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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Bêbado, diplomata chinês da ONU ataca o chefe e os EUA

Cômico... se não fosse trágico. E lembro-me do chavão: A bebida entra e a verdade sai... rs... nem diplomata aguenta... ahahahhahahahaha


Um alto diplomata das Nações Unidas causou constrangimento em um jantar ao discursar embriagado fazendo críticas ao secretário-geral das ONU e expressando antipatia por americanos.


Segundo um relato publicado pelo blog na internet da revista americana Foreign Policy, o chinês Sha Zukang, subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais, fez o discurso no resort de Alpbach, na Áustria, durante um encontro da cúpula executiva da organização na semana passada.

Sha começou sua fala admitindo: "O vinho me afetou um pouco, mas eu quero dizer algumas coisas que estão na minha cabeça".

"Eu sei que você nunca gostou de mim, sr. secretário-geral... Bom, eu também nunca gostei de você", disse ele se dirigindo a Ban.

"Eu não queria vir para Nova York. Era a última coisa que eu queria fazer. Mas eu comecei a amar a ONU e estou começando a admirar algumas coisas sobre você", afirmou.

Ele continuou a se dirigir ao secretário-geral afirmando: "Você tem tentado se livrar de mim. Você pode me mandar embora a qualquer hora, pode me demitir hoje".

O blog da Foreign Policy diz que, diante do constrangimento geral, outros diplomatas presentes no jantar ainda tentaram convencer o diplomata chinês a largar o microfone, mas ele continuou, apontando então para outro alto diplomata da ONU, o americano Bob Orr.

"Eu realmente não gosto dele: ele é americano e eu realmente não gosto de americanos", disse ele, antes de elogiar o colega por um discurso proferido na conferência da ONU sobre o clima em Copenhague, no ano passado.

Segundo o porta-voz da ONU Farhan Haq, ouvido pela Foreign Policy, o diplomata chinês se desculpou "profundamente" com Ban Ki-Moon ao encontrá-lo pessoalmente, a seu pedido, na manhã seguinte ao coquetel.

"Ele disse que havia se levantado para falar na noite anterior porque ele sentia que as recentes críticas ao secretário-geral tinham sido injustas e que ele queria esclarecer as coisas" disse Haq.

"Porém, Sha disse ao secretário-geral que ele percebeu que a maneira como ele falou, da forma como foi, após ele tomar algumas bebidas, foi inapropriada e foi longe demais. Ele também admitiu que suas declarações haviam constrangido e irritado outros altos funcionários", afirmou.

Sha assumiu o posto na ONU em 2007, após ter servido como embaixador da China na própria organização.

ONU reconhece decisão sobre independência de Kosovo

Mundo,

Agência Estado

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) adotou por aclamação hoje (10/09/2010) uma resolução que "reconhece" decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) segundo a qual a declaração de independência de Kosovo é legal. A Sérvia, da qual Kosovo se separou em fevereiro de 2008, havia proposto uma resolução em que alegava que "a secessão unilateral não é uma forma de emancipação nem de solução para disputas territoriais". Porém, os termos foram rejeitados por Estados Unidos e países da União Europeia (UE), que reconheceram a independência.



A resolução adotada hoje foi resultado de um acordo firmado pelos 27 membros da UE junto à Sérvia e adotada por aclamação depois de um debate de duas horas e meia sobre onde Kosovo deveria estar representado na Assembleia Geral da ONU. A Sérvia considerou o texto aprovado hoje "neutro" com relação ao status de sua antiga província.

A Sérvia perdeu o controle de Kosovo em 1999, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) realizou uma campanha de bombardeios para deter uma ofensiva contra milicianos rebeldes de etnia albanesa.



Compra de títulos do Japão pela China gera tensão Internacional

Ásia: Tóquio diz que operações ajudam a valorizar a moeda japonesa

Michiyo Nakamoto e Geoff Dyer

Financial Times, de Tóquio e Pequim

O Japão manifestou preocupação com o acentuado aumento recente verificado na compra de títulos da dívida japonesa (JGB, na sigla em inglês) por parte da China, na mais recente de uma série de notas amargas num relacionamento tradicionalmente tenso, por cuja estabilização os dois lados se empenharam a duras penas.

A compra de JGBs por parte da China representa um tema especialmente sensível, uma vez que envolve ansiedades no Japão sobre o fortalecimento do iene e seu impacto sobre a economia.

Tóquio e Pequim também entraram em conflito nesta semana depois que as autoridades japonesas detiveram o capitão de um barco de pesca chinês nas disputadas águas do Mar do Leste da China.

