Por que a direita perdeu o Senado na França?
Patrick Roger
Em Paris
Le Monde
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Embora os sucessos registrados nas eleições territoriais desde 2004 e os sucessivos progressos em renovações senatoriais anteriores pudessem alimentar a hipótese de uma vitória da esquerda, no domingo (25), no Palácio do Luxemburgo [sede do Senado], dá-la por certa teria sido bem arriscado. A conquista de 25 cadeiras adicionais ultrapassou as simples projeções eleitorais.
Não foi nos departamentos mais urbanos e povoados, elegendo seus senadores em votação proporcional, que a esquerda teve seu crescimento: sua progressão não foi além das expectativas que ela havia colocado ali, exceto somente pelos Hauts-de-Seine, onde ela se beneficiou com divisões dentro da direita para conseguir uma cadeira adicional que estava longe de certa.
Em outras partes, a direita conseguiu limitar os danos e até surpreender em Moselle, onde, embora esteja saindo dispersa, tomou uma cadeira do Partido Socialista. A estratégia, combinada ou forçada, de listas separadas, não foi tão prejudicial à direita quanto ela afirmava.
Foi nos departamentos mais rurais que a esquerda registrou conquistas às vezes inesperadas. Os primeiros resultados do primeiro turno mostraram um nítido enfraquecimento do desempenho dos candidatos da maioria, particularmente os da UMP. Ao passo que os candidatos cuja reeleição estava longe de estar garantida obtiveram um sucesso espetacular.
É, entre outros, o caso de Jean-Pierre Sueur, senador socialista, ex-prefeito de Orléans e ex-ministro, reeleito longo no primeiro turno no Loiret, departamento fortemente ancorado à direita, enquanto o presidente do conselho geral, Eric Doligé (UMP), teve de enfrentar um segundo turno. O mesmo aconteceu com a senadora (PS) em final de mandato Odette Herviaux em Morbihan, sendo que ela enfrentava o presidente do conselho geral, François Goulard (UMP).
Em uma configuração diferente, a senadora em final de mandato Jacqueline Gourault (MoDem), muito próxima de François Bayrou, também obteve logo no primeiro turno sua passagem de volta ao Senado, enquanto o presidente do conselho geral, Maurice Leroy (Novo Centro), ministro da Cidade no governo de François Fillon, foi derrotado. Tanto para Goulard quanto para Leroy, a sanção foi ainda amplificada no segundo turno, uma vez que foram derrotados. Em Morbihan, as três cadeiras voltaram para a esquerda.
Foram reviravoltas surpreendentes, perdas imprevistas da maioria, que também se puderam observar em Indre-et-Loire, no Loire, no Lot-et-Garonne ou nos Pirineus Orientais, mesmo que neste último caso haja dissensões internas no UMP. O último alerta grave foi a derrota em Lozère do senador Jacques Blanc (UMP), ex-presidente do conselho regional do Languedoc-Roussillon, eleito com quase 78% dos votos na renovação anterior.
Foram esses departamentos rurais que deram a vitória à esquerda. Tanto à direita quanto à esquerda, os especialistas examinaram esse fenômeno e o atribuem a um conjunto de razões. A principal, provavelmente, tem a ver com a evolução sociológica das populações urbanas, constatada há cerca de quinze anos, e consequentemente dos parlamentares rurais. A imagem do prefeito-agricultor tem se apagado por trás do novo perfil de um jovem aposentado, muitas vezes ex-funcionário público, que trabalhou na cidade e veio se instalar em setor periurbano. A constatação já havia sido feita após a renovação senatorial de 2008, e foi confirmada agora.
A direita também tem pago pelos efeitos da reforma territorial. O brusco reagrupamento de comunas, conduzido sob a autoridade dos governadores, suscitou o temor por uma volta da centralização administrativa e avivou as inquietudes sobre a autonomia financeira das coletividades. Os presidentes de conselhos gerais da maioria, que supostamente não conseguiram defender seus territórios, pagaram caro por isso.
Em um registro mais político, os candidatos às eleições senatoriais constataram que o anti-sarkozysmo das campanhas continua a progredir. O clima das relações internas contribuiu bastante para reavivá-lo. A condenação das coletividades territoriais, acusadas de serem dispendiosas e irresponsáveis, irritou muitos representantes locais. “Estamos sofrendo tudo de uma vez”, reconhece Jean-Claude Gaudin, presidente da bancada UMP no Senado, “uma crise econômica e financeira e uma crise política”.
Por fim, os holofotes voltados para a instituição senatorial durante os últimos dias de campanha, fazendo surgir a possibilidade de uma mudança, de certa maneira contribuíram para politizar o resultado da eleição.
Normalmente, os chamados representantes sem partido, mesmo quando têm tendência esquerdista, se livram facilmente das fronteiras partidárias contanto que tenham uma apreciação favorável sobre determinado candidato que não seja necessariamente de sua ideologia, sobretudo quando se trata de um senador em fim de mandato. O colégio eleitoral, desta vez, claramente se apropriou da questão política. E aquilo que não passava de uma hipótese incerta se confirmou nas urnas.
A transformação do Senado demonstra ao mesmo tempo a mudança sociológica das campanhas e a consequência dos erros metodológicos e psicológicos que alimentaram um sentimento crescente de rejeição ao poder executivo. O primeiro dever do “novo Senado” será tecer novos laços de confiança com as coletividades territoriais, cuja representação ele garante.

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