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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Por que a direita perdeu o Senado na França?

Patrick Roger
Em Paris
Le Monde

Embora os sucessos registrados nas eleições territoriais desde 2004 e os sucessivos progressos em renovações senatoriais anteriores pudessem alimentar a hipótese de uma vitória da esquerda, no domingo (25), no Palácio do Luxemburgo [sede do Senado], dá-la por certa teria sido bem arriscado. A conquista de 25 cadeiras adicionais ultrapassou as simples projeções eleitorais.
Não foi nos departamentos mais urbanos e povoados, elegendo seus senadores em votação proporcional, que a esquerda teve seu crescimento: sua progressão não foi além das expectativas que ela havia colocado ali, exceto somente pelos Hauts-de-Seine, onde ela se beneficiou com divisões dentro da direita para conseguir uma cadeira adicional que estava longe de certa.
Em outras partes, a direita conseguiu limitar os danos e até surpreender em Moselle, onde, embora esteja saindo dispersa, tomou uma cadeira do Partido Socialista. A estratégia, combinada ou forçada, de listas separadas, não foi tão prejudicial à direita quanto ela afirmava.
Foi nos departamentos mais rurais que a esquerda registrou conquistas às vezes inesperadas. Os primeiros resultados do primeiro turno mostraram um nítido enfraquecimento do desempenho dos candidatos da maioria, particularmente os da UMP. Ao passo que os candidatos cuja reeleição estava longe de estar garantida obtiveram um sucesso espetacular.
É, entre outros, o caso de Jean-Pierre Sueur, senador socialista, ex-prefeito de Orléans e ex-ministro, reeleito longo no primeiro turno no Loiret, departamento fortemente ancorado à direita, enquanto o presidente do conselho geral, Eric Doligé (UMP), teve de enfrentar um segundo turno. O mesmo aconteceu com a senadora (PS) em final de mandato Odette Herviaux em Morbihan, sendo que ela enfrentava o presidente do conselho geral, François Goulard (UMP).
Em uma configuração diferente, a senadora em final de mandato Jacqueline Gourault (MoDem), muito próxima de François Bayrou, também obteve logo no primeiro turno sua passagem de volta ao Senado, enquanto o presidente do conselho geral, Maurice Leroy (Novo Centro), ministro da Cidade no governo de François Fillon, foi derrotado. Tanto para Goulard quanto para Leroy, a sanção foi ainda amplificada no segundo turno, uma vez que foram derrotados. Em Morbihan, as três cadeiras voltaram para a esquerda.
Foram reviravoltas surpreendentes, perdas imprevistas da maioria, que também se puderam observar em Indre-et-Loire, no Loire, no Lot-et-Garonne ou nos Pirineus Orientais, mesmo que neste último caso haja dissensões internas no UMP. O último alerta grave foi a derrota em Lozère do senador Jacques Blanc (UMP), ex-presidente do conselho regional do Languedoc-Roussillon, eleito com quase 78% dos votos na renovação anterior.
Foram esses departamentos rurais que deram a vitória à esquerda. Tanto à direita quanto à esquerda, os especialistas examinaram esse fenômeno e o atribuem a um conjunto de razões. A principal, provavelmente, tem a ver com a evolução sociológica das populações urbanas, constatada há cerca de quinze anos, e consequentemente dos parlamentares rurais. A imagem do prefeito-agricultor tem se apagado por trás do novo perfil de um jovem aposentado, muitas vezes ex-funcionário público, que trabalhou na cidade e veio se instalar em setor periurbano. A constatação já havia sido feita após a renovação senatorial de 2008, e foi confirmada agora.
A direita também tem pago pelos efeitos da reforma territorial. O brusco reagrupamento de comunas, conduzido sob a autoridade dos governadores, suscitou o temor por uma volta da centralização administrativa e avivou as inquietudes sobre a autonomia financeira das coletividades. Os presidentes de conselhos gerais da maioria, que supostamente não conseguiram defender seus territórios, pagaram caro por isso.
Em um registro mais político, os candidatos às eleições senatoriais constataram que o anti-sarkozysmo das campanhas continua a progredir. O clima das relações internas contribuiu bastante para reavivá-lo. A condenação das coletividades territoriais, acusadas de serem dispendiosas e irresponsáveis, irritou muitos representantes locais. “Estamos sofrendo tudo de uma vez”, reconhece Jean-Claude Gaudin, presidente da bancada UMP no Senado, “uma crise econômica e financeira e uma crise política”.
Por fim, os holofotes voltados para a instituição senatorial durante os últimos dias de campanha, fazendo surgir a possibilidade de uma mudança, de certa maneira contribuíram para politizar o resultado da eleição.
Normalmente, os chamados representantes sem partido, mesmo quando têm tendência esquerdista, se livram facilmente das fronteiras partidárias contanto que tenham uma apreciação favorável sobre determinado candidato que não seja necessariamente de sua ideologia, sobretudo quando se trata de um senador em fim de mandato. O colégio eleitoral, desta vez, claramente se apropriou da questão política. E aquilo que não passava de uma hipótese incerta se confirmou nas urnas.
A transformação do Senado demonstra ao mesmo tempo a mudança sociológica das campanhas e a consequência dos erros metodológicos e psicológicos que alimentaram um sentimento crescente de rejeição ao poder executivo. O primeiro dever do “novo Senado” será tecer novos laços de confiança com as coletividades territoriais, cuja representação ele garante.
 

