Powered By Blogger

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cartéis fuzilam jornalista e família




21/06/2011







O crime organizado voltou a estarrecer os mexicanos na manhã de ontem, quando pistoleiros executaram, na própria residência da família, o jornalista Miguél Ángel López, de 55 anos, sua mulher, Agustina Solano, e o filho Misael, de 21 anos. Os três dormiam e foram fuzilados com uma arma de calibre .9mm, a apenas duas quadras da sede da Polícia Intermunicipal de Veracruz. Os investigadores encontraram a porta da frente da casa arrombada, provavelmente por volta das 5h30. Nenhum suspeito foi mencionado inicialmente, mas as pistas apontam para o crime organizado, já que Veracruz é território em disputa entre dois cartéis do narcotráfico.



López, conhecido também como Milovela, era repórter e colunista de um jornal de grande circulação na cidade, o Notiver, e denunciava com frequência as tropelias cometidas pelas gangues, não apenas na região de Veracruz, mas em todo o país. Misael, o filho, também trabalhava no Notiver, como fotógrafo. Nos últimos 30 dias, quatro jornalistas mexicanos tiveram o mesmo fim da família López.



O governador de Veracruz, Javier Duarte, instruiu o procurador de Justiça do estado a investigar o crime "até as últimas consequências". Duarte admitiu que o assassinato da família López não é um caso isolado, mas parte da guerra que sangra o México. Em Veracruz, a violência é fruto do conflito entre a organização criminosa Los Zetas — formada por desertores de uma unidade de elite das forças de segurança — e seus aliados do Cartel do Golfo. A disputa entre quadrilhas pelo controle do tráfico se acentuou em resposta à política do presidente Felipe Calderón, que desde 2006 colocou as Forças Armadas no combate ao crime.



Nesses mais de quatro anos, o México bateu sucessivos recordes anuais de homicídios e acumula mais de 30 mil vítimas da guerra ao narcotráfico. Segundo o jornal Reforma, mais de 10 mil pessoas foram mortas apenas em 2010. A violência tem atingido cada vez mais os profissionais de imprensa.

Ben Ali é condenado a 35 anos de prisão




21/06/2011







O ex-presidente tunisiano Ben Ali e sua mulher, Leila Trabelsi, foram condenados à revelia a 35 anos de prisão, como parte de um processo no qual são julgados por desvio de verbas públicas, anunciou a Justiça. As condenações foram anunciadas no fim da tarde pelo juiz Tuhami Hafi, às quais se somam multas equivalentes a US$ 35 milhões para Ben Ali e a US$ 28 milhões para sua mulher. O juiz também anunciou o adiamento, até 30 de junho, do julgamento de outro caso, para permitir aos advogados designados preparar a defesa.



Na Arábia Saudita, Zine El Abidine Ben Ali chegou a dizer que não abandonou seu cargo de presidente da República e nem fugiu, mas que deixou o país "enganado" por um chefe de segurança, em um comunicado emitido ontem. Seu advogado libanês Akram Azuri afirmou, no entanto, que "isso não quer dizer que Ben Ali ainda se considere presidente da Tunísia". "Saí enganado da Tunísia, Ali el Siriati insistiu em acompanhar minha família a Jidá, na Arábia Saudita, por algumas horas para que os serviços de segurança pudessem liquidar com o complô e garantir minha segurança", explicou na nota enviada à agência France-Presse. Segundo Ben Ali, o ex-chefe de segurança afirmou, em 14 de janeiro, que ele seria assassinado e que o palácio estava cercado.



No processo julgado ontem, Ben Ali e Leila são julgados pela descoberta de grandes quantias de dinheiro, joias, armas e drogas em dois palácios do governo. Segundo um membro de seu entorno, o ex-presidente vê neste julgamento "a ilustração de uma justiça de vencedores construída sobre falsas acusações". Um júri militar analisará as acusações de homicídio e tortura, lavagem de dinheiro e tráfico de peças arqueológicas, que podem render a Ben Ali a pena capital.

Três perguntas para - Ausama Monajed / Entrevista




21/06/2011







Líder do grupo sírio Movimento pela Justiça e pelo Desenvolvimento na Síria



Como o senhor analisa as promessas de reforma de Al-Assad e sua recusa em negociar "em meio ao caos"?



O discurso de Al-Assad ofereceu velhas promessas de reformas, que têm sido repetidas desde que ele herdou a Presidência, uma década atrás. Nenhuma dessas vagas promessas foram implementadas. Nada no histórico de Al-Assad leva o povo sírio ou a comunidade internacional a acreditar que haverá reformas. O diálogo só pode ocorrer quando as ações do regime começarem a mudar. Quando os tanques não mais percorrerem as cidades para esmagar civis que finalmente encontraram sua voz. Apenas depois haverá uma base para um diálogo significativo.



