Temor de "êxodo bíblico"
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A violência e o caos em que a Líbia submergiu estão levando centenas de milhares de pessoas a deixar o país, em um dos maiores fluxos de migração dos últimos tempos. Países estão se mobilizando para lidar com o problema e, em uma medida chamada de “gesto humanitário” pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Israel autorizou ontem a entrada de 300 palestinos nos territórios de Gaza e da Cisjordânia. A Cruz Vermelha alertou para o que considera um “risco catastrófico de êxodo em massa” de líbios para a Tunísia. O país já recebeu 5,7 mil tunisianos e líbios, que fugiram por terra da violência na Líbia.
Uma das declarações mais fortes foi a do ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, que disse temer um “êxodo bíblico” de imigrantes procedentes do país árabe. “Sabemos o que nos espera quando o regime líbio cair: uma onda de 200 mil a 300 mil imigrantes. Dez vezes mais que o fenômeno albanês dos anos 1990”, afirmou Frattini em entrevista ao jornal Corriere della Sera. Segundo o chanceler, os imigrantes que tentariam entrar na Itália e na Europa não seriam líbios, mas cidadãos de países da África Subsaariana, que constituem um terço da população da Líbia.
A Itália é uma das principais portas de entrada dos líbios no continente europeu, mas não foi só o governo de Roma que se mostrou preocupado com a situação. Os ministros do Interior de outros cinco países do sul da Europa — França, Espanha, Grécia, Chipre e Malta — solicitaram a criação de um fundo especial para lidar com o elevado fluxo de imigrantes ilegais originado pelas revoltas, não apenas da Líbia, mas de todo o norte da África.
Ainda ontem, a agência da União Europeia (UE) responsável pelas fronteiras do bloco, a Frontex, manifestou preocupação com a questão. Todos os ministros do Interior da UE devem se reunir hoje em Bruxelas para debater as consequências na imigração resultante das revoltas.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) pediu aos países que mantenham as fronteiras abertas para aqueles que fogem da violência da Líbia. “Dados os contínuos relatos de violência e abusos dos direitos humanos dentro da Líbia, é imperativo que as pessoas que estão fugindo do país possam encontrar um lugar seguro”, apelou o Acnur em um comunicado.
O organismo também informou que, após um pedido do governo da Tunísia, uma equipe do Acnur se deslocou para Ras Adjir, na fronteira com a Líbia, onde trabalha em parceria com o Crescente Vermelho Tunisiano e as autoridades do governo. O Acnur informou que seus funcionários relataram um intenso fluxo de pessoas na região. A maioria, segundo a agência, é de tunisianos, mas também há liberianos, turcos, marroquinos e cidadãos de países do Oriente Médio e da África Ocidental.
Renata Tranches