Lições latino-americanas da crise na Líbia (IRIS, 29/08/2011)

Leçons latino-américaines de la crise libyenne (IRIS, 29/08/2011) Jean-Jacques Kourliandsky, pesquisador no IRIS (Institut de Relations Internationales et Strategiques)

Lições latino-americanas da crise na Líbia (Paris, 29/08/2011)
Tradução : Embaixada do Brasil em Paris
A queda do regime de Muamar Gadafi deixou os latino-americanos em geral, os argentinos e os mexicanos em particular, sem voz. Aprovam? Condenam? São indiferentes aos direitos humanos e dos povos? Uma certeza, apesar de tudo: seus dirigentes não compartilharam o entusiasmo democrático que a França, o Reino Unido e os Estados Unidos demonstraram ao empregar a via militar. Alguns dirigentes, os do Brasil, do Equador e da Venezuela, expressaram isso de maneira mais ou menos evidente. Essa reserva e esse mau humor foram objeto do espanto ocidental e foram atribuídos ao passado ético militante de numerosas autoridades latino-americanas. Como a brasileira Dilma Rousseff, ex-prisioneira política torturada por uma ditadura militar; José “Pepe” Mujica, presidente uruguaio que passou longos anos na cadeia; Evo Morales, ativista boliviano das causas indígenas, Cristina Kirchner, peronista de esquerda, puderam apresentar reservas democráticas a uma operação aprovada pela ONU, executada em nome da liberdade contra um autocrata excêntrico, sem piedade com os seus opositores?

A resposta não é óbvia. Colocada em termos de universalidade ética, justifica de fato surpresa, arrependimentos e críticas. Mas essa será mesmo a verdadeira pergunta? A pergunta posta nesses termos é pertinente? O rolo compressor do pensamento único, fabricado no Ocidente e difundido por uma série impressionante de mídias e de laboratórios de idéias, provoca cada vez mais cegueira crítica, incapacidade de ouvir e entender outras visões do mundo. A democracia, lembra Amartya Sen, indiano que recebeu o prêmio Nobel de economia, é o bem mais compartilhado (1). A tal ponto, aliás, que cada um deles, ao sul dos meridianos de Londres, Paris e Washington, sente-se no direito de propor sua leitura e um “manual de instruções” próprio. Atualmente, as grandes democracias da América Latina querem ter sua voz ouvida e dividir com as democracias mais antigas um direito de fiscalização e de decisão nos assuntos do planeta. Em resumo, no que diz respeito à Líbia, Argentina, Brasil, México e seus vizinhos condenaram a repressão da população pelo regime. Mas a maior parte rejeitou a pretensão de alguns países, membros de uma organização militar herdada da Guerra Fria, a OTAN, de querer sozinhos ditar a lei e impô-la com suas armas.