Mas ele anunciou alguma mudança substancial?

Nada de importante. Por exemplo: a abolição do Artigo 8º da Constituição é pré-requisito-chave para qualquer mudança significativa na Síria. Bashar Al-Assad prometeu formar um comitê que consideraria tais reformas constitucionais. É hora de o presidente parar de criar comitês e começar a implementar o que ele promete. Essa promessa, em particular, já tem mais de uma década.



O discurso de Al-Assad tornará as coisas mais calmas no país?

Certamente não. As autoridades têm trabalhado duro para superar o desastre de seu pronunciamento, frente à Assembleia do Povo. Apesar de algumas melhorias no comportamento, Al-Assad mostrou-se beligerante, repetindo ameaças contra supostos militantes armados e conspirações internacionais. O povo sírio está farto dessas mesmas mentidas empregadas por ditadores — da Tunísia ao Egito, ao Iêmen e à Líbia. É preciso mais humildade, quando Al-Assad se vê confrontado com as demandas genuínas de seu povo, incluindo sua insistência em abandonar o poder após quatro longas décadas. Como ativistas pela reforma, nós apenas podemos acompanhar a batalha por uma nova Síria. (RC)

Promessas e ameaças




21/06/2011







O presidente sírio, Bashar Al-Assad, condiciona reformas políticas ao fim do caos, culpa sabotadores pela crise, denuncia conspiração e reconhece chance de mudar a Constituição. Manifestantes tomam as ruas das principais cidades do país e exigem sua renúncia imediata



Rodrigo Craveiro - Os gritos começaram a ecoar às 13h30 (7h30 em Brasília), assim que o presidente Bashar Al-Assad concluiu seu discurso. "Nenhuma negociação com o regime!" e "Abaixo a gangue de Al-Assad" eram algumas das palavras de ordem pronunciadas por 20 mil pessoas que tomaram as ruas cidade de Homs, na região central da Síria. Os protestos logo se espalharam pelo país, num sinal de que a população rejeitou as promessas de seu líder, acusado de massacrar mais de 1,5 mil manifestantes desde 15 de março.



Durante 70 minutos, Al-Assad anunciou a possibilidade de mudanças no país e fez novas ameaças. E deixou claro que não haverá reforma enquanto a nação permanecer imersa na "sabotagem" e no "caos". "O que está ocorrendo hoje nada tem a ver com reforma, tem a ver com vandalismo. Não pode haver desenvolvimento sem estabilidade, e nenhuma reforma por meio do vandalismo. Temos que isolar os sabotadores", declarou, na Universidade de Damasco. "Fazemos distinção entre aqueles (com queixas legítimas) e os sabotadores, representantes de um pequeno grupo que tenta explorar a boa vontade do povo sírio para seus fins."



Al-Assad reconheceu que a Síria vive uma etapa decisiva de sua história. "Um momento que nós queremos que seja, com nossa determinação e nossa vontade, o ponto de virada entre o ontem cheio de problemas e dor, quando sangue inocente foi derramado, e um amanhã cheio de esperança", admitiu. O chefe de Estado revelou sua determinação em buscar a justiça, mas não mencionou os opositores assassinados pelas forças de segurança. "Nós trabalharemos na perseguição e na condenação de todos aqueles que derramaram sangue ou que buscaram derramá-lo", disse, sugerindo uma conspiração internacional, motivada pela "importante posição geopolítica da Síria". "As conspirações são como germes, que se multiplicam a todo instante e em todo lugar, e não podem ser eliminados", comparou o presidente.



No meio do discurso, ao qual o Correio teve acesso, Al-Assad assegurou que a próxima etapa de seu governo será pautada pelo diálogo nacional. "A ideia básica foi lançar um diálogo nacional, no qual integrantes da política, do meio intelectual e da sociedade tomarão parte em um fórum institucional", explicou, ao revelar a fundação de um "comitê de diálogo nacional" e de uma comissão para estudar emendas constitucionais, entre elas o fim da supremacia do Partido Baath. "Uma nova lei enriquecerá a diversidade partidária e permitirá a participação de diferentes tendências na vida política", disse Al-Assad. No entanto, ele condicionou as mudanças ao "fim do caos". "O diálogo nacional pode gerar emendas à Constituição ou uma nova Constituição."



Indignação

As palavras do presidente não comoveram o sírio Abu Qusai. Morador de Homs, por várias vezes ele saiu às ruas para protestar contra Al-Assad. No último dia 10, dois amigos foram capturados pelas forças de segurança — presos, são submetidos a sessões de tortura. "Não tínhamos esperanças em relação ao discurso. O que esperar de alguém que passou 45 anos no poder e nada fez, além de tirania?", critica o publicitário de 28 anos, pela internet.



