Interesses divergentes
09/02/2011
Silvio Ribas
Economia
As críticas deixadas por Timothy Geithner em sua rápida visita ao país sobre a política monetária do Brasil e a arquitetura cambial da China ainda provocam discussões. As avaliações feitas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos na última terça-feira, que relacionam as quedas do dólar às elevadas taxas de juros cobradas no Brasil, foram consideradas parciais por analistas ouvidos pelo Correio. Eles acham também que a iniciativa da Casa Branca de costurar uma aliança com o governo brasileiro para pressionar Pequim a desvalorizar o iuan refletem interesses geopolíticos da maior economia do mundo.
Para o embaixador e ex-ministro do Desenvolvimento Sérgio Amaral, a discussão sobre o real forte proposta por Geithner precisa levar em conta todos os fatores envolvidos e não apenas a maior taxa básica de juros do mundo. “A apreciação de nossa moeda tem várias razões, entre as quais os saldos comerciais e os investimentos diretos”, lembrou ele, ressaltando que tanto China quanto EUA são responsáveis por distorções nos regimes cambiais da maioria dos países.
“É fato que a China ainda mantém um câmbio valorizado artificialmente, mas também é fato que os EUA vêm promovendo uma desvalorização do dólar, com consequências globais”, acrescentou. Ele considerou justa uma
reivindicação de Brasil, EUA e outros países por uma flexibilização do câmbio chinês. Mas lembrou que esse debate deve ser feito no âmbito do G-20, grupo que reúne as 19 maiores economias do planeta e a União Europeia.
Na avaliação de Rodrigo Tavares Maciel, da Strategus Consultoria, o discurso de Geithner refletiu a estratégia de Washington de arregimentar apoio para pressionar mudanças no regime cambial chinês. “Não interessa ao Brasil se somar a esse esforço dos americanos em buscar mais concessões da China. Nossa discussão deve ser em torno da competitividade estrutural do país”, resumiu. Ele recordou ainda que o iuan sofreu uma leve valorização em 2010, promovida pelo Banco Central da China, e duvidou que esse processo se acelere nos próximos anos.
NegociaçãoO economista, especializado no gigante asiático, também ressaltou que a agenda do Brasil com a China não é a mesma da americana. “A pauta do comércio bilateral é bem distinta e há uma forte sinalização de que os parques produtivos brasileiros e chineses podem e devem ser complementares”, sublinhou. Sérgio Amaral também acha que os ajustes no perfil das exportações para a China deve ser resultado de uma negociação direta entre os governos, sem paralelos com as discussões travadas entre as duas maiores economias mundiais.
Ambos os especialistas esperam que a visita da presidente Dilma Rousseff à China, em abril, permita a abertura de novos canais de diálogo em torno de desequilíbrios na relação comercial. Eles concordam também que ainda é cedo para se saber quais serão os rumos buscados pelo novo governo brasileiro, apesar das indicações de uma maior agressividade na defesa da produção nacional, em particular da indústria.
Para o embaixador e ex-ministro do Desenvolvimento Sérgio Amaral, a discussão sobre o real forte proposta por Geithner precisa levar em conta todos os fatores envolvidos e não apenas a maior taxa básica de juros do mundo. “A apreciação de nossa moeda tem várias razões, entre as quais os saldos comerciais e os investimentos diretos”, lembrou ele, ressaltando que tanto China quanto EUA são responsáveis por distorções nos regimes cambiais da maioria dos países.
“É fato que a China ainda mantém um câmbio valorizado artificialmente, mas também é fato que os EUA vêm promovendo uma desvalorização do dólar, com consequências globais”, acrescentou. Ele considerou justa uma
reivindicação de Brasil, EUA e outros países por uma flexibilização do câmbio chinês. Mas lembrou que esse debate deve ser feito no âmbito do G-20, grupo que reúne as 19 maiores economias do planeta e a União Europeia.
Na avaliação de Rodrigo Tavares Maciel, da Strategus Consultoria, o discurso de Geithner refletiu a estratégia de Washington de arregimentar apoio para pressionar mudanças no regime cambial chinês. “Não interessa ao Brasil se somar a esse esforço dos americanos em buscar mais concessões da China. Nossa discussão deve ser em torno da competitividade estrutural do país”, resumiu. Ele recordou ainda que o iuan sofreu uma leve valorização em 2010, promovida pelo Banco Central da China, e duvidou que esse processo se acelere nos próximos anos.
NegociaçãoO economista, especializado no gigante asiático, também ressaltou que a agenda do Brasil com a China não é a mesma da americana. “A pauta do comércio bilateral é bem distinta e há uma forte sinalização de que os parques produtivos brasileiros e chineses podem e devem ser complementares”, sublinhou. Sérgio Amaral também acha que os ajustes no perfil das exportações para a China deve ser resultado de uma negociação direta entre os governos, sem paralelos com as discussões travadas entre as duas maiores economias mundiais.
Ambos os especialistas esperam que a visita da presidente Dilma Rousseff à China, em abril, permita a abertura de novos canais de diálogo em torno de desequilíbrios na relação comercial. Eles concordam também que ainda é cedo para se saber quais serão os rumos buscados pelo novo governo brasileiro, apesar das indicações de uma maior agressividade na defesa da produção nacional, em particular da indústria.

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