Equador, Nicarágua e Venezuela condenaram o recurso à pretendida guerra justa, entendida do seu ponto de vista como neocolonial. A Nicarágua indicou que receberia Muamar Gadafi, se este pedisse. O Brasil, emergente, ao se abster, deixou passar a resolução 1973 do Conselho de Segurança no dia 17 de março de 2011, em nome da responsabilidade de proteger os civis, novo direito adotado pelas Nações Unidas em 2005. Antonio Patriota, seu Ministro das Relações Exteriores, tinha justificado frente aos parlamentares brasileiros o sinal amarelo dado aos Estados Unidos, à França e ao Reino Unido. Como o roteiro inicial não foi respeitado, o Brasil e outros países manifestaram uma crescente irritação. Com o grupo IBAS (2), ou seja, com Índia e África do Sul, multiplicaram-se as iniciativas diplomáticas visando a colocar de novo a intervenção militar nos trilhos da resolução. A queda do regime líbio foi admitida de maneira realista como um fato consumado. O Brasil contatou os rebeldes. Mas não reconheceu como legítimo o CNT, o Conselho Nacional de Transição. Ele espera a constituição de um governo de coalizão. Está aguardando o dia 21 de setembro e a decisão do Comitê das Cartas Credenciais das Nações Unidas.

De imediato, as lições da crise líbia e o desrespeito da OTAN e da França à resolução 1973 têm uma incidência sobre a gestão a respeito da situação na Síria. O grupo IBAS foi a Damasco para defender uma democratização sem interferências externas. A paz não tem nada a ver com operações militares, declarou o Ministro das Relações Exteriores. O Brasil  mantém contato com todos os excluídos da crise líbia, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a China, a Índia, a Rússia, a África do Sul, a Liga Árabe, o Benin e também seus vizinhos do Mercosul para estudar as convergências e inventar, como em 2003 na OMC, um modo coletivo de gestão das crises internacionais. A democracia, sim, dizem os membros do grupo IBAS. O Brasil, lembrou Antonio Patriota, “apóia as aspirações à liberdade e à democracia” dos povos líbios e sírios. Acrescentou que “o Brasil, porém, considera que intervenções militares e democracia são incompatíveis”. Patriota julga que a comunidade internacional tem uma responsabilidade que não poderia limitar-se à sua parte “ocidental”.
Essa necessidade de acordo colegiado, pelo jeito, não é compreendida ou aceita pelas potências democráticas instaladas. Apesar de ter assinado um pacto estratégico com o Brasil em dezembro de 2008, a França gravita hoje cada vez mais longe desse país. Os atritos se multiplicam no comércio, na economia e na diplomacia. São ainda mais ásperos na medida em que a posição econômica de uns e outros evolui. A Europa e os Estados Unidos estão em crise e endividados. Os emergentes, no entanto, se desenvolvem, crescem e acumulam divisas. A Venezuela decidiu reinvestir suas reservas em euros e em dólares na China e na Rússia. O Brasil, contando com seus avanços econômicos e sociais, ergue-se como modelo e reivindica os dividendos diplomáticos. Definirá o perímetro da sua defesa em um Livro Branco que está sendo elaborado. Mantém com a Argentina uma cooperação nuclear, civil, cujos objetivos foram relembrados no 18 de julho de 2011 (3). Em 2010, com a Turquia, chamou a atenção do Ocidente em relação ao Irã. Prossegue suas iniciativas diplomáticas refundadoras com os BRIC e IBAS nos casos da Líbia e da Síria. As revoluções árabes, na sua diversidade, definem um Magreb e um Machrek novos. Mas a ruptura geopolítica poderia ir muito mais além e abranger as Nações Unidas. Obviamente, o Brasil e os emergentes desejam, no Irã, na Líbia e na Síria, construir os alicerces de um mundo organizado de maneira multilateral.

A América Latina pode ser qualificada de Extremo Ocidente (4). Este extremo, que por vezes é esquecido de Paris a Washington, foi ocidentalizado à força, seja ela espanhola, portuguesa, francesa ou norte americana. Isso predispõe à crítica das armas e à busca de garantias. “From the halls of Montezuma to the shores of Tripoli” (“Dos salões de Montezuma à costa de Trípoli”), cantam numa música de “cancã francês” as tropas dos fuzileiros navais  dos Estados Unidos desde 1879. Este hino marcial acompanha a partir desta data as intervenções militares de Washington. Foi escutado atentamente no seu contexto, do México até a Líbia. Hoje,  encontra-se diluído no turbilhão dos produtos musicais cada vez mais audíveis fabricados em Bollywood e no Sambódromo do Rio.

(1) Amartya Sen, La démocratie des autres, pourquoi la démocratie n’est pas une invention de l’Occident Paris, Payot, 2005. (A democracia dos outros, por que a democracia não é uma invenção do Ocidente).
(2) IBAS= Índia, Brasil, África do Sul, grupo constituído em 2003 na véspera da Conferência da OMC organizada em Cancun, México.
(3) Declaração dos Ministros das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota e Héctor Timerman
(4) Alain Rouquié, Extremo Ocidente : Introdução à América latina, Edusp, 1991.

