Reflexos das tensões vão além da Petrobras
Investimentos
As tensões na Líbia continuam repercutindo sobre as ações da Petrobras. Ontem as ordinárias (ON, com voto) da estatal subiram 4,66% e as preferenciais (PN, sem voto), 3,38%. Juntas, movimentaram R$ 2,325 bilhões, 25% do volume total da Bovespa ontem, de R$ 9,378 bilhões. Os papéis da companhia acompanham a escalada dos preços do petróleo, consequência dos conflitos nos países do Oriente Médio e do norte da África.
Os investidores estão embutindo os reflexos dos conflitos apenas nos papéis da Petrobras e esquecendo dos possíveis efeitos em todo o resto do mercado, acreditam analistas. Segundo um gestor, se as tensões de fato levarem o petróleo para níveis bem acima dos US$ 100, como acredita parte do mercado, a situação da bolsa será muito pior do que a que se vê hoje.
"Existe uma análise incoerente sobre esses conflitos", diz o gestor. "Os investidores estão olhando os conflitos só pelo lado da Petrobras, sendo que, se o petróleo realmente for às alturas, o mercado como um todo sofrerá muito, e isso não está nos preços."
Ele não acredita que este seja o cenário mais provável. No entanto, para um petróleo acima dos US$ 110 ou US$ 120 o barril, o Índice Bovespa teria que cair pelo menos para a casa dos 60 mil pontos, sendo que ontem o indicador fechou aos 66.910 pontos, em alta de 0,71%.
Mercado deve sofrer como um todo com a piora dos conflitos
O petróleo numa tendência de alta acentuada, entre outras coisas, comprometeria o crescimento mundial e daria força para a inflação dos países, explica o gestor.
Até a ideia de que a Petrobras ganha com o petróleo em alta requer cautela. A estatal repassaria esse aumento para os combustíveis até um certo limite. Do contrário, isso afetaria a inflação.
Para o gestor, a recente valorização das ações da Petrobras é resultado principalmente de um movimento técnico. Os investidores estariam comprando os papéis para anular suas posições vendidas a descoberto (vender sem ter o papel) ou para aumentar a participação das ações da estatal dentro das carteiras, que até então estava abaixo da média do mercado ("underweight").
O aumento da distância entre as ações ON e as PN da Petrobras, a favor das ordinárias, também pode ser um sinal da volta do investidor estrangeiro, que historicamente prefere papéis com direito a voto.
Além da alta do petróleo, os papéis da Petrobras refletem as especulações de que o balanço do quarto trimestre da companhia, que será divulgado amanhã, virá bom.
Daniele Camba é repórter de Investimentos
Os investidores estão embutindo os reflexos dos conflitos apenas nos papéis da Petrobras e esquecendo dos possíveis efeitos em todo o resto do mercado, acreditam analistas. Segundo um gestor, se as tensões de fato levarem o petróleo para níveis bem acima dos US$ 100, como acredita parte do mercado, a situação da bolsa será muito pior do que a que se vê hoje.
"Existe uma análise incoerente sobre esses conflitos", diz o gestor. "Os investidores