O processo de internacionalização de empresas brasileiras será intenso em 2010, avalia Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).
Segundo ele, o real forte continuará facilitando a compra de ativos no exterior e, além disso, estarão disponíveis oportunidades de aquisição a preços menores, ainda como reflexo da crise internacional. As companhias brasileiras poderão desfrutar de uma posição favorável em termos relativos por terem saído fortalecidas do período de turbulência na comparação com diversas competidoras de outras origens. O especialista ressalta que ainda há estoque de projetos represados, que devem sair do papel num horizonte próximo.
“Nos primeiros sete meses de 2010, tivemos US$ 15 bilhões investidos no exterior na modalidade aquisição de capital, maior volume de toda a série histórica do Banco Central, iniciada em 1947. Para o próximo ano, a perspectiva segue positiva. Há uma tendência mundial dos emergentes ganharem mais espaço e o Brasil surfa nessa onda. Em 2011, o resultado poderá ser até melhor do que o deste ano”, destacou Lima, que participou nesta terça-feira (28/09) do comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo.
Acordos necessários
Nesse cenário em que as empresas brasileiras passam a assumir posturas de competidoras globais, o Brasil necessita avançar em acordos de investimentos e para evitar a bitributação com outros países, destacou o presidente da Sobeet. O objetivo é garantir maior segurança e estimular tanto os aportes realizados por empresas estrangeiras no País quanto os fluxos por parte de companhias nacionais que passam a expandir suas atividades além das fronteiras.
“Acredito que, no médio prazo, dentro de dois anos, o País pode ter resultados positivos, conforme as ações que acompanhamos do Itamaraty, que passa a despertar para a importância de desses acordos. Já há conversas com Chile, Estados Unidos e México”, disse.
Em relação aos EUA, há diálogo em torno do Acordo de Cooperação Comercial e Econômica (Teca, na sigla em inglês) e o tratado para evitar a bitributação é abordado dentro dele.
Desafios
A Stefanini IT Solutions, especializada em soluções e serviços de tecnologia da informação (TI), passou a internacionalizar suas operações desde o início de 2000, começando pela Argentina, e hoje, está presente em 19 países, incluindo os Estados Unidos. O presidente da companhia, Marco Stefanini, participou do comitê da Amcham e destacou, que nesse processo, o principal desafio foi a divulgação da marca.
“Ninguém reconhecia o Brasil como um País de tecnologia. Até hoje, temos que divulgar fortemente nossa marca, nossos conhecimentos na área. É claro que não somos líderes em TI, mas hoje vejo que está mais fácil falar no Brasil em comparação com cinco anos atrás”, comentou.
O grupo Ometz, especializado no ensino de idiomas e detentor das marcas Go Getter, Wise Up e Lexical, passou a atuar fora do País em 2006 e atualmente conta com unidades na Argentina (4), na Velezuela (1) e na Colombia (1). Em breve também inaugurará uma escola em Orlando, nos Estados Unidos. Além disso, sonda negócios na China.
“O mercado doméstico está aquecido, mas há uma oportunidade muito rica lá fora. Por isso, estamos nos internacionalizando. Para se ter uma ideia, 68 milhões de americanos não falam inglês fluentemente. Devido ao grande número de descendentes e imigrantes de países latinoamericanos, criaram até o termo ‘Spanglish’ (mistura de Inglês com Espanhol)”, disse Arthur Bezerra, diretor executivo da Go Getter.
De acordo com ele, os principais cuidados com a expansão externa estão na formação de equipes capacitadas e no esforço constante pela oferta de um serviço de qualidade. “É fundamental disseminar e preservar o DNA e os valores da empresa”, concluiu.

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