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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Por que a direita perdeu o Senado na França?

Patrick Roger
Em Paris
Le Monde

Embora os sucessos registrados nas eleições territoriais desde 2004 e os sucessivos progressos em renovações senatoriais anteriores pudessem alimentar a hipótese de uma vitória da esquerda, no domingo (25), no Palácio do Luxemburgo [sede do Senado], dá-la por certa teria sido bem arriscado. A conquista de 25 cadeiras adicionais ultrapassou as simples projeções eleitorais.
Não foi nos departamentos mais urbanos e povoados, elegendo seus senadores em votação proporcional, que a esquerda teve seu crescimento: sua progressão não foi além das expectativas que ela havia colocado ali, exceto somente pelos Hauts-de-Seine, onde ela se beneficiou com divisões dentro da direita para conseguir uma cadeira adicional que estava longe de certa.
Em outras partes, a direita conseguiu limitar os danos e até surpreender em Moselle, onde, embora esteja saindo dispersa, tomou uma cadeira do Partido Socialista. A estratégia, combinada ou forçada, de listas separadas, não foi tão prejudicial à direita quanto ela afirmava.
Foi nos departamentos mais rurais que a esquerda registrou conquistas às vezes inesperadas. Os primeiros resultados do primeiro turno mostraram um nítido enfraquecimento do desempenho dos candidatos da maioria, particularmente os da UMP. Ao passo que os candidatos cuja reeleição estava longe de estar garantida obtiveram um sucesso espetacular.
É, entre outros, o caso de Jean-Pierre Sueur, senador socialista, ex-prefeito de Orléans e ex-ministro, reeleito longo no primeiro turno no Loiret, departamento fortemente ancorado à direita, enquanto o presidente do conselho geral, Eric Doligé (UMP), teve de enfrentar um segundo turno. O mesmo aconteceu com a senadora (PS) em final de mandato Odette Herviaux em Morbihan, sendo que ela enfrentava o presidente do conselho geral, François Goulard (UMP).
Em uma configuração diferente, a senadora em final de mandato Jacqueline Gourault (MoDem), muito próxima de François Bayrou, também obteve logo no primeiro turno sua passagem de volta ao Senado, enquanto o presidente do conselho geral, Maurice Leroy (Novo Centro), ministro da Cidade no governo de François Fillon, foi derrotado. Tanto para Goulard quanto para Leroy, a sanção foi ainda amplificada no segundo turno, uma vez que foram derrotados. Em Morbihan, as três cadeiras voltaram para a esquerda.
Foram reviravoltas surpreendentes, perdas imprevistas da maioria, que também se puderam observar em Indre-et-Loire, no Loire, no Lot-et-Garonne ou nos Pirineus Orientais, mesmo que neste último caso haja dissensões internas no UMP. O último alerta grave foi a derrota em Lozère do senador Jacques Blanc (UMP), ex-presidente do conselho regional do Languedoc-Roussillon, eleito com quase 78% dos votos na renovação anterior.
Foram esses departamentos rurais que deram a vitória à esquerda. Tanto à direita quanto à esquerda, os especialistas examinaram esse fenômeno e o atribuem a um conjunto de razões. A principal, provavelmente, tem a ver com a evolução sociológica das populações urbanas, constatada há cerca de quinze anos, e consequentemente dos parlamentares rurais. A imagem do prefeito-agricultor tem se apagado por trás do novo perfil de um jovem aposentado, muitas vezes ex-funcionário público, que trabalhou na cidade e veio se instalar em setor periurbano. A constatação já havia sido feita após a renovação senatorial de 2008, e foi confirmada agora.
A direita também tem pago pelos efeitos da reforma territorial. O brusco reagrupamento de comunas, conduzido sob a autoridade dos governadores, suscitou o temor por uma volta da centralização administrativa e avivou as inquietudes sobre a autonomia financeira das coletividades. Os presidentes de conselhos gerais da maioria, que supostamente não conseguiram defender seus territórios, pagaram caro por isso.
Em um registro mais político, os candidatos às eleições senatoriais constataram que o anti-sarkozysmo das campanhas continua a progredir. O clima das relações internas contribuiu bastante para reavivá-lo. A condenação das coletividades territoriais, acusadas de serem dispendiosas e irresponsáveis, irritou muitos representantes locais. “Estamos sofrendo tudo de uma vez”, reconhece Jean-Claude Gaudin, presidente da bancada UMP no Senado, “uma crise econômica e financeira e uma crise política”.
Por fim, os holofotes voltados para a instituição senatorial durante os últimos dias de campanha, fazendo surgir a possibilidade de uma mudança, de certa maneira contribuíram para politizar o resultado da eleição.
Normalmente, os chamados representantes sem partido, mesmo quando têm tendência esquerdista, se livram facilmente das fronteiras partidárias contanto que tenham uma apreciação favorável sobre determinado candidato que não seja necessariamente de sua ideologia, sobretudo quando se trata de um senador em fim de mandato. O colégio eleitoral, desta vez, claramente se apropriou da questão política. E aquilo que não passava de uma hipótese incerta se confirmou nas urnas.
A transformação do Senado demonstra ao mesmo tempo a mudança sociológica das campanhas e a consequência dos erros metodológicos e psicológicos que alimentaram um sentimento crescente de rejeição ao poder executivo. O primeiro dever do “novo Senado” será tecer novos laços de confiança com as coletividades territoriais, cuja representação ele garante.
 

