se multiplient, dans le commerce, l’économie, comme la diplomatie. Ils sont d’autant plus rugueux que la position économique respective des uns et des autres évolue. L’Europe et les Etats-Unis sont en crise et endettés. Les émergents en revanche poussent, croissent et accumulent les devises. Le Venezuela a décidé de redéployer ses réserves en euros et en dollars en Chine et en Russie. Le Brésil, fort de ses avancées économiques et sociales, se pose en modèle et en revendique les dividendes diplomatiques. Il définit le périmètre de sa défense dans un Livre Blanc en cours d’élaboration. Il poursuit avec l’Argentine une coopération nucléaire, civile, dont les objectifs ont été rappelés le 18 juillet 2011 (3). Il a, en 2010, secoué le cocotier occidental avec la Turquie concernant l’Iran. Il poursuit sa démarche diplomatique refondatrice avec les BRIC et l’IBAS à propos de la Libye et de la Syrie. Les révolutions arabes, dans leur diversité, définissent un Maghreb et un Machrek nouveaux. Mais la rupture géopolitique pourrait aller bien au-delà et concerner les Nations unies. Le Brésil et les émergents, de toute évidence, entendent poser, d’Iran en Libye et à la Syrie, les fondations d’un monde géré de façon multilatérale.

L’Amérique latine a pu être qualifiée d’Extrême occident (4). Cet extrême, ce que l’on oublie parfois de Paris à Washington, a été occidentalisé par la force, qu’elle soit espagnole, portugaise, française ou nord- américaine. Cela prédispose à la critique des armes et à la quête de garanties. « From the halls of Montezuma to the shores of Tripoli » (« Des salons de Montezuma aux côtes de Tripoli »), chantent sur un air de cancan les troupes de marine des Etats-Unis depuis 1879. Cet hymne martial accompagne depuis cette date les interventions militaires de Washington. Il a été écouté d’une oreille attentive dans son contexte, du Mexique à la Libye. Il est aujourd’hui brouillé par les contre mesures musicales de plus en plus audibles fabriquées à Bollywood et au Sambodrome de Rio.

(1) Amartya Sen, La démocratie des autres, pourquoi la démocratie n’est pas une invention de l’Occident, Paris, payot, 2005
(2) IBAS= Inde, Brésil, Afrique du sud, groupe constitué en 2003 à la veille de la conférence de l’OMC organisée à Cancún, Mexique
(3) Déclaration des ministres des affaires étrangères, Antonio de Aguiar Patriota et Héctor Timerman
(4) Alain Rouquié, Introduction à l’extrême occident, Paris, Seuil, Points, 1998