"Há algo estranho no fato de a China poder comprar títulos do governo japonês enquanto o Japão não pode [comprar títulos chineses]", disse Yoshihiko Noda, ministro das Finanças japonês.

"Há espaço para os dois governos manterem conversas com vistas a melhorar essa situação."

Nos sete primeiros meses desse ano, as compras chinesas líquidas de JGBs foram de aproximadamente 2,3 trilhões de ienes (US$ 27,4 bilhões), segundo o Ministério das Finanças japonês.

Apesar de Noda não ter estabelecido um vínculo entre as compras chinesas de títulos japoneses e a alta do iene, ele disse que o Japão queria uma explicação para a compra de uma "enorme quantidade de JGBs de curto prazo" efetuada pela China em maio. "Não sei quais são seus reais objetivos, mas gostaríamos de esclarecer."

Seus comentários ocorrem no momento em que o governo japonês enfrenta pressão crescente para conter o fortalecimento do iene, que está prejudicando a competitividade dos exportadores japoneses e corroendo seus lucros. O iene atingiu nesta semana a maior cotação em 15 anos em relação ao dólar dos EUA.

Apesar de as compras líquidas de títulos japoneses realizadas pela China estarem em nível recorde, alguns analistas dizem que elas exercem efeito irrisório sobre o mercado de câmbio.

"Seria um verdadeiro exagero afirmar que o movimento de compra de títulos por parte da China seria o fator que está valorizando a moeda", disse Christian Carrillo, analista do Société Générale. Ele disse que os fluxos líquidos provenientes da balança de pagamentos ofuscam as compras chinesas totais, que somam 2,316 trilhões de ienes.

Além disso, a compra é minúscula na comparação com a emissão total de títulos do governo do Japão, estimada em 162,414 trilhão de ienes para o ano fiscal que termina em março de 2011.

Outros analistas, porém, discordam. "Acredito que a compra chinesa [de JGB] esteja exercendo pressão altista sobre o iene", disse Tohru Sasaki, analista de moeda estrangeira do JPMorgan.

Ichiro Ozawa, o peso-pesado do Partido Democrata que está desafiando o premiê Naoto Kan pela liderança na próxima semana, tem sido eloquente sobre a possível necessidade de intervir nos mercados de câmbio para deter a valorização do iene.

As críticas de Tóquio ao mercado fechado da China - que restringe investimentos por meio de controles de capital - surgiram depois que Larry Summers, principal assessor econômico do presidente dos EUA, Barack Obama, visitou Pequim nesta semana, em parte para tentar convencer as autoridades chinesas a permitir que o yuan se valorize ainda mais.

As observações de Noda também se seguem a um período de especulação renovada sobre a gestão chinesa de seu volumoso estoque de reservas cambiais.

Além da ampliação das compras de títulos japoneses, operadores de câmbio dizem que a China também tem sido uma compradora de títulos de dívida sul-coreanos, canadenses e australianos.

Basileia 3 vai propor restrição a compra de carteira de crédito

Assis Moreira De Genebra

As operações de compra de carteira de crédito e o uso de crédito tributário por bancos brasileiros são alguns dos elementos que poderão ser duramente afetadas pela nova regulação do Acordo de Basileia 3 de capital mínimo, segundo fontes do mercado. O pacote que exigirá bilhões de dólares adicionais dos bancos globalmente, para se proteger de futuras crises, pode ser definido no domingo por bancos centrais na Suíça.



Os bancos brasileiros, mesmo em melhor situação do que boa parte de seus parceiros internacionais, deverão fazer maior alocação de capital para determinados tipos de riscos, mudança de estratégias de negócio e mesmo o fim de certas operações, para se enquadrar em três reformas regulatórias que se encavalam: o Acordo de Basileia 2, que só agora está sendo implementado, o novo padrão internacional de contabilidade e agora o Acordo de Basileia 3.



A adoção gradual desse arcabouço de regras pode inviabilizar as compras de carteiras de crédito, como é prática comum no mercado de crédito consignado, em que as instituições menores geram as carteiras e as vendem aos grandes bancos para se financiar. Como explica uma fonte qualificada, pela lei brasileira na cessão de crédito o banco comprador torna-se co-responsável. Agora, isso significará requerimento de capital adicional para efeito de risco de crédito, o que pode tornar a operação cara demais. O saldo do crédito consignado alcançou R$ 125,6 bilhões em julho, representando 60% do crédito pessoal no país, e é motivo de intensa disputa entre bancos privados e bancos oficiais.