Lições latino-americanas da crise na Líbia (IRIS, 29/08/2011)

Leçons latino-américaines de la crise libyenne (IRIS, 29/08/2011) Jean-Jacques Kourliandsky, pesquisador no IRIS (Institut de Relations Internationales et Strategiques)

Lições latino-americanas da crise na Líbia (Paris, 29/08/2011)
Tradução : Embaixada do Brasil em Paris
A queda do regime de Muamar Gadafi deixou os latino-americanos em geral, os argentinos e os mexicanos em particular, sem voz. Aprovam? Condenam? São indiferentes aos direitos humanos e dos povos? Uma certeza, apesar de tudo: seus dirigentes não compartilharam o entusiasmo democrático que a França, o Reino Unido e os Estados Unidos demonstraram ao empregar a via militar. Alguns dirigentes, os do Brasil, do Equador e da Venezuela, expressaram isso de maneira mais ou menos evidente. Essa reserva e esse mau humor foram objeto do espanto ocidental e foram atribuídos ao passado ético militante de numerosas autoridades latino-americanas. Como a brasileira Dilma Rousseff, ex-prisioneira política torturada por uma ditadura militar; José “Pepe” Mujica, presidente uruguaio que passou longos anos na cadeia; Evo Morales, ativista boliviano das causas indígenas, Cristina Kirchner, peronista de esquerda, puderam apresentar reservas democráticas a uma operação aprovada pela ONU, executada em nome da liberdade contra um autocrata excêntrico, sem piedade com os seus opositores?

A resposta não é óbvia. Colocada em termos de universalidade ética, justifica de fato surpresa, arrependimentos e críticas. Mas essa será mesmo a verdadeira pergunta? A pergunta posta nesses termos é pertinente? O rolo compressor do pensamento único, fabricado no Ocidente e difundido por uma série impressionante de mídias e de laboratórios de idéias, provoca cada vez mais cegueira crítica, incapacidade de ouvir e entender outras visões do mundo. A democracia, lembra Amartya Sen, indiano que recebeu o prêmio Nobel de economia, é o bem mais compartilhado (1). A tal ponto, aliás, que cada um deles, ao sul dos meridianos de Londres, Paris e Washington, sente-se no direito de propor sua leitura e um “manual de instruções” próprio. Atualmente, as grandes democracias da América Latina querem ter sua voz ouvida e dividir com as democracias mais antigas um direito de fiscalização e de decisão nos assuntos do planeta. Em resumo, no que diz respeito à Líbia, Argentina, Brasil, México e seus vizinhos condenaram a repressão da população pelo regime. Mas a maior parte rejeitou a pretensão de alguns países, membros de uma organização militar herdada da Guerra Fria, a OTAN, de querer sozinhos ditar a lei e impô-la com suas armas.

Equador, Nicarágua e Venezuela condenaram o recurso à pretendida guerra justa, entendida do seu ponto de vista como neocolonial. A Nicarágua indicou que receberia Muamar Gadafi, se este pedisse. O Brasil, emergente, ao se abster, deixou passar a resolução 1973 do Conselho de Segurança no dia 17 de março de 2011, em nome da responsabilidade de proteger os civis, novo direito adotado pelas Nações Unidas em 2005. Antonio Patriota, seu Ministro das Relações Exteriores, tinha justificado frente aos parlamentares brasileiros o sinal amarelo dado aos Estados Unidos, à França e ao Reino Unido. Como o roteiro inicial não foi respeitado, o Brasil e outros países manifestaram uma crescente irritação. Com o grupo IBAS (2), ou seja, com Índia e África do Sul, multiplicaram-se as iniciativas diplomáticas visando a colocar de novo a intervenção militar nos trilhos da resolução. A queda do regime líbio foi admitida de maneira realista como um fato consumado. O Brasil contatou os rebeldes. Mas não reconheceu como legítimo o CNT, o Conselho Nacional de Transição. Ele espera a constituição de um governo de coalizão. Está aguardando o dia 21 de setembro e a decisão do Comitê das Cartas Credenciais das Nações Unidas.

De imediato, as lições da crise líbia e o desrespeito da OTAN e da França à resolução 1973 têm uma incidência sobre a gestão a respeito da situação na Síria. O grupo IBAS foi a Damasco para defender uma democratização sem interferências externas. A paz não tem nada a ver com operações militares, declarou o Ministro das Relações Exteriores. O Brasil  mantém contato com todos os excluídos da crise líbia, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a China, a Índia, a Rússia, a África do Sul, a Liga Árabe, o Benin e também seus vizinhos do Mercosul para estudar as convergências e inventar, como em 2003 na OMC, um modo coletivo de gestão das crises internacionais. A democracia, sim, dizem os membros do grupo IBAS. O Brasil, lembrou Antonio Patriota, “apóia as aspirações à liberdade e à democracia” dos povos líbios e sírios. Acrescentou que “o Brasil, porém, considera que intervenções militares e democracia são incompatíveis”. Patriota julga que a comunidade internacional tem uma responsabilidade que não poderia limitar-se à sua parte “ocidental”.
Essa necessidade de acordo colegiado, pelo jeito, não é compreendida ou aceita pelas potências democráticas instaladas. Apesar de ter assinado um pacto estratégico com o Brasil em dezembro de 2008, a França gravita hoje cada vez mais longe desse país. Os atritos se multiplicam no comércio, na economia e na diplomacia. São ainda mais ásperos na medida em que a posição econômica de uns e outros evolui. A Europa e os Estados Unidos estão em crise e endividados. Os emergentes, no entanto, se desenvolvem, crescem e acumulam divisas. A Venezuela decidiu reinvestir suas reservas em euros e em dólares na China e na Rússia. O Brasil, contando com seus avanços econômicos e sociais, ergue-se como modelo e reivindica os dividendos diplomáticos. Definirá o perímetro da sua defesa em um Livro Branco que está sendo elaborado. Mantém com a Argentina uma cooperação nuclear, civil, cujos objetivos foram relembrados no 18 de julho de 2011 (3). Em 2010, com a Turquia, chamou a atenção do Ocidente em relação ao Irã. Prossegue suas iniciativas diplomáticas refundadoras com os BRIC e IBAS nos casos da Líbia e da Síria. As revoluções árabes, na sua diversidade, definem um Magreb e um Machrek novos. Mas a ruptura geopolítica poderia ir muito mais além e abranger as Nações Unidas. Obviamente, o Brasil e os emergentes desejam, no Irã, na Líbia e na Síria, construir os alicerces de um mundo organizado de maneira multilateral.

