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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Quirguistão: Massacre étnico causa êxodo

14/06/2010
Internacional
Bishkek – Uma multidão quirguiz incendiou casas e cafés uzbeques e assassinou muitos habitantes no pior massacre étnico registrado no Quirguistão em 20 anos. Autoridades quirguizes disseram que ao menos 113 pessoas foram mortas e 1.200 ficaram feridas desde que a violência começou. Mais de 75 mil uzbeques fugiram e atravessaram a fronteira do Uzbequistão, tentando se livrar das balas em uma corrida desesperada em busca de segurança. Triunfantes, os quirguizes tomaram o controle da cidade de Osh, de cerca de 250 mil habitantes e a segunda maior cidade do Quirguistão, país pobre da Ásia Central e em grave crise política e econômica. Poucos uzbeques ainda constroem barricadas em seus bairros. Incêndios são encontrados em toda a cidade e comida é rara. Policiais e militares não são encontrados na cidade.

O Sul do Quirguistão, etnicamente misto, com uma minoria uzbeque e uma maioria quirguiz, tem sido o ponto de partida para desordens na nação desde o golpe de Estado, em abril, que derrubou do poder o então presidente Kurmanbek Bakiyev. Autoridades acusam seguidores de Bakiyev – que tem sua base política justamente no Sul do país – de dar início aos tumultos para enfraquecer o governo interino. Bakiev fugiu do país. Os uzbeques apoiaram o governo interno, enquanto muitos quirguizes no Sul apoiaram o presidente deposto.

Os Estados Unidos, a Rússia e a Organização das Nações Unidas expressaram preocupação diante da escala de violência registrada e discutiram como podem ajudar os refugiados. A Rússia enviou um batalhão extra para proteger sua base área no Nordeste do país.

A maioria dos refugiados uzbeques na fronteira são pessoas idosas, mulheres e crianças, com os homens permanecendo nas propriedades para defendê-las. Muitos chegaram com ferimentos de balas, de acordo com informações do Ministério de Emergência do Uzbequistão publicadas na imprensa russa. “Nós vimos muitos mortos. Eu vi um homem morrer depois de ser atingido por uma bala no peito", contou Ziyeda Akhmedova, uma mulher uzbeque em torno de 30 anos em um dos muitos campos armados rapidamente na fronteira do Uzbequistão para amparar os refugiados.

A presidenta interina Roza Otunbayeva culpou Bakiyev por instigar o massacre, dizendo que o objetivo era impedir o referendo constitucional de 27 de junho e as novas eleições programadas para outubro. De seu exílio na Bielorrússia, ele negou qualquer papel na violência e culpou as autoridades interinas por fracassarem em proteger a população.

No sábado, o governo interino autorizou que as tropas militares atirassem nos manifestantes para matar, mas mesmo isso não impediu o crescimento da violência. Médicos dizem que o número exato de vítimas pode ser bem maior porque as minorias uzbeques feridas estão com muito medo de serem atacadas novamente para irem até os hospitais.

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