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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Temor de "êxodo bíblico"


Mundo




A violência e o caos em que a Líbia submergiu estão levando centenas de milhares de pessoas a deixar o país, em um dos maiores fluxos de migração dos últimos tempos. Países estão se mobilizando para lidar com o problema e, em uma medida chamada de “gesto humanitário” pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Israel autorizou ontem a entrada de 300 palestinos nos territórios de Gaza e da Cisjordânia. A Cruz Vermelha alertou para o que considera um “risco catastrófico de êxodo em massa” de líbios para a Tunísia. O país já recebeu 5,7 mil tunisianos e líbios, que fugiram por terra da violência na Líbia.

Uma das declarações mais fortes foi a do ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, que disse temer um “êxodo bíblico” de imigrantes procedentes do país árabe. “Sabemos o que nos espera quando o regime líbio cair: uma onda de 200 mil a 300 mil imigrantes. Dez vezes mais que o fenômeno albanês dos anos 1990”, afirmou Frattini em entrevista ao jornal Corriere della Sera. Segundo o chanceler, os imigrantes que tentariam entrar na Itália e na Europa não seriam líbios, mas cidadãos de países da África Subsaariana, que constituem um terço da população da Líbia.

A Itália é uma das principais portas de entrada dos líbios no continente europeu, mas não foi só o governo de Roma que se mostrou preocupado com a situação. Os ministros do Interior de outros cinco países do sul da Europa — França, Espanha, Grécia, Chipre e Malta — solicitaram a criação de um fundo especial para lidar com o elevado fluxo de imigrantes ilegais originado pelas revoltas, não apenas da Líbia, mas de todo o norte da África.

Ainda ontem, a agência da União Europeia (UE) responsável pelas fronteiras do bloco, a Frontex, manifestou preocupação com a questão. Todos os ministros do Interior da UE devem se reunir hoje em Bruxelas para debater as consequências na imigração resultante das revoltas.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) pediu aos países que mantenham as fronteiras abertas para aqueles que fogem da violência da Líbia. “Dados os contínuos relatos de violência e abusos dos direitos humanos dentro da Líbia, é imperativo que as pessoas que estão fugindo do país possam encontrar um lugar seguro”, apelou o Acnur em um comunicado.

O organismo também informou que, após um pedido do governo da Tunísia, uma equipe do Acnur se deslocou para Ras Adjir, na fronteira com a Líbia, onde trabalha em parceria com o Crescente Vermelho Tunisiano e as autoridades do governo. O Acnur informou que seus funcionários relataram um intenso fluxo de pessoas na região. A maioria, segundo a agência, é de tunisianos, mas também há liberianos, turcos, marroquinos e cidadãos de países do Oriente Médio e da África Ocidental.

Renata Tranches

Emprego e renda para refugiados no Brasil é tema de encontro em São Paulo



Da Agência Brasil

São Paulo - Técnicos governamentais, sindicalistas e especialistas em refúgio se reúnem hoje (24) e amanhã (25) em São Paulo, para propor iniciativas que favoreçam a inserção de refugiados no mercado de trabalho brasileiro. A abertura do encontro será às 16h na Regional do Trabalho e Emprego.

Promovido pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg) do Ministério do Trabalho, pelo Comitê Nacional para Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), o debate vai identificar os principais problemas da área, compartilhar boas práticas e esclarecer questões quanto aos procedimentos de contratação dessa população.

Refugiados e pessoas que buscam refúgio também participarão da atividade. São Paulo é o estado que abriga a maior população de refugiados no Brasil.

Edição: Graça Adjuto

Serviço de Imigração de Angola detém estrangeiros que tentavam entrar ilegalmente no país



Eduardo Castro
Correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – Vinte e um cidadãos do Mali, da Costa do Marfim, Guiné-Bissau, República da Guiné e do Senegal foram detidos nessa quarta-feira (23) ao tentar desembarcar ilegalmente em Angola. O grupo foi detido em Cacuaco, às 3h, depois de uma denúncia anônima feita ao Serviço de Migração e Estrangeiros Angolano (SME).

Segundo o diretor do SME, Freitas Neto, grandes redes foram estruturadas em países vizinhos para levar cidadãos ilegalmente para Angola. Graças aos negócios do petróleo, Angola tem recebido vários investimentos estrangeiros nos últimos anos, que geraram grande número de novas construções na capital Luanda. A cidade reúne praticamente metade da população angolana e já não garante emprego para seus próprios habitantes.

As redes de imigrantes ilegais contam com o auxílio de funcionários do próprio SME. Nesta semana, uma agente foi surpreendida ao receber US$ 3 mil de um cidadão brasileiro que estava sem a documentação adequada. A funcionária foi detida. De acordo com o diretor, dez agentes já foram presos este ano.

Em Moçambique, mais de 400 cidadãos procedentes do Paquistão, de Bangladesh, da China e Índia aguardam o repatriamento alojados em um centro de formação de agentes alfandegários em Boane, nas proximidades da capital Maputo. Ainda não há previsão de quando serão embarcados de volta. Eles chegaram ao aeroporto de Maputo, procedentes da Etiópia, sem os documentos adequados.

Na última terça-feira (22), dez dos integrantes do grupo tentaram fugir, mas foram recapturados. De acordo com o comando da polícia, três policiais foram detidos recentemente, acusados de facilitar a fuga de três paquistaneses que aguardavam repatriamento. Os agentes teriam recebido suborno de 10 mil meticais - a moeda do país (cerca de R$ 540).

Edição: Graça Adjuto

Navio para resgatar brasileiros na Líbia já navega em direção à cidade de Benghasi



Carolina Pimentel

Brasília – Um navio deixou a Grécia, na tarde de hoje (23), em direção a Benghasi, na Líbia, para resgatar 148 brasileiros que não conseguem sair do país por causa dos protestos violentos contra o governo de Muamar Kadafi, informou o Itamaraty, por meio de nota.

A operação de regaste é feita em parceria com a construtora Queiroz Galvão, que tem funcionários na Líbia. Segundo o Itamaraty, alguns estrangeiros também serão resgatados na operação.

Segundo a Chancelaria brasileira, as autoridades líbias autorizaram a entrada de cinco voos fretados de empresas para a retirada de seus funcionários do país, hoje e amanhã (24).

Estima-se de 500 a 600 brasileiros na Líbia, a maioria vive no país e trabalha para construtoras como a Queiroz Galvão, a Andrade Gutierrez e a Odebrecht, além da Petrobras. De acordo com o Itamaraty, todos os brasileiros estão bem.

Edição: Aécio Amado

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mídia Internacional

21/02/2011