A América Latina pode ser qualificada de Extremo Ocidente (4). Este extremo, que por vezes é esquecido de Paris a Washington, foi ocidentalizado à força, seja ela espanhola, portuguesa, francesa ou norte americana. Isso predispõe à crítica das armas e à busca de garantias. “From the halls of Montezuma to the shores of Tripoli” (“Dos salões de Montezuma à costa de Trípoli”), cantam numa música de “cancã francês” as tropas dos fuzileiros navais  dos Estados Unidos desde 1879. Este hino marcial acompanha a partir desta data as intervenções militares de Washington. Foi escutado atentamente no seu contexto, do México até a Líbia. Hoje,  encontra-se diluído no turbilhão dos produtos musicais cada vez mais audíveis fabricados em Bollywood e no Sambódromo do Rio.

(1) Amartya Sen, La démocratie des autres, pourquoi la démocratie n’est pas une invention de l’Occident Paris, Payot, 2005. (A democracia dos outros, por que a democracia não é uma invenção do Ocidente).
(2) IBAS= Índia, Brasil, África do Sul, grupo constituído em 2003 na véspera da Conferência da OMC organizada em Cancun, México.
(3) Declaração dos Ministros das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota e Héctor Timerman
(4) Alain Rouquié, Extremo Ocidente : Introdução à América latina, Edusp, 1991.

****
original em francês
La chute du régime libyen de Mouammar Kadhafi a laissé les Latino-américains en général, les Argentins et les Mexicains en particulier, sans voix. Approuvent-ils ? Condamnent-ils ? Sont-ils indifférents aux droits de l’homme et des peuples ? Une certitude malgré tout, leurs dirigeants n’ont pas partagé l’enthousiasme démocratique affiché manu militari par ceux de la France, du Royaume Uni et des Etats-Unis. Certains, ceux du Brésil, d’Equateur, et du Venezuela, l’ont dit à voix plus ou moins haute. Cette discrétion et cette mauvaise humeur ont fait l’objet d’un étonnement occidental, peiné, justifié par le passé éthique militant de nombreux responsables latino-américains. Comment la brésilienne Dilma Rousseff, ancienne prisonnière politique torturée par une dictature militaire, José « Pepe » Mujica, président uruguayen qui a passé de longues années en prison, Evo Morales, activiste bolivien des libertés indiennes, Cristina Kirchner, péroniste de gauche, ont-ils pu rester en réserve démocratique d’une opération bénéficiant du label onusien menée au nom des libertés contre un autocrate fantasque, sans pitié à l’égard de ceux qui lui résistent ?

La réponse n’est pas évidente. Posée en termes d’universalité éthique, elle justifie en effet surprise, regrets et critiques. Mais la réelle question est-elle vraiment celle-là ? En d’autres termes, est-il pertinent de la poser ainsi ? Le rouleau compresseur de la pensée unique fabriquée en Occident et diffusée par un éventail impressionnant de médias et de laboratoires d’idées provoque de plus en plus souvent un aveuglement critique, une incapacité à écouter et à comprendre d’autres partitions du monde. La démocratie, rappelle Amartya Sen, prix Nobel indien d’économie, est la chose la mieux partagée (1). Au point d’ailleurs que tout un chacun, au sud des méridiens de Londres, Paris et Washington, se sent le droit d’en proposer une lecture et un mode d’emploi particuliers. Les grandes démocraties d’Amérique latine entendent aujourd’hui dire leur mot, et partager avec les démocraties plus anciennes un droit de regard et de décision sur les affaires du globe. En clair, concernant la Libye, Argentine, Brésil, Mexique et leurs voisins ont condamné la répression des populations par le régime. Mais la plupart ont également rejeté la prétention de quelques pays, membres d’une organisation militaire héritée de la guerre froide, l’OTAN, à vouloir seuls dire le droit et à l’imposer avec leurs armes.

Equateur, Nicaragua, Venezuela, ont condamné le recours à la prétendue guerre juste, perçue de leur point de vue comme néocoloniale. Le Nicaragua a signalé qu’il accueillerait Mouammar Kadhafi, si ce dernier en faisait la demande. Le Brésil, émergent local, en s’abstenant, a laissé filer la résolution 1973 du Conseil de sécurité le 17 mars 2011, au nom de la protection des civils, droit nouveau adopté par les Nations unies en 2005. Antonio Patriota, son ministre des Affaires étrangères, avait justifié devant les parlementaires de son pays le feu orange ainsi accordé aux Etats-Unis, à la France et à la Grande Bretagne. Le scénario initial n’ayant pas été respecté, le Brésil et d’autres pays ont manifesté un agacement croissant. Avec le groupe IBAS (2), soit avec l’Inde et l’Afrique du Sud, il a multiplié les initiatives diplomatiques visant à remettre l’intervention militaire sur les rails de la résolution. La chute du régime libyen a été de façon réaliste admise comme un fait accompli. Le Brésil a pris contact avec l’opposition. Mais il n’a pas pour autant reconnu comme légitime le CNT, le Conseil national de transition. Il espère la constitution d’un gouvernement de coalition. Il attend le 21 septembre et la décision qu’adoptera le Comité des lettres de créance des Nations unies.

D’ores et déjà, les leçons de la crise libyenne, le non respect par l’OTAN et la France de la résolution 1973, ont une incidence sur la gestion du dossier syrien. Le groupe IBAS a visité Damas, pour défendre une démocratisation sans interférences extérieures. La paix n’a rien à faire avec les opérations militaires, a déclaré le ministre brésilien des Affaires étrangères. Le Brésil se concerte tous azimuts avec les exclus de la crise libyenne, l’ASEAN, la Chine, l’Inde, la Russie, l’Afrique du Sud, la Ligue arabe, le Bénin, et avec ses voisins du Mercosul pour explorer les convergences et inventer comme en 2003 à l’OMC, un mode collectif de gestion des crises internationales. La démocratie oui, disent les membres du groupe IBAS. « Le Brésil, a rappelé Antonio Patriota, soutient les aspirations à la liberté et à la démocratie » des peuples libyen et syrien. « Mais le Brésil, a-t-il ajouté, considère qu’interventions militaires et démocratie sont incompatibles ». Il estime que la communauté internationale a une responsabilité qui ne saurait se limiter à sa partie « occidentale ».

