Berlusconi: marcha feminista foi vergonhosa
Para premier, protestos contra ele não passaram de estratégia subversiva da esquerda para derrubá-lo
ROMA. O premier Silvio Berlusconi considerou ontem “vergonhosas e subversivas” as manifestações de domingo que reuniram mais de um milhão de pessoas em Roma e outras 280 cidades na Itália e no mundo para defender a dignidade da mulher. Numa entrevista a um canal de TV da sua empresa Mediaset , Berlusconi afirmou que as passeatas pareceram “um pretexto para apoiar uma proposição do Judiciário que não tem nenhuma relação com a realidade, uma mobilização subversiva contra a minha pessoa organizada pela esquerda, que utiliza todos os métodos para me derrubar”.
As manifestações criticavam o premier por promover uma cultura onde estimam que a beleza física é promovida como única via de sucesso para as mulheres. Além disso, os organizadores estimavam que o envolvimento do Cavaliere com uma prostituta marroquina menor de idade, no já chamado “Rubygate”, desrespeita a imagem da mulher.
— Sempre valorizei as mulheres. Foi a Promotoria de Milão que pisou na dignidade das minhas hóspedes, e omitiu a verdade. As mulheres são mais inteligentes e preparadas do que os homens — disse o premier. — As manifestações são uma vergonha e fruto de uma comunicação subversiva. A esquerda cava qualquer pretexto porque não consegue vencer nas urnas.
Popularidade é a mais baixa desde 2005
Berlusconi aproveitou para desmentir rumores de que o presidente italiano, Giorgio Napolitano, estava pensando em dissolver o Parlamento. — Ele me garantiu que enquanto houver um governo que governa e uma maioria política que o apoia e trabalha, não há motivos para dissolver o Parlamento.
A Constituição, em todo caso, prevê que sem uma crise formal no governo o presidente precisa, para interromper antecipadamente uma legislatura, consultar tanto os presidentes das duas Casas como o do governo, ou seja, Silvio Berlusconi — disse o premier.
Segundo pesquisas publicadas ontem pelo jornal “La Repubblica”, Berlusconi tem todo o interesse em tentar prolongar ao máximo seu frágil governo, já que teria chances de ser derrotado nas urnas caso novas eleições fossem convocadas.
De acordo com a pesquisa, a popularidade do premier está em seu nível mais baixo desde fevereiro de 2005 — 30%, uma redução de cinco pontos percentuais em dois meses. Apenas 17% da população consideram que as acusações judiciais contra ele no caso Ruby são falsas, enquanto quase 80% acreditam que o premier realmente é culpado de incitação à prostituição de menores e extorsão.
Mais de 50% dos entrevistados acreditam que Berlusconi deve se demitir do cargo, mas provavelmente sairá ileso do processo. Além disso, caso houvesse uma eleição agora, a coalizão governamental teria pouco mais de 50% dos votos, contra os 70% obtidos em 2008.

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