****
original em francês
La chute du régime libyen de Mouammar Kadhafi a laissé les Latino-américains en général, les Argentins et les Mexicains en particulier, sans voix. Approuvent-ils ? Condamnent-ils ? Sont-ils indifférents aux droits de l’homme et des peuples ? Une certitude malgré tout, leurs dirigeants n’ont pas partagé l’enthousiasme démocratique affiché manu militari par ceux de la France, du Royaume Uni et des Etats-Unis. Certains, ceux du Brésil, d’Equateur, et du Venezuela, l’ont dit à voix plus ou moins haute. Cette discrétion et cette mauvaise humeur ont fait l’objet d’un étonnement occidental, peiné, justifié par le passé éthique militant de nombreux responsables latino-américains. Comment la brésilienne Dilma Rousseff, ancienne prisonnière politique torturée par une dictature militaire, José « Pepe » Mujica, président uruguayen qui a passé de longues années en prison, Evo Morales, activiste bolivien des libertés indiennes, Cristina Kirchner, péroniste de gauche, ont-ils pu rester en réserve démocratique d’une opération bénéficiant du label onusien menée au nom des libertés contre un autocrate fantasque, sans pitié à l’égard de ceux qui lui résistent ?

La réponse n’est pas évidente. Posée en termes d’universalité éthique, elle justifie en effet surprise, regrets et critiques. Mais la réelle question est-elle vraiment celle-là ? En d’autres termes, est-il pertinent de la poser ainsi ? Le rouleau compresseur de la pensée unique fabriquée en Occident et diffusée par un éventail impressionnant de médias et de laboratoires d’idées provoque de plus en plus souvent un aveuglement critique, une incapacité à écouter et à comprendre d’autres partitions du monde. La démocratie, rappelle Amartya Sen, prix Nobel indien d’économie, est la chose la mieux partagée (1). Au point d’ailleurs que tout un chacun, au sud des méridiens de Londres, Paris et Washington, se sent le droit d’en proposer une lecture et un mode d’emploi particuliers. Les grandes démocraties d’Amérique latine entendent aujourd’hui dire leur mot, et partager avec les démocraties plus anciennes un droit de regard et de décision sur les affaires du globe. En clair, concernant la Libye, Argentine, Brésil, Mexique et leurs voisins ont condamné la répression des populations par le régime. Mais la plupart ont également rejeté la prétention de quelques pays, membres d’une organisation militaire héritée de la guerre froide, l’OTAN, à vouloir seuls dire le droit et à l’imposer avec leurs armes.

Equateur, Nicaragua, Venezuela, ont condamné le recours à la prétendue guerre juste, perçue de leur point de vue comme néocoloniale. Le Nicaragua a signalé qu’il accueillerait Mouammar Kadhafi, si ce dernier en faisait la demande. Le Brésil, émergent local, en s’abstenant, a laissé filer la résolution 1973 du Conseil de sécurité le 17 mars 2011, au nom de la protection des civils, droit nouveau adopté par les Nations unies en 2005. Antonio Patriota, son ministre des Affaires étrangères, avait justifié devant les parlementaires de son pays le feu orange ainsi accordé aux Etats-Unis, à la France et à la Grande Bretagne. Le scénario initial n’ayant pas été respecté, le Brésil et d’autres pays ont manifesté un agacement croissant. Avec le groupe IBAS (2), soit avec l’Inde et l’Afrique du Sud, il a multiplié les initiatives diplomatiques visant à remettre l’intervention militaire sur les rails de la résolution. La chute du régime libyen a été de façon réaliste admise comme un fait accompli. Le Brésil a pris contact avec l’opposition. Mais il n’a pas pour autant reconnu comme légitime le CNT, le Conseil national de transition. Il espère la constitution d’un gouvernement de coalition. Il attend le 21 septembre et la décision qu’adoptera le Comité des lettres de créance des Nations unies.

