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segunda-feira, 30 de maio de 2011

A década brilhante da América Latina


Assunto:

Resenha:



A impressão sobre os mercados da região foi igualmente otimista no início dos anos 1980. Será diferente desta vez?



Projetc Syndicate



O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) foi o primeiro a dizer que este seria o “decênio da América Latina”. Depois, foi a revista “The Economist” a se apropriar da ideia, então repetida por incontáveis apologistas e especialistas.



Nada como um pouco de crescimento econômico para fazer salivar os expertos. E a América Latina, de fato, está crescendo: 6% no ano passado e 4,75% em 2011, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em comparação com os resultados bem menos animadores das últimas três décadas, parece quase uma velocidade de decolagem e, se considerarmos ainda o deprimente desempenho recente da América do Norte e Europa, o ritmo da economia da região chega a ser supersônico.



Os mercados de valores da América Latina têm experimentado um marcado crescimento desde o início da crise, assim como os preços dos imóveis nos poucos países que complicam dados sobre o mercado de habitação. Não é de estranhar que tanta gente está entusiasmada com as perspectivas.



A impressão sobre a América Latina foi igualmente otimista no início da década de 1980. Havia abundância de crédito bancário dos Estados Unidos e países como Argentina, Chile e Uruguai estavam crescendo rapidamente, mas então Paul Volcker (presidente do Fed, o banco central americano) elevou as taxas de juros, os dólares voltaram para casa, a maioria dos países não pagou suas dívidas e os anos 1980 acabaram se convertendo na “década perdida” para a América Latina.



Do início até meados dos anos 1990, houve outra onda de otimismo na região. Os preço de vários produtos primários estavam altos, havia crédito externo abundante e muitos países latino- americanos cresceram. Depois de adotar reformas liberalizadoras dentro do chamado “consenso de Washington”, considerava-se que a América Latina havia começado a melhorar, mas então surgiu a “crise Tequila” do México, em 1994, seguida da derrubada do mercado asiático, que afetou duramente as economias latinoamericanas. O Brasil afundou em 1998 e a Argentina entrou em bancarrota em 2001.



Euforia financeira



Não quero dar a entender que a América Latina está à beira de outra crise da dívida, nada disso. Em muitos países – como Brasil, Peru e Colômbia – a gestão macroeconômica é muito melhor que em 1980 e princípios dos anos 1990. Mas a situação atual compartilha duas características com os episódios anteriores de euforia financeira sobre a região: preços de bens primários nas nuvens e capital estrangeiro barato. Esse fatores – mais do que qualquer mudança virtuosa de políticas nos últimos anos – são o que está impulsionando o crescimento.



De fato, há hoje duas Américas Latinas: a América do Sul, rica em recursos naturais, e a América Central e México, pobre nesses mesmos ativos. Não é de se estranhar que a América do Sul está crescendo muito mais rapidamente do que os seus vizinhos do norte: 4,4%, frente a 2,7% no período 2010-11, segundo informe recente do BID. O estudo considera que a encomia argentina crescerá 6,1% nesse período, enquanto a Costa Rica alcançará 3,8% e El Salvador, apenas 1,6%. Existe ao menos um economista capaz de acreditar que as políticas argentinas são quatro vezes melhores do que as de El Salvador?



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