10/09/2010
Economia
Jamil Chade
Apesar de sofrer com dívidas, governos poderão ser obrigados a liberar recursos extras e aumentar os programas de estímulo para sair da crise. O alerta é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que descartou uma nova recessão, mas deixou claro: a recuperação da economia mundial está perdendo força. Para a OCDE, a retomada do crescimento está mais difícil do que havia sido projetado, dois anos depois da quebra do Lehman Brothers.
No segundo semestre, a taxa de crescimento dos países ricos deve cair para 1,5%, metade do que foi nos primeiros seis meses, quando o PIB do G-7 cresceu 3%. A previsão é inferior ao que vinha sendo estimado, com crescimento até o fim do ano de 1,7%.
"Indicadores apontam que o ritmo da recuperação mundial perdeu força e essa queda está sendo mais intensa que se imaginava", disse Pier Carlo Padoan, economista-chefe da OCDE.
O mercado imobiliário, que dava sinais de retomada, voltou a se estagnar. As exportações mundiais, que se recuperavam no começo do ano, também perderam força. O consumo privado ainda pode ser limitado diante da preocupação em relação ao desemprego, que não perde força, e da acumulação de divida privada.
Para a OCDE, a recuperação mais lenta da economia dos países ricos significa que governos devem adiar qualquer intenção de acabar com seus programas de apoio. Para o último trimestre, a projeção é de que a expansão das economias ricas seja de apenas 1%, a menor taxa desde meados de 2009.
A esperança continua depositada nos mercados emergentes - Brasil, Índia, China e Rússia, que continuariam em expansão até o fim do ano. Essa expansão, porém, já estaria criando uma pressão inflacionária, principalmente na China e na Índia.

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