Cette exigence de collégialité n’est de toute évidence pas comprise, ou acceptée, par les puissances démocratiques installées. Bien qu’ayant signé un pacte stratégique avec le Brésil en décembre 2008, la France gravite aujourd’hui de plus en plus loin du Brésil. Les frottements se multiplient, dans le commerce, l’économie, comme la diplomatie. Ils sont d’autant plus rugueux que la position économique respective des uns et des autres évolue. L’Europe et les Etats-Unis sont en crise et endettés. Les émergents en revanche poussent, croissent et accumulent les devises. Le Venezuela a décidé de redéployer ses réserves en euros et en dollars en Chine et en Russie. Le Brésil, fort de ses avancées économiques et sociales, se pose en modèle et en revendique les dividendes diplomatiques. Il définit le périmètre de sa défense dans un Livre Blanc en cours d’élaboration. Il poursuit avec l’Argentine une coopération nucléaire, civile, dont les objectifs ont été rappelés le 18 juillet 2011 (3). Il a, en 2010, secoué le cocotier occidental avec la Turquie concernant l’Iran. Il poursuit sa démarche diplomatique refondatrice avec les BRIC et l’IBAS à propos de la Libye et de la Syrie. Les révolutions arabes, dans leur diversité, définissent un Maghreb et un Machrek nouveaux. Mais la rupture géopolitique pourrait aller bien au-delà et concerner les Nations unies. Le Brésil et les émergents, de toute évidence, entendent poser, d’Iran en Libye et à la Syrie, les fondations d’un monde géré de façon multilatérale.

L’Amérique latine a pu être qualifiée d’Extrême occident (4). Cet extrême, ce que l’on oublie parfois de Paris à Washington, a été occidentalisé par la force, qu’elle soit espagnole, portugaise, française ou nord- américaine. Cela prédispose à la critique des armes et à la quête de garanties. « From the halls of Montezuma to the shores of Tripoli » (« Des salons de Montezuma aux côtes de Tripoli »), chantent sur un air de cancan les troupes de marine des Etats-Unis depuis 1879. Cet hymne martial accompagne depuis cette date les interventions militaires de Washington. Il a été écouté d’une oreille attentive dans son contexte, du Mexique à la Libye. Il est aujourd’hui brouillé par les contre mesures musicales de plus en plus audibles fabriquées à Bollywood et au Sambodrome de Rio.

(1) Amartya Sen, La démocratie des autres, pourquoi la démocratie n’est pas une invention de l’Occident, Paris, payot, 2005
(2) IBAS= Inde, Brésil, Afrique du sud, groupe constitué en 2003 à la veille de la conférence de l’OMC organisée à Cancún, Mexique
(3) Déclaration des ministres des affaires étrangères, Antonio de Aguiar Patriota et Héctor Timerman
(4) Alain Rouquié, Introduction à l’extrême occident, Paris, Seuil, Points, 1998

Brasil–Uruguai - Nota Conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Fazenda

Autoridades do Brasil e do Uruguai reuniram-se hoje, dia 27 de setembro, em Brasília, para tratar das recentes medidas tomadas no marco do Plano Brasil Maior referentes ao setor automotivo. As autoridades dos dois países coincidiram quanto à importância de uma resposta conjunta frente aos desafios do atual cenário econômico internacional. Reiteraram, nesse sentido, o entendimento comum sobre a necessidade de preservar a estrutura produtiva e os empregos na região, em particular no setor industrial.Acordaram aprofundar a integração produtiva das suas economias, objetivo que envolve o estimulo à constituição de “joint-ventures” entre empresas dos dois países. Em particular, acordaram incentivar o aprofundamento da integração produtiva entre empresas da cadeia automotiva, com vistas à aceleração do ritmo de incorporação de conteúdo regional de automóveis e autopeças.
O Brasil comprometeu-se a adotar, no prazo mais breve possível, as medidas necessárias para que os automóveis contemplados no marco do Acordo de Complementação Econômica Nº 2 entre Brasil e Uruguai sejam beneficiados com a redução do IPI de que trata a Medida Provisória Nº 540.
Acordaram, ademais, promover conjuntamente a aprovação de mecanismo no Mercosul que autorize os Estados Partes a adotarem, respeitadas as tarifas consolidadas na OMC, elevações tarifárias transitórias consensuadas para até 100 códigos da NCM.
Acordaram, ainda, promover conjuntamente a implementação de mecanismos para consolidação e desenvolvimento dos fluxos comerciais intrazona, incluindo a harmonização ou eliminação progressiva de restrições não tarifárias e contemplando situação particular dos sócios de menor tamanho econômico.
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L'ONU appelle Israéliens et Palestiniens à donner une chance à la diplomatie

Le Secrétaire général adjoint des Nations Unies aux affaires politiques, B. Lynn Pascoe.
27 septembre 2011 –
Dans un exposé sur la situation au Moyen–Orient devant le Conseil de sécurité, le Secrétaire général adjoint des Nations Unies aux affaires politiques, B. Lynn Pascoe, a appelé mardi les Israéliens et les Palestiniens à donner une chance à la diplomatie alors que le Conseil de sécurité doit examiner mercredi la candidature de la Palestine pour devenir un Etat membre à part entière des Nations Unies.
« Plus d'une semaine de diplomatie intensive aux Nations Unies a souligné l'aptitude institutionnelle de l'Autorité palestinienne à diriger un Etat », a déclaré B. Lynn Pascoe devant les membres du Conseil de sécurité.

« Personne ne peut nier la profondeur de la dispute. Mais il y a maintenant des éléments constitutifs en place qui pourraient aider à rendre efficace les négociations comme jamais auparavant », a-t-il ajouté.

« Il est temps pour tout le monde de donner une chance à la diplomatie », a-t-il insisté.

Le Président de l'Autorité palestinienne, Mahmoud Abbas, a remis vendredi au Secrétaire général de l'ONU, Ban Ki-moon, une lettre de candidature de la Palestine pour devenir membre des Nations Unies. Cette lettre a été transmise par le Secrétaire général au Président du Conseil de sécurité.

De son côté, le Premier ministre israélien, Benjamin Netanyahu, a reproché vendredi aux Palestiniens de vouloir un Etat sans la paix. « Et vous ne devriez pas laisser cela se produire », a-t-il dit à l'adresse des autres Etats membres des Nations Unies.