D’ores et déjà, les leçons de la crise libyenne, le non respect par l’OTAN et la France de la résolution 1973, ont une incidence sur la gestion du dossier syrien. Le groupe IBAS a visité Damas, pour défendre une démocratisation sans interférences extérieures. La paix n’a rien à faire avec les opérations militaires, a déclaré le ministre brésilien des Affaires étrangères. Le Brésil se concerte tous azimuts avec les exclus de la crise libyenne, l’ASEAN, la Chine, l’Inde, la Russie, l’Afrique du Sud, la Ligue arabe, le Bénin, et avec ses voisins du Mercosul pour explorer les convergences et inventer comme en 2003 à l’OMC, un mode collectif de gestion des crises internationales. La démocratie oui, disent les membres du groupe IBAS. « Le Brésil, a rappelé Antonio Patriota, soutient les aspirations à la liberté et à la démocratie » des peuples libyen et syrien. « Mais le Brésil, a-t-il ajouté, considère qu’interventions militaires et démocratie sont incompatibles ». Il estime que la communauté internationale a une responsabilité qui ne saurait se limiter à sa partie « occidentale ».

Cette exigence de collégialité n’est de toute évidence pas comprise, ou acceptée, par les puissances démocratiques installées. Bien qu’ayant signé un pacte stratégique avec le Brésil en décembre 2008, la France gravite aujourd’hui de plus en plus loin du Brésil. Les frottements se multiplient, dans le commerce, l’économie, comme la diplomatie. Ils sont d’autant plus rugueux que la position économique respective des uns et des autres évolue. L’Europe et les Etats-Unis sont en crise et endettés. Les émergents en revanche poussent, croissent et accumulent les devises. Le Venezuela a décidé de redéployer ses réserves en euros et en dollars en Chine et en Russie. Le Brésil, fort de ses avancées économiques et sociales, se pose en modèle et en revendique les dividendes diplomatiques. Il définit le périmètre de sa défense dans un Livre Blanc en cours d’élaboration. Il poursuit avec l’Argentine une coopération nucléaire, civile, dont les objectifs ont été rappelés le 18 juillet 2011 (3). Il a, en 2010, secoué le cocotier occidental avec la Turquie concernant l’Iran. Il poursuit sa démarche diplomatique refondatrice avec les BRIC et l’IBAS à propos de la Libye et de la Syrie. Les révolutions arabes, dans leur diversité, définissent un Maghreb et un Machrek nouveaux. Mais la rupture géopolitique pourrait aller bien au-delà et concerner les Nations unies. Le Brésil et les émergents, de toute évidence, entendent poser, d’Iran en Libye et à la Syrie, les fondations d’un monde géré de façon multilatérale.

L’Amérique latine a pu être qualifiée d’Extrême occident (4). Cet extrême, ce que l’on oublie parfois de Paris à Washington, a été occidentalisé par la force, qu’elle soit espagnole, portugaise, française ou nord- américaine. Cela prédispose à la critique des armes et à la quête de garanties. « From the halls of Montezuma to the shores of Tripoli » (« Des salons de Montezuma aux côtes de Tripoli »), chantent sur un air de cancan les troupes de marine des Etats-Unis depuis 1879. Cet hymne martial accompagne depuis cette date les interventions militaires de Washington. Il a été écouté d’une oreille attentive dans son contexte, du Mexique à la Libye. Il est aujourd’hui brouillé par les contre mesures musicales de plus en plus audibles fabriquées à Bollywood et au Sambodrome de Rio.

(1) Amartya Sen, La démocratie des autres, pourquoi la démocratie n’est pas une invention de l’Occident, Paris, payot, 2005
(2) IBAS= Inde, Brésil, Afrique du sud, groupe constitué en 2003 à la veille de la conférence de l’OMC organisée à Cancún, Mexique
(3) Déclaration des ministres des affaires étrangères, Antonio de Aguiar Patriota et Héctor Timerman
(4) Alain Rouquié, Introduction à l’extrême occident, Paris, Seuil, Points, 1998

Brasil–Uruguai - Nota Conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Fazenda

