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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Obama tenta se impor no jogo da governança / Editorial


Assunto:

Editorial

Resenha:



Que a explosão da bolha imobiliária em Wall Street abalou o eixo do poder geopolítico, com um tsunami econômico-financeiro devastando sobretudo os países ricos, não é novidade. Que nações emergentes aproveitaram a deixa para se apresentarem mais fortes ao mundo, tampouco. Mas o ciclo iniciado com aquele fato histórico em setembro de 2008 ainda provoca surpresas. Uma delas, sem dúvida, foi o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se ver impelido a reafirmar a tradicional liderança global surgida a partir da vitória dos aliados na Segunda Guerra. E o fez com pompa e circunstância, no Westminster Hall, em inédito discurso de um ocupante da Casa Branca diante das duas Casas do parlamento britânico, a dos Comuns e a dos Lordes.



Embora não se vislumbre um tempo em que os países emergentes farão sombra à hegemonia norte-americana e europeia, a retórica não foi gratuita. Obama deu recado direto: “O tempo de nossa liderança é agora”. Observou que, apesar do crescimento de países como China, Índia e Brasil, citados nominalmente, “continuamos a ser o grande catalisador para uma ação global”. Com elegância, intercalou notas desafiadoras com outras conciliadoras, sem desafinar. Por exemplo, ao admitir que “mais países assumam responsabilidades na liderança global” e destacar que “nossa aliança (dos EUA com a União Europeia) continuará indispensável para a meta de um século mais pacífico, mais próspero e mais justo”. Também elogiou o fato de os emergentes tirarem “centenas de milhões de pessoas da pobreza”.



O discurso de Obama deve ser entendido como ousado lance no jogo da governança global. Desde que Brasil, Rússia, Índia e China assumiram papel mais participativo, com a formação dos Brics — recentemente fortalecidos com a adesão da África do Sul —, a disputa por espaço nas organizações internacionais se tornou irreversível. O Conselho de Segurança da ONU, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio (OMC), entre outros, se tornaram apertados para tantos atores. Portanto, queiram ou não os EUA, o mundo é outro e não será no grito nem no campo militar que o planeta se reorganizará. “Os principais catalisadores” podem continuar os mesmos, mas já não são os únicos.



Os emergentes têm crescido econômica, social e politicamente. Sua força se estabelece de modo definitivo no cenário internacional. Projeta-se que até o sistema monetário passará por mudança radical e o dólar americano, hoje moeda de referência planetária, terá de dividir esse papel — num futuro próximo — com o euro e o yuan chinês. Se os EUA entendem, pois, que seu tempo de liderança “é agora”, que conduzam com sabedoria o concerto das nações. No entendimento do chanceler brasileiro, Antônio Patriota, o discurso de Obama tem a importância de, ainda que indiretamente, reconhecer o peso dos países em desenvolvimento. Vale lembrar que estão todos no mesmo barco



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