Lundi, le Conseil de sécurité de l'ONU a décidé d'examiner la candidature de la Palestine pour devenir un Etat membre lors d'une séance prévue mercredi matin afin de la transmettre à son Comité permanent sur les admissions.

Le Quatuor (Etats-Unis, Russie, Union européenne et ONU) a pour sa part pris note de la candidature palestinienne tout en appelant à la reprise des négociations, a indiqué M. Pascoe.

Le chef des affaires politique de l'ONU a rappelé qu'il existe un consensus sur l'idée qu'institutionnellement l'Autorité palestinienne est capable de diriger un Etat.

« Je souligne les réalisations en matière de consolidation de l'Etat pour une raison : les principaux obstacles à l'Etat palestinien ne sont pas institutionnels mais politiques : les problèmes non résolus dans le conflit entre les parties, l'occupation israélienne continue et l'actuelle division palestinienne », a précisé M. Pascoe.

Le Quatuor a réitéré les obligations des deux parties à respecter la Feuille de route.

« Reprendre les négociations et en faire des progrès est plus facile à dire qu'à faire, comme l'on démontré les discours éloquents et profonds des deux dirigeants à l'Assemblée générale. Pourtant malgré les frustrations et le manque de confiance l'un vis-à-vis de l'autre, chacun à tendu la main pour la paix et les deux parties ont entrepris d'examiner l'appel du Quatuor », a-t-il dit.

Face à l'augmentation des destructions de logements palestiniens depuis le début de l'année 2011, M. Pascoe a rappelé que les colonies sont illégales et contraires aux engagements d'Israël contenus dans la Feuille de route.

Sur la situation en Syrie, il a souligné l'importance de faire la lumière sur toutes les violations des droits de l'homme commises en Syrie depuis le début mars.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Itamaraty recebe diplomatas africanos para curso

12/09/2011
Representantes de 12 países africanos participam de curso no Palácio do Itamaraty, no Rio. O objetivo é aproximar as diplomacias africana e brasileira. O Sudão participa.

Isaura Daniel - São Paulo – O Ministério das Relações Exteriores (MRE) promove um curso para diplomatas africanos a partir desta segunda-feira (12) no Rio de Janeiro. O encontro, que ocorre por meio da Fundação Alexandre Gusmão (Funag), será uma oportunidade para discussão de assuntos de interesse entre a África e o Brasil e de aproximação entre os diplomatas das duas regiões, de acordo com o embaixador Gilberto Vergne Saboia, presidente da Funag.

O curso terá representantes da África do Sul, Botsuana, Gana, Namíbia, Nigéria, Quênia, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue e Angola. Essa é a segunda vez que o encontro é promovido voltado aos países africanos. A primeira ocorreu em 2010.

"O Brasil tem uma relação especial com a África. Faz sentido esse tipo de cooperação, estamos presentes na África, não só do ponto de vista diplomático, mas comercial, em cooperação técnica em agricultura, saúde, em obras", diz Saboia.

No encontro haverá palestras de diplomatas brasileiros e também africanos. Do Brasil, por exemplo, falará o subsecretário geral de Política III do Itamaraty, Paulo Cordeiro, sobre relações políticas do Brasil com a África. Também um representante do Sudão do Sul falará, contando como a região se tornou um país, depois de considerada território inútil pelos ingleses. Do Sudão (do Norte) haverá uma palestra sobre a história do país. Ainda haverá palestras do Zimbábue, Botsuana, Tanzânia, Zâmbia, Nigéria e África do Sul.

Segundo Saboia, esse tipo de iniciativa tem benefícios de médio e longo prazos para o Brasil, já que permite aos diplomatas participantes conhecerem melhor o País. No Rio, além de acompanhar as discussões, os diplomatas visitarão pontos turísticos, como museus, irão até a Petrobras, a mineradora Vale e o BNDES, entre outras instituições. Eles irão ainda a Brasília conhecer o MRE.

"Em todos estes lugares, eles encontrarão algo para acrescentar ao seu conhecimento sobre o Brasil", diz o embaixador. O curso ocorre até 23 de setembro.
De malas prontas para a Big5

12/09/2011

Empresas brasileiras confirmam presença na maior feira do setor de construção do Oriente Médio e se preparam para fortalecer imagem e consolidar vendas na região.

Marcos Carrieri - São Paulo – A Big 5, maior feira do setor de construção do mundo árabe, será realizada de 21 a 24 de novembro, mas já há empresas brasileiras de malas prontas para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde ocorre a mostra. Todos os anos o evento reúne os principais construtores, escritórios de arquitetura e empresas do setor e é uma oportunidade para quem deseja ampliar as vendas na região ou tornar sua marca conhecida. Assim como nas edições anteriores, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) organizam o pavilhão do Brasil.

André Araújo, gerente de Exportações da Deca, indústria de louças e metais sanitários, afirma que a Big5 é uma forma de divulgar os produtos e atrair compradores. Para ele, ter o apoio do governo brasileiro por meio da Apex ajuda nos negócios. “Participamos [desta feira] no ano passado. Sentimos uma grande valorização no vínculo com o governo brasileiro. Eles (clientes e parceiros locais) entendem que o governo leva as melhores empresas do País para participar do evento. O governo dá o seu aval à credibilidade da empresa”, afirma.

A Deca tem um representante nos Emirados e, de lá, vende seus produtos para o mercado de luxo do mundo árabe. Embora já tenha fechado vendas em Omã e no Catar, a empresa ainda concentra seus esforços para consolidar sua posição nos Emirados. Araújo afirma que o faturamento da companhia com os produtos vendidos no mundo árabe ainda é muito pequeno e o investimento deve trazer resultados no longo prazo. “Não temos meta [na feira], queremos apoiar o distribuidor e manter o relacionamento. Lá é um projeto de longo prazo”, afirma.