Outra preocupação entre banqueiros é como ficará o uso do crédito tributário, que em geral é resultado de provisões em excesso feitas no passado. As regras que ativam esse instrumento no Brasil destoam muito dos padrões internacionais. Pode-se mesmo abrir banco no país usando crédito tributário. O temor é de que o uso desse instrumento se torne um grande problema para todo tipo de instituição financeira. Representantes de bancos menores já começaram a reclamar nas conversas entre banqueiros que o BC faz exigência tão rigorosa de provisão de créditos duvidosos que obriga os bancos a usar o credito tributário.



Com a nova regulação de capital, liquidez e contabilidade internacional, isso ficará difícil, mesmo impossível, dependendo de outros detalhes que podem condicionar o resultado final do que será implementado. Em todo caso, o BC será pressionado a fazer alguma mudança e certos banqueiros começam a pedir a redução do compulsório sobre depósito à vista como contrapartida.



O BC sinalizou aos bancos que não será mais exigente do que o pacote de Basileia 3, ainda mais se a demanda adicional de capital aumentar de 8% para 11% como é o nível brasileiro. Mas avisou que a fiscalização será bem mais rigorosa e estrita, na linha decidida pelos países para prevenir crises.



Num debate na Índia, Charles Dallara, diretor-geral do Instituto Internacional de Finanças (IIF), entidade que reúne os maiores bancos do mundo, alertou que vários países emergentes serão afetados pela nova regulação.



O IIF insiste para que o pacote seja suficientemente calibrado para não causar peso adicional nos emergentes. "Na busca de prevenir práticas ruins em um mercado, a regulação não deve inadvertidamente penalizar 'players' em outros mercados onde a relação custo benefício para a regulação não se aplica", disse Dallara.



O IIF dá três exemplos que afetam os emergentes. Primeiro, pelo novo requerimento de liquidez, para operações de longo prazo, como financiamentos imobiliários de 30 anos, o banco deve buscar funding também de longo prazo, para não haver divergência maior entre ativo e passivo. A questão é que isso é possível nos países industrializados, onde existem instrumentos de longo prazo para o funding. Mas nem em todos os emergentes os bancos vão conseguir isso. Ou seja, o que é desenhado para o G3 - EUA, Europa e Japão -, não pode ser transposto para os emergentes.



Segundo, é o problema de financiamento ao comércio exterior (trade finance). A potencial aplicação do nível de alavancagem definido por Basileia 3 sobre os ativos fora do balanço como carta de crédito e outros instrumentos financeiros vai penalizar as atividades financeiras para os emergentes. Pela proposta de Basileia, se a carta de crédito dada pelo banco for de US$ 100 milhões, o banco terá de ter 3% de capital adicional. Ainda que a garantia não seja usada, entra na medida do novo padrão de alavancagem, para limitar o endividamento do banco. O resultado, conforme o IIF, é encarecimento dos instrumentos de comércio exterior para os emergentes.



O terceiro problema é a proposta para que participações minoritárias deixem de contar como componente central do capital, o que vai dificultar a vida de grandes bancos internacionais com interesse de se expandir nos emergentes. Quando um grande banco internacional entra num mercado, não necessariamente adquire a totalidade dos 100% da subsidiária. Pode, por exemplo, começar com uns 40%, 50%. Até aqui o banco pode contar com essa parte para os efeitos de exigência de capital. Agora, somente se comprar os 100%.



CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES




Terry Jones, líder cristão na Flórida, cede à pressão mundial e desiste de queimar o Corão. Obama e Interpol alertaram para o risco de atentados



Rodrigo Craveiro



A razão só prevaleceu sobre a fé cega após o presidente norte-americano, Barack Obama, intervir e a Interpol (polícia internacional) emitir um alerta global sobre o risco de atentados terroristas. No dia em que protestos sacudiram países muçulmanos e líderes mundiais — incluindo o premiê israelense, Benjamin Netanyahu — expressaram repúdio, o pastor de uma igreja em Gainesville (Flórida) decidiu cancelar seus planos de queimar cerca de 200 exemplares do Corão, livro sagrado do islã. Terry Jones, líder da Dove World Outreach Center, pretendia realizar o protesto na noite de amanhã, durante o nono aniversário dos atentados de 11 de setembro. Desistiu da ideia depois de uma visita de agentes do FBI (a polícia federal dos Estados Unidos) e de receber críticas de Obama.