Qusai lembra que, nos dois primeiros discursos após o início do levante, Al-Assad jurou que não abriria fogo contra os manifestantes. "No mesmo dia, tivemos mártires em várias cidades", destaca. "Como podemos negociar com tanques, balas e tiros?", questiona o ativista, segundo o qual existem milhares de gravações em vídeo que poderiam ser usadas como provas dos assassinatos. De acordo com ele, os manifestantes jamais negociarão, a menos que o presidente renuncie. Em Homs, 20 opositores foram presos ontem, nos distritos de Al-Khaldya, Bab Al-Sbaa e Baba Amr. Protestos foram registrados nos campos de refugiados sírios na Turquia. Para conter a repressão na Síria, a União Europeia estuda novas sanções contra o regime.



Hosni Mubarak estaria com câncer

O advogado Farib Al-Dib revelou que o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak tem câncer de estômago. "Os tumores se multiplicam", disse. O ex-chefe de Estado, de 83 anos, está hospitalizado na Alemanha desde 13 de abril. Ao Correio, o egípcio Mohammed Elshamy disse duvidar da notícia. "É uma tentativa de ele escapar do tribunal. Al-Dib mente", disse o opositor. Mubarak será julgado em agosto por reprimir os protestos e pela corrupção.

Com chances reais, Graziano disputa a diretoria da FAO




21/06/2011







Brasileiro que coordenou o programa Fome Zero durante o governo Lula concorre com candidatos de outros cinco países



Rafael Abrantes - Um dos celeiros do mercado mundial de alimentos, o Brasil tenta, a partir do próximo dia 25, dar mais um passo em direção ao seu reconhecimento como participante ativo das decisões internacionais. José Graziano da Silva, ex-ministro extraordinário da Segurança Alimentar e coordenador do programa Fome Zero durante o governo Lula, é candidato — com chances reais de vitória — ao cargo de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), após 18 anos de mandato do senegalês Jacques Diouf. O agricultor e professor da Universidade Estadual de Campinas disputará votos com outros cinco candidatos — Espanha, Áustria, Indonésia, Irã e Iraque (leia mais ao lado).



Caso eleito, a ambição do brasileiro na entidade condiz com os motivos de sua passagem pelo governo federal: erradicar a fome. “Sua candidatura é oportuna e reflete a notoriedade do Brasil no combate à fome e apoio à agricultura familiar”, afirma Renato Maluf, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Graziano define seu programa para a FAO em cinco pilares: além de eliminar a fome no mundo, propõe o engajamento da organização na produção sustentável de alimentos; atenção aos recursos renováveis de energia e segurança alimentar; mais eficiência nos processos e autonomia de escritórios regionais; e incentivo às relações Sul-Sul. O resultado das eleições sairá em 2 de julho.



Especialistas veem com otimismo a presença brasileira na disputa e concordam que, se bem sucedida, traria a oportunidade de mais apoio da FAO à agricultura familiar e investimentos na segurança da produção de alimentos. Entre 2004 e 2009, 30,2% dos lares brasileiros apresentavam índices de insegurança alimentar, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



Para José Maria da Silveira, professor de Economia e colega de Graziano na Unicamp, o grande desafio do brasileiro será dinamizar as estruturas “burocráticas e desorganizadas” da FAO, além de enfrentar o cenário de volatilidade e alta nos preços dos alimentos previsto entre 2011 e 2020. Segundo a FAO, a cotação da cesta de commodities de alimentos em maio estava 37% mais cara que no mesmo mês em 2010, e superando o pico de preços do período précrise de 2008. Silveira aponta o fortalecimento de cadeias de renda locais ligadas à agricultura e o desenvolvimento territorial como medidas que possam consolidar a segurança alimentar. “Não pode haver países importadores de alimentos”, diz.



Silveira cita ainda o conflito de interesses na agricultura mundial, como, por exemplo, as pressões dos europeus pelo controle dos preços de commodities em oposição à competitividade de produção de países latino- americanos e a complacência histórica das economias industriais com a degradação do meio ambiente. “Minha estratégia seria não penalizar os países ricos, mas exigir uma agricultura sustentável”. A tarefa deverá exigir do próximo diretor, além de conhecimento técnico, traquejo político na condução de negociações e diretrizes que interferirão no mercado.



Já na avaliação de Maluf, conta a favor do brasileiro sua experiência em gestão pública adquirida com o planejamento, em 2003, do conjunto de programas que formaram o Fome Zero. A política, no entanto, mostra- se vital neste momento para que o principal objetivo de Graziano seja concretizado a partir do ano que vem. “A erradicação da fome depende de vontade política e articulação de forças, e esta meta não dependerá apenas da FAO”, diz Francisco Menezes, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).