Expor seus produtos na Big5 e contar com o apoio da Câmara Árabe e do governo brasileiro são dois dos suportes da Deca para conquistar o consumidor da região. Relacionamento é o terceiro. Araújo afirma que participar da Big5 é muito importante, porém, não é um ato isolado na empresa. Ele viaja duas vezes por ano para Dubai e traz seus representantes árabes para o Brasil também. Eventualmente, encontra seus representantes em outros eventos. Durante os dias de realização da Big5, brasileiros e árabes visitarão arquitetos e irão se reunir com clientes em potencial.

Estreia

Fabricante de produtos sanitários, gabinetes e acessórios hidráulicos, a Astra já participou de outras feiras mundo afora, mas fará sua estreia na Big5. O motivo? “A Astra já vende para alguns países árabes, mas quer investir nas feiras para ampliar mais sua carteira de clientes e conhecer melhor os mercados em questão”, diz a responsável pelas exportações ao Oriente Médio, Fernanda Rezaque.

A Astra já vende US$ 600 mil por ano para o mundo árabe. Os principais clientes estão na Argélia, Líbano, Líbia e Dubai. Entre os produtos comercializados, destacam-se caixas de descarga, assentos sanitários, espelhos e banheiras de hidromassagem. Para a empresa de Jundiaí, no interior paulista, o mercado árabe ainda pode ganhar participação nas vendas. “O mercado árabe hoje representa apenas 8% do nosso faturamento, mas, em curto prazo, queremos vender produtos de maior valor agregado e dobrar esse número”, diz Fernanda.

Desde 2006

Já a Itagres, que produz mármores e artigos de cerâmica e participa da Big5 desde 2006, pretende usar o evento para ampliar o relacionamento com clientes e distribuidores no mundo árabe. “O objetivo será apresentar os lançamentos das empresas Itagres e Porcellanati, fortalecer a relação comercial com clientes já existentes e prospectar novos clientes com o intuito de alavancar as vendas na região. Possuímos como meta alcançar um faturamento de US$ 1 milhão em ambas as empresas [durante a feira]”, afirma o responsável pelas exportações da companhia para o Oriente Médio, Fredy Spegel.

Ele aposta no aumento das vendas no mundo árabe no curto prazo. O faturamento de US$ 1 milhão é esperado para a feira, mas a meta é atingir vendas de US$ 5 milhões por ano para os países da região. A estratégia da empresa é aumentar a quantidade de países onde seus produtos são vendidos. Atualmente, a companhia de Santa Catarina tem um representante que vende para Arábia Saudita, Emirados, Jordânia, Kuwait, Omã e Síria. Hoje, as vendas para estes países representam 30% do total que a Itagres obtém de exportações. Agora, a companhia quer vender para todos os países do Oriente Médio e pretende usar a Big5 para atingir o objetivo.

Serviço

Outras informações sobre a Big5 podem ser obtidas com Clarrisa Marchioreto, no Departamento de Negócios e Mercado da Câmara Árabe. Tel.: (11) 3147-4139.

Turismo teve forte crescimento

12/09/2011
O movimento de turistas ao redor do globo aumentou em 19 milhões de pessoas no primeiro semestre. Ao todo, o número de viajantes chegou a 440 milhões.

Da redação - São Paulo – A Organização Mundial do Turismo (OMT) divulgou esta semana um levantamento sobre a movimentação global do setor no primeiro semestre deste ano. A entidade registrou um fluxo internacional de 440 milhões de turistas, um aumento de 19 milhões em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo a agência da ONU, o acréscimo foi recorde para o período. Isso em um momento em que, em tese, o setor ainda se recupera da crise financeira mundial.

A pesquisa, denominada Barômetro do Turismo Mundial, mostra que o movimento avançou em todas as regiões, exceto no Oriente Médio e Norte da África. Vale lembrar que países de forte vocação turística no mundo árabe, como Egito, Tunísia e Síria, são palcos de levantes populares e instabilidade política desde o início do ano.

De acordo com a OMT, o turismo na América do Sul cresceu 15% e, na África Subsaariana, Europa Central e Oriental, o avanço foi de 9%. O secretário-geral da organização, Taleb Rifa, disse, segundo nota da entidade, que o setor pode ter papel fundamental na recuperação econômica e na geração de empregos.

Unctad promove discussão sobre cenário econômico

12/09/2011
O Conselho de Comércio e Desenvolvimento da agência da ONU vai debater esta semana as 'fraquezas sistêmicas' e os desequilíbrios da economia internacional.

Da redação - São Paulo – O Conselho de Comércio e Desenvolvimento, órgão máximo da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), vai se reunir nesta semana e na próxima em Genebra, na Suíça. Na abertura do encontro, nesta segunda-feira (12), haverá uma discussão sobre “fraquezas sistêmicas” e desequilíbrios da economia internacional.

Haverá um painel sobre “volatilidade de capitais e desenvolvimento” com as participações de Ebrahem Patel, ministro de Desenvolvimento Econômico da África do Sul; Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda do Brasil; Gilbert Terrier, vice-diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI); e Sergio Chodos, diretor do Banco Central da Argentina.

Na quarta-feira, de acordo com a Unctad, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, fará uma apresentação sobre a evolução do sistema internacional de comércio.

Governo se prepara para inclusão da China como economia de mercado

12/09/2011
Luciene Cruz – O governo federal começa a se preparar para a inclusão da China como economia de mercado, para fins de defesa comercial. Segundo regras estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), a partir de 2016, todos os países serão obrigados a reconhecer a China como economia de mercado. Na prática, a mudança significa que vai ficar bem mais difícil aplicar medidas antidumping contra os produtos chineses.

Das 81 medidas antidumping aplicadas pelo Brasil, a metade é contra produtos chineses. Para se preparar para essa mudança, o governo estuda como irá combater o "ataque chinês” ao mercado brasileiro. Segundo a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres, o país já está preocupado com a questão.

“Isso vai fazer com que seja muito mais difícil a aplicação de antidumping contra a China. É um momento em que há mudança radical em defesa comercial porque a China é o principal player (negociador), principal objeto das nossas investigações, por isso terá que receber tratamento distinto. Estamos nos preparando para esse momento, analisando como outros países estão se preparando para isso”, informou Tatiana à Agência Brasil.

