Retorno de Manuel Zelaya divide Honduras
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Oposição acusa Porfírio Lobo de aliar-se ao ex-presidente, que se diz vítima de conspiração internacional
TEGUCIGALPA. O ex-presidente Manuel Zelaya voltou a encontrar-se com Porfírio Lobo ontem, em Tegucigalpa, na busca de apoio para sua campanha por uma Assembleia Constituinte, enquanto os partidos de oposição acusaram o atual governante de tornar-se um aliado do político deposto.
O encontro, porém, serviu para acertar os últimos detalhes do Acordo de Cartagena, assinado na semana passada, que garantiu o fim do exílio, de quase dois anos, do ex-presidente e de sua família.
Depois do encontro, Zelaya elevou o tom para exigir apuração da morte de partidários seus, resultante de perseguição política.
Zelaya pede reconhecimento internacional de Lobo
- Os assassinos continuam livres, sem punição, sem justiça. Essa reconciliação nacional precisa ser feita em consequência de acordos político - disse Zelaya, que denunciou também a existência de uma "conspiração internacional" contra ele. - O golpe contra meu governo foi uma conspiração internacional que tem atores em diferentes campos da sociedade, e que deve ser investigada.
O ex-presidente revelou que soube da existência de um plano para assassiná-lo em conversa com o general Romeu Vásquez, atual chefe do Estado Maior das Forças Armadas de Honduras. Em seguida, pediu o reconhecimento internacional para Porfírio Lobo.
- É preciso ser equitativo: se o Governo reconhece os direitos do povo, e o presidente Lobo está reconhecendo os direitos democráticos que tinham sido violados, a comunidade internacional então tem agora a obrigação de reconhecer os direitos do presidente (Lobo) e de seu governo - reforçou Zelaya.
Enquanto seu marido fazia a denúncia, a mulher de Zelaya, Xiomara, afirmava que não havia chances de que o ex-dirigente participasse como candidato das eleições presidenciais de novembro de 2013. Ela ressaltou que, antes de começar a campanha pela Constituinte, é necessário um diálogo para a reconciliação nacional.
Mas a proposta de um plebiscito para a convocação de uma Assembleia Constituinte foi mal recebida por setores da oposição.
Raúl Pineda, do Partido Nacionalista, acusou Lobo de se converter para o lado de Zelaya na campanha pela Constituinte e pela reeleição. Já o dirigente do oposicionista Unión Cívica Democrática, Fernando Anduray, disse que "Lobo segue os passos de Zelaya ao se tornar amigo de Hugo Chávez".
A imprensa também se dividiu em Honduras. O jornal "El Heraldo" afirmou que o ex-presidente "chegou escoltado por dirigentes da esquerda latino-americana". Já o "La Presa" destacou que "seus objetivos seguem o mesmo que há 23 meses". Apenas o "Tiempo", único diário que condenou o golpe de 2009, considerou a volta de Zelaya como o início de uma nova etapa no país, de "construção de uma nova sociedade".
A recepção a Zelaya teve comitiva de autoridades latino-americanas, entre elas os chanceleres venezuelano, Nicolas Maduro, e boliviano, David Choquehuanca, além do representante do governo brasileiro Marco Aurélio Garcia. Uma multidão de partidários esperava a chegada do ex-presidente, que seguiu para um jantar no palácio presidencial. O secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Manuel Insulza, também esteve na recepção.
O acordo para a volta de Zelaya abriu caminho para a reintegração de Honduras à OEA, instituição da qual o país foi banido desde o golpe de junho de 2009. A entidade vai reavaliar a suspensão do país na próxima quarta-feira. Zelaya foi deposto em junho de 2009, acusado de forçar um plebiscito com a intenção de se candidatar à reeleição, proibida pela atual Constituição de Honduras. Levado à força para a Costa Rica, onde viveu nos últimos 23 meses, Zelaya reapareceu na embaixada brasileira em Tegucigalpa, e ali ficou refugiado por alguns meses. Pela legislação atual, Manuel Zelaya continua impedido de apresentar sua candidatura às próximas eleições presidenciais previstas para novembro de 2013.