“Se ele está escutando, eu espero que entenda que o que está propondo fazer é completamente contrário aos nossos valores. Esse país tem sido construído sobre as noções da liberdade e da tolerância religiosa”, afirmou o mandatário, em entrevista à rede de TV ABC. “Isto pode fazer aumentar o recrutamento de indivíduos que desejam se explodir em cidades americanas ou europeias”, acrescentou Obama, referindo-se à rede Al-Qaeda.



Ao justificar o cancelamento do protesto, o pastor que usa o slogan “O islã é do demônio” garantiu ter chegado a um acordo com o imã Feisal Abdul Rauf para mudar o local da construção da mesquita(1) prevista para o Marco Zero — onde ficavam as Torres Gêmeas, em Nova York. “Vou viajar no sábado para lá (Nova York) e me reunirei com o imã da mesquita do Marco Zero. Ele concordou em mudar o local”, declarou Jones. “Sentimos que é um sinal do que Deus quer que façamos. Os americanos não desejam uma mesquita neste lugar e, é claro, os muçulmanos não desejam que queimemos o Corão”, emendou. No entanto, uma fonte próxima ao imã assegurou à agência de notícias Reuters que não houve negociação. “Não houve acordo, não existiram discussões com esse pastor”, disse, sob a condição de anonimato.



Se Jones voltou atrás em seu projeto de vilipendiar o Corão, um clérigo muçulmano baseado em Londres manterá a promessa de atear fogo amanhã à bandeiras dos Estados Unidos e a exemplares da Constituição norte-americana. Ex-líder do grupo islâmico proibido Islam4UK e porta-voz do Al-Muhajiroun (facção que teria ligações com a Al-Qaeda), Anjem Choudary afirmou ao Correio que o gesto de Jones teria consequências drásticas. “Ao atacarem nossa santidade, os EUA cavarão sua própria sepultura. Não há porque outro 11 de setembro ocorrer”, ameaçou o líder religioso. “Estamos preparando um Dia Mundial de Queima da Bandeira dos EUA. Já obtivemos respostas da Bélgica, da Suécia e do Líbano”, comentou. Choudary lembrou que o 11 de setembro marca “a retaliação do xeque Osama bin Laden às atrocidades cometidas pelos EUA no Afeganistão, no Iraque e no apoio a Israel”.



Alarme

A Interpol advertiu seus 188 países-membros sobre a “grande possibilidade” de atentados, caso Jones levasse seu plano a cabo. “Se o propósito de queimar o Corão for realizado, há fortes probabilidades de que ocorram ataques violentos contra inocentes”, disse Ronald Noble, secretário-geral da Interpol, ontem à tarde. De acordo com o francês Jean-Charles Brisard, especialista em Al-Qaeda e advogado de famílias das vítimas dos ataques de 11 de setembro, os extremistas se beneficiariam do protesto do pastor. “Haveria tensões religiosas e atentados contra interesses ocidentais nos EUA e no exterior”, previu. “Se Jones não tivesse desistido, teria de ser processado.”



Magnus Ranstorp, do Colégio de Defesa Nacional Sueca, se disse surpreso com o cancelamento da queima do Corão. “As coisas ficaram complicadas. Agora Jones quer ver o imã (Feisal Abdul Rauf) em Nova York.” Para ele, o pastor usa o encontro com o clérigo para voltar atrás no projeto. “Na verdade, ele está complicando ainda mais o caso, ao envolver o tema sensível da mesquita no Marco Zero. Ele conclama o tema do imã para limpar sua barra.”



O plano de Jones provocou protestos formais dos governos da Índia e da Indonésia. O presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, enviou carta a Obama e pediu a adoção de medidas para impedir o ato. O ministro do Interior da Índia, P. Chdambaram, chamou o gesto de “deplorável”. Milhares de afegãos de Mahmud Raqi, a nordeste de Cabul, entoaram gritos de ordem contra os EUA e os cristãos. Na Índia e no Paquistão, manifestações semelhantes foram registradas.



1 - Ajuda à paz

O imã que defende a ideia da construção de um centro islâmico em Nova York afirmou que não teria planejado como local da obra a área do Marco Zero — onde ficavam as torres gêmeas —, caso soubesse da dor que o projeto geraria. Em entrevista à rede de tevê CNN, ele destacou que o complexo, que inclui uma mesquita, deve mesmo ser construído. “Temos que garantir agora que tudo o que fazemos seja para uma paz maior, e não para um conflito maior”, declarou. “Se mudarmos a localização, todos entenderão que os radicais assumiram o controle”, insistiu o imã, que ocupa o cargo há mais de 25 anos.