Peres denuncia provocação
Mundo
A presença de dois navios de guerra iranianos no Mar Mediterrâneo, perto do litoral de Israel, não passa de “provocação barata”, segundo o presidente israelense, Shimon Peres. Mas se Peres tentava minimizar publicamente a ameaça representada pelas embarcações, nos bastidores o governo israelense e os Estados Unidos acompanhavam de perto cada movimento dos iranianos. Ontem, o Pentágono disse observar os acontecimentos com atenção e pediu que os iranianos respeitem as leis internacionais. Foi a primeira vez que navios militares de bandeira persa cruzaram o Canal do Suez desde a Revolução Islâmica de 1979 — marco só alcançado com a queda do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, que tinha estreita ligação com Israel e mantinha relações tensas com Teerã.
Segundo Peres, a aproximação das embarcações — uma fragata e um navio de apoio logístico — não representa perigo, por si só. “A ameaça real continua sendo o fato de o Irã desenvolver armas nucleares e de destruição em massa”, disse o presidente israelense, durante visita à Espanha. Ele ainda destacou que, se essas armas caírem nas mãos de organizações terroristas, as capitais europeias estarão sob uma “ameaça existencial”. “A Espanha já sofreu terrivelmente com ataques terroristas, e isso vai se repetir em muitos outros países, se eles não tomarem medidas drásticas contra o Irã”, afirmou.
Um assessor do presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que o governo de Paris não considera um evento “inofensivo” a travessia dos navios iranianos pelo Canal do Suez. “Eu não acho que isso tenha um significado militar, mas é mais uma mensagem política da qual devemos tomar nota”, disse o diplomata Jean-David Levitte. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, por sua vez, pediu novas sanções ao Irã. “Vamos continuar encontrando maneiras de aumentar a pressão. Pedi aos meus assessores que considerem o que mais pode ser feito nessa importante área”, disse. Cameron acrescentou que, seguindo esse caminho, Teerã se tornará um “pária internacional” — um país sem amigos nem dinheiro.
Estados Unidos
O porta-voz do Pentágono, coronel Dave Lapan, afirmou que os Estados Unidos estão “de olho” nos navios iranianos, já que não se sabe por que eles atravessaram para o Mar Mediterrâneo e o que planejam fazer. Oficialmente, o regime de Teerã alega que as embarcações cumprem uma missão de treinamento, atracarão na Síria — principal aliado árabe do regime islâmico — e retornarão ao país no início de março. “Já dissemos que as ações do Irã não têm ajudado, mas esperamos que esses navios respeitem as leis internacionais, independentemente de onde estejam operando”, afirmou Lapan.

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