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Oposição acusa Porfírio Lobo de aliar-se ao ex-presidente, que se diz vítima de conspiração internacional
TEGUCIGALPA. O ex-presidente Manuel Zelaya voltou a encontrar-se com Porfírio Lobo ontem, em Tegucigalpa, na busca de apoio para sua campanha por uma Assembleia Constituinte, enquanto os partidos de oposição acusaram o atual governante de tornar-se um aliado do político deposto.
O encontro, porém, serviu para acertar os últimos detalhes do Acordo de Cartagena, assinado na semana passada, que garantiu o fim do exílio, de quase dois anos, do ex-presidente e de sua família.
Depois do encontro, Zelaya elevou o tom para exigir apuração da morte de partidários seus, resultante de perseguição política.
Zelaya pede reconhecimento internacional de Lobo
- Os assassinos continuam livres, sem punição, sem justiça. Essa reconciliação nacional precisa ser feita em consequência de acordos político - disse Zelaya, que denunciou também a existência de uma "conspiração internacional" contra ele. - O golpe contra meu governo foi uma conspiração internacional que tem atores em diferentes campos da sociedade, e que deve ser investigada.
O ex-presidente revelou que soube da existência de um plano para assassiná-lo em conversa com o general Romeu Vásquez, atual chefe do Estado Maior das Forças Armadas de Honduras. Em seguida, pediu o reconhecimento internacional para Porfírio Lobo.
- É preciso ser equitativo: se o Governo reconhece os direitos do povo, e o presidente Lobo está reconhecendo os direitos democráticos que tinham sido violados, a comunidade internacional então tem agora a obrigação de reconhecer os direitos do presidente (Lobo) e de seu governo - reforçou Zelaya.
Enquanto seu marido fazia a denúncia, a mulher de Zelaya, Xiomara, afirmava que não havia chances de que o ex-dirigente participasse como candidato das eleições presidenciais de novembro de 2013. Ela ressaltou que, antes de começar a campanha pela Constituinte, é necessário um diálogo para a reconciliação nacional.
Mas a proposta de um plebiscito para a convocação de uma Assembleia Constituinte foi mal recebida por setores da oposição.
Raúl Pineda, do Partido Nacionalista, acusou Lobo de se converter para o lado de Zelaya na campanha pela Constituinte e pela reeleição. Já o dirigente do oposicionista Unión Cívica Democrática, Fernando Anduray, disse que "Lobo segue os passos de Zelaya ao se tornar amigo de Hugo Chávez".
A imprensa também se dividiu em Honduras. O jornal "El Heraldo" afirmou que o ex-presidente "chegou escoltado por dirigentes da esquerda latino-americana". Já o "La Presa" destacou que "seus objetivos seguem o mesmo que há 23 meses". Apenas o "Tiempo", único diário que condenou o golpe de 2009, considerou a volta de Zelaya como o início de uma nova etapa no país, de "construção de uma nova sociedade".
A recepção a Zelaya teve comitiva de autoridades latino-americanas, entre elas os chanceleres venezuelano, Nicolas Maduro, e boliviano, David Choquehuanca, além do representante do governo brasileiro Marco Aurélio Garcia. Uma multidão de partidários esperava a chegada do ex-presidente, que seguiu para um jantar no palácio presidencial. O secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Manuel Insulza, também esteve na recepção.
O acordo para a volta de Zelaya abriu caminho para a reintegração de Honduras à OEA, instituição da qual o país foi banido desde o golpe de junho de 2009. A entidade vai reavaliar a suspensão do país na próxima quarta-feira. Zelaya foi deposto em junho de 2009, acusado de forçar um plebiscito com a intenção de se candidatar à reeleição, proibida pela atual Constituição de Honduras. Levado à força para a Costa Rica, onde viveu nos últimos 23 meses, Zelaya reapareceu na embaixada brasileira em Tegucigalpa, e ali ficou refugiado por alguns meses. Pela legislação atual, Manuel Zelaya continua impedido de apresentar sua candidatura às próximas eleições presidenciais previstas para novembro de 2013.

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