Autoridades do Brasil e do Uruguai reuniram-se hoje, dia 27 de setembro, em Brasília, para tratar das recentes medidas tomadas no marco do Plano Brasil Maior referentes ao setor automotivo. As autoridades dos dois países coincidiram quanto à importância de uma resposta conjunta frente aos desafios do atual cenário econômico internacional. Reiteraram, nesse sentido, o entendimento comum sobre a necessidade de preservar a estrutura produtiva e os empregos na região, em particular no setor industrial.Acordaram aprofundar a integração produtiva das suas economias, objetivo que envolve o estimulo à constituição de “joint-ventures” entre empresas dos dois países. Em particular, acordaram incentivar o aprofundamento da integração produtiva entre empresas da cadeia automotiva, com vistas à aceleração do ritmo de incorporação de conteúdo regional de automóveis e autopeças.
O Brasil comprometeu-se a adotar, no prazo mais breve possível, as medidas necessárias para que os automóveis contemplados no marco do Acordo de Complementação Econômica Nº 2 entre Brasil e Uruguai sejam beneficiados com a redução do IPI de que trata a Medida Provisória Nº 540.
Acordaram, ademais, promover conjuntamente a aprovação de mecanismo no Mercosul que autorize os Estados Partes a adotarem, respeitadas as tarifas consolidadas na OMC, elevações tarifárias transitórias consensuadas para até 100 códigos da NCM.
Acordaram, ainda, promover conjuntamente a implementação de mecanismos para consolidação e desenvolvimento dos fluxos comerciais intrazona, incluindo a harmonização ou eliminação progressiva de restrições não tarifárias e contemplando situação particular dos sócios de menor tamanho econômico.
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L'ONU appelle Israéliens et Palestiniens à donner une chance à la diplomatie

Le Secrétaire général adjoint des Nations Unies aux affaires politiques, B. Lynn Pascoe.
27 septembre 2011 –
Dans un exposé sur la situation au Moyen–Orient devant le Conseil de sécurité, le Secrétaire général adjoint des Nations Unies aux affaires politiques, B. Lynn Pascoe, a appelé mardi les Israéliens et les Palestiniens à donner une chance à la diplomatie alors que le Conseil de sécurité doit examiner mercredi la candidature de la Palestine pour devenir un Etat membre à part entière des Nations Unies.
« Plus d'une semaine de diplomatie intensive aux Nations Unies a souligné l'aptitude institutionnelle de l'Autorité palestinienne à diriger un Etat », a déclaré B. Lynn Pascoe devant les membres du Conseil de sécurité.

« Personne ne peut nier la profondeur de la dispute. Mais il y a maintenant des éléments constitutifs en place qui pourraient aider à rendre efficace les négociations comme jamais auparavant », a-t-il ajouté.

« Il est temps pour tout le monde de donner une chance à la diplomatie », a-t-il insisté.

Le Président de l'Autorité palestinienne, Mahmoud Abbas, a remis vendredi au Secrétaire général de l'ONU, Ban Ki-moon, une lettre de candidature de la Palestine pour devenir membre des Nations Unies. Cette lettre a été transmise par le Secrétaire général au Président du Conseil de sécurité.

De son côté, le Premier ministre israélien, Benjamin Netanyahu, a reproché vendredi aux Palestiniens de vouloir un Etat sans la paix. « Et vous ne devriez pas laisser cela se produire », a-t-il dit à l'adresse des autres Etats membres des Nations Unies.

Lundi, le Conseil de sécurité de l'ONU a décidé d'examiner la candidature de la Palestine pour devenir un Etat membre lors d'une séance prévue mercredi matin afin de la transmettre à son Comité permanent sur les admissions.

Le Quatuor (Etats-Unis, Russie, Union européenne et ONU) a pour sa part pris note de la candidature palestinienne tout en appelant à la reprise des négociations, a indiqué M. Pascoe.

Le chef des affaires politique de l'ONU a rappelé qu'il existe un consensus sur l'idée qu'institutionnellement l'Autorité palestinienne est capable de diriger un Etat.

« Je souligne les réalisations en matière de consolidation de l'Etat pour une raison : les principaux obstacles à l'Etat palestinien ne sont pas institutionnels mais politiques : les problèmes non résolus dans le conflit entre les parties, l'occupation israélienne continue et l'actuelle division palestinienne », a précisé M. Pascoe.

Le Quatuor a réitéré les obligations des deux parties à respecter la Feuille de route.

« Reprendre les négociations et en faire des progrès est plus facile à dire qu'à faire, comme l'on démontré les discours éloquents et profonds des deux dirigeants à l'Assemblée générale. Pourtant malgré les frustrations et le manque de confiance l'un vis-à-vis de l'autre, chacun à tendu la main pour la paix et les deux parties ont entrepris d'examiner l'appel du Quatuor », a-t-il dit.

Face à l'augmentation des destructions de logements palestiniens depuis le début de l'année 2011, M. Pascoe a rappelé que les colonies sont illégales et contraires aux engagements d'Israël contenus dans la Feuille de route.

Sur la situation en Syrie, il a souligné l'importance de faire la lumière sur toutes les violations des droits de l'homme commises en Syrie depuis le début mars.