Atualmente, apesar de a China ser considerada economia emergente, é tratada como economia de não mercado. Com isso, ao abrir um processo de investigação na OMC, os países não precisam considerar os preços dos produtos chineses. Quando a China é alvo de denúncia, o governo ou o setor produtivo tem que indicar um terceiro país que seja parâmetro para o produto, a fim de o governo definir se existe dumping (preço abaixo do praticado no mercado) nos preços.

Há duas semanas, técnicos do MDIC estiveram nos Estados Unidos para compartilhar medidas de proteção comercial. O país norte-americano tem realizado investigações na China, com o objetivo de conhecer os processos de precificação e composição do custo. “O Brasil terá que fazer cada vez mais isso [investigações in loco] porque não poderá usar dados de outros países. A tarefa não será fácil porque no interior da China, a contabilidade não segue padrões ocidentais. Não falam inglês, será desafio na operação e no entendimento dos cadernos de contabilidade”, comentou.

A China é o maior parceiro comercial do país. Dados da balança comercial de agosto apontam que no acumulado de oito meses foram exportados US$ 29,050 bilhões frente a US$ 19,914 bilhões no mesmo período do ano passado. As importações somaram US$ 20,947 bilhões, de janeiro a agosto, ante US$ 15,485 bilhões no mesmo período de 2010.

Filho de Kadhafi recebe asilo no Níger

12/09/2011
Um dos filhos do líder líbio, Muammar Khadafi, recebeu asilo político no Níger. O governo havia confirmado que o país, vizinho à Líbia, permitiu a entrada de Saadi Khadafi por razões humanitárias e que ele está na capital, Niamey.

Saadi teria entrado no Níger em um comboio com dez pessoas, procedente da Líbia. O carro foi interceptado pelas autoridades do país.

Um comboio anterior, que cruzou o Níger na semana passada levando aliados de Khadafi, fomentou especulações de que o líder líbio, cujo paradeiro é desconhecido, poderia estar buscando refúgio no país vizinho. Mas as informações foram desmentidas pelo governo do Níger.

Também houve rumores de que o primeiro comboio teria como destino Burkina Faso, outro país que poderia acolher Khadafi. O líder já anunciou que quer morrer na Líbia.

A mulher de Khadafi, Saifa, e seus filhos Hannibal e Muhammad, buscaram refúgio na Argélia. A filha Aisha também está no país vizinho, onde deu à luz um dia após sua chegada.

Duas semanas após a tomada de Trípoli, a maior parte da Líbia está sob controle do Conselho Nacional de Transição (CNT), que comanda as forças rebeldes. Mas militantes pró-Khadafi ainda controlam várias cidades, como Bani Walid e a cidade natal do líder foragido, Sirte, ambas sitiadas por tropas ligadas ao CNT.

Ontem (11), forças anti-Khadafi retomaram os ataques que vinham promovendo contra Bani Walid, situada a 180 quilômetros de Trípoli, com o apoio de forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Governo brasileiro estuda revisão de lei de defesa comercial

12/09/2011
Luciene Cruz – O governo brasileiro pretende revisar a legislação da defesa comercial para blindar a indústria nacional contra o comércio desleal. A mudança visa a atualizar e a modernizar o Decreto 1.602/95 que regulamenta as normas que determinam os procedimentos administrativos sobre a aplicação de medidas antidumping no comércio internacional.

De acordo com a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres, a legislação, que tem mais de 15 anos, não atende à atual posição brasileira de economia emergente, que tem sido alvo de empresas de todo o mundo, inclusive com concorrência desleal.

“Quanto mais o Brasil adota antidumping, mais se multiplicam as formas que os importadores no Brasil e os exportadores no exterior encontram para burlar o direito adotado. Tem triangulação, falsa declaração de origem, são diferentes mecanismos. Não adianta só ter o olho para antidumping, temos que estar de olho em práticas criativas e ilegais que visam a contornar o direito adotado”, disse Tatiana à Agência Brasil.

Segundo ela, a revisão da legislação está focada em quatro pilares: experiência acumulada no Brasil nos últimos anos, procedimentos adotados por outros países, decisões da Organização Mundial do Comércio (OMC) a respeito dos processos de investigação e sugestões do setor privado.

“Acumulamos experiência sobre condição de processo que gera massa crítica, para revisão da norma. Além disso, a gente está observando como o mundo conduz investigação de defesa comercial e o que a OMC tem decidido sobre alguns contenciosos. Também queremos saber que contribuições o setor privado tem para dar. É o momento de reavaliarmos juntos a legislação”, comentou.

Desde o dia 29 de agosto, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) abriu consulta pública para colher sugestões de aprimoramentos da norma e adaptação à realidade atual do comércio exterior brasileiro. As propostas podem ser enviadas para o e-mail consulta1602@mdic.gov.br, até o dia 8 de outubro.

Além da revisão da norma de defesa comercial, o MDIC trabalha internamente para viabilizar o concurso público que vai contratar 120 novos investigadores para o órgão, previsto para o próximo ano.

“Precisamos de mais gente para conseguir conduzir, simultaneamente, mais investigações. Enquanto a média mundial é de três pessoas para cada processo, no Brasil ocorre o contrário, cada pessoa tem três processos para cuidar. Estamos convencidos que com número maior de investigadores, faremos investigações em menos tempo”, concluiu a secretária.

Na semana passada, durante a divulgação da proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2012, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, informou que estão previstas “contratações para reequipar o MDIC, para fazer acompanhamento das denúnciais de triangulação e das práticas nocivas ao comércio internacional”.
Revista Jurídica Consulex nº 351
Matéria de Capa
Arquivo pessoalRui Aurélio de Lacerda Badaró
Doutorando em Direito Internacional pela Universidad Católica de Santa Fé (UCSF), na Argentina. Mestre em Direito Internacional pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e DEA em Direito Internacional, Europeu e Comparado pela Universidade Paris 1 – Sorbonne Panthéon. Professor do Curso de Pós-Graduação em Direito Internacional da Escola Paulista de Direito (EPD) e Coordenador do Curso de Direito da Faculdade de São Roque. Diretor da Academia Brasileira de Direito Internacional. Membro da Sociedade Brasileira de Direito Internacional (SBDI) e da International Law Association (ILA) – Ramo brasileiro.
1/9/2011

O MOMENTO MAIS PERIGOSO DA HISTÓRIA HUMANA

“O preconceito é um fardo que confunde o passado, ameaça o futuro e torna o presente inacessível.”
Maya Angelou
A Convenção Internacional para Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial, concluída e assinada em 21 de dezembro de 1965, em Nova Iorque, e ratificada pelo Brasil em 8 de dezembro de 1969, na esteira do Artigo 2º, inciso I1, da Declaração Universal de Direitos Humanos, é fruto de um denso debate sobre colonialismo e segregação, cujo objetivo era claro: a eliminação, a curto prazo, da discriminação racial como resultado de uma ação afirmativa dos Estados-membros das Nações Unidas.
De lá para cá, ainda que se possa comemorar o fim do colonialismo e do apartheid (agora considerado um crime contra a humanidade!), o surgimento de diversos conflitos étnicos e raciais, tendo por palco a Europa (ex-Iugoslávia) e a África (Ruanda), retomaram a atenção da sociedade internacional na década de 90 do século XX. Não bastasse isso, as dificuldades enfrentadas para a realização da III Conferência Mundial contra o Racismo, inclusive com a retirada dos Estados Unidos e de Israel das negociações, eviden­ciaram que as rusgas do colonialismo ainda permanecem.
Para fazer frente ao crescimento desenfreado das formas contemporâneas de racismo e discriminação racial, a ONU concluiu em Genebra, em 2009, o documento final da Conferência de Durban, revisão da Declaração homônima, de 2001, além de reafirmar a Convenção de 1965 como o principal instrumento internacional para o enfrentamento do racismo e das formas de discriminação. Já em 2010, as Nações Unidas declararam 2011 como o Ano Internacional dos Afrodescendentes, a fim de redobrar os esforços para o combate do racismo, da discriminação racial, da xenofobia e da intolerância correlata, que afetam os afrodescendentes em todas as partes do mundo. As medidas parecem não surtir o efeito desejado.
O racismo, nos dias atuais, permanece um problema central na sociedade internacional. Segundo o Professor de Direito Internacional da Universidade de Heidelberg, Rüdiger Wolfrum, “[...] apesar das tentativas para se abolir as políticas e práticas baseadas ou promotoras de manifestações xenófobas e racistas e para se contrapor às teorias que se baseiam ou endossam tais práticas, poucos resultados foram atingidos”.
Essa praxe, segundo Wolfrum, não somente continua a existir, mas tem ganhado força e adquirido novas formas. As chamadas políticas de “limpeza étnica” representam uma nova forma de racismo... Exemplo disto, levado ao extremo, verifica-se atualmente na Líbia, onde os negros estão correndo o risco de uma ação de limpeza étnica por causa da determinação de apoiarem o líder Muamar Kadafi.
Explico: Basta ser negro na Líbia para que os rebeldes insurgentes taxem-no de mercenário pró-Kadafi, correndo, assim, o risco de tornar-se uma vítima de limpeza étnica durante os confrontos. Prova disso são os mais de 800 assassinatos de líbios negros ocorridos na cidade de Misrata, e denunciados por refugiados africanos na Itália. Não se olvide, também, da política de limpeza étnica de Israel para com os beduínos de Negev, que são forçados a lutar para satisfazer suas necessidades básicas, ainda que cidadãos israelenses.
Nesse contexto, cristalina é a característica excludente da atuação do Estado, gerador de racismo e discriminação de todas as formas, como instrumento de dominação e consequente expropriação do “diferente” (negros, mulheres, crianças, homossexuais, povos originários...). Os últimos cinco séculos demonstraram que as dificuldades continuam a existir e a situação do “diferente” pouco ou nada se alterou.
Segundo o Sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, “[...] se naturalizou um sistema de poder, até hoje em vigor, que, sem contradição aparente, afirma a liberdade e a igualdade, e pratica a opressão e a desigualdade”. E continua: “Assentes neste sistema de poder, os ideais republicanos da democracia e da igualdade constituem uma hipocrisia sistêmica. Só quem pertence à raça dominante tem o direito (e a arrogância) de dizer que ‘raça’ não existe ou que identidade étnica é uma invenção. O máximo de consciência possível desta democracia hipócrita é diluir a discriminação racial na discriminação social. Admite que os negros e os indígenas são discriminados porque são pobres, para não ter de admitir que eles são pobres porque são negros e indígenas”.2
Logo, o racismo e as demais formas de discriminação no mundo atual conduzem a uma democracia de baixa densidade, cuja crise se inicia no momento em que as vítimas da discriminação passam a se organizar para lutar contra a ideologia e as práticas opressoras. Segundo Boaventura de Sousa Santos, os agentes destas lutas reivindicam o direito de serem iguais, quando a diferença os inferioriza, e o direito de serem diferentes, quando a igualdade os descaracteriza. Apostam, também, em soluções institucionais dentro e fora do Estado, para que o reconhecimento dos dois princípios seja eficaz e efetivo.
Em suma, conforme se depreende de estudos científicos e dos fatos históricos, econômicos e sociais, os dias atuais, marcados pela mundialização, espalharam, de maneira sistematizada, o ódio racial. A crescente e efusiva participação das elites dos países que detêm o poder mundial no espetáculo de homogeneização da “cultura do lucro”, por meio da destruição e eliminação das identidades específicas das culturas, civilizações e até mesmo do meio ambiente ensejam afirmar que o século XXI é o momento mais perigoso da história humana3.
NOTAS
1 Art. 2º, inciso I, da DUDH: “Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”.

2 SANTOS, Boaventura de Sousa. As Dores do Pós-Colonialismo. Folha de S. Paulo de 21 ago. 2006.

3 WEDDERBURN, C.M. O Racismo através da História: da Antiguidade à Modernidade. Belo Horizonte: Mazza, 2007.

APÓS UM LONGO INVERNO...

Estimados amigos, companheiros, colegas e leitores do Blog do Professor Badaró,

Bom dia!

Após um longo inverno sem postagens, retomaremos as atividades a partir de agora! Bem-vindos novamente!

Tríplice e fraternal abraço,

PRof. Badaró