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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Reflexos das tensões vão além da Petrobras


Investimentos

As tensões na Líbia continuam repercutindo sobre as ações da Petrobras. Ontem as ordinárias (ON, com voto) da estatal subiram 4,66% e as preferenciais (PN, sem voto), 3,38%. Juntas, movimentaram R$ 2,325 bilhões, 25% do volume total da Bovespa ontem, de R$ 9,378 bilhões. Os papéis da companhia acompanham a escalada dos preços do petróleo, consequência dos conflitos nos países do Oriente Médio e do norte da África.

Os investidores estão embutindo os reflexos dos conflitos apenas nos papéis da Petrobras e esquecendo dos possíveis efeitos em todo o resto do mercado, acreditam analistas. Segundo um gestor, se as tensões de fato levarem o petróleo para níveis bem acima dos US$ 100, como acredita parte do mercado, a situação da bolsa será muito pior do que a que se vê hoje.

"Existe uma análise incoerente sobre esses conflitos", diz o gestor. "Os investidores estão olhando os conflitos só pelo lado da Petrobras, sendo que, se o petróleo realmente for às alturas, o mercado como um todo sofrerá muito, e isso não está nos preços."

Ele não acredita que este seja o cenário mais provável. No entanto, para um petróleo acima dos US$ 110 ou US$ 120 o barril, o Índice Bovespa teria que cair pelo menos para a casa dos 60 mil pontos, sendo que ontem o indicador fechou aos 66.910 pontos, em alta de 0,71%.

Mercado deve sofrer como um todo com a piora dos conflitos

O petróleo numa tendência de alta acentuada, entre outras coisas, comprometeria o crescimento mundial e daria força para a inflação dos países, explica o gestor.

Até a ideia de que a Petrobras ganha com o petróleo em alta requer cautela. A estatal repassaria esse aumento para os combustíveis até um certo limite. Do contrário, isso afetaria a inflação.

Para o gestor, a recente valorização das ações da Petrobras é resultado principalmente de um movimento técnico. Os investidores estariam comprando os papéis para anular suas posições vendidas a descoberto (vender sem ter o papel) ou para aumentar a participação das ações da estatal dentro das carteiras, que até então estava abaixo da média do mercado ("underweight").

O aumento da distância entre as ações ON e as PN da Petrobras, a favor das ordinárias, também pode ser um sinal da volta do investidor estrangeiro, que historicamente prefere papéis com direito a voto.

Além da alta do petróleo, os papéis da Petrobras refletem as especulações de que o balanço do quarto trimestre da companhia, que será divulgado amanhã, virá bom.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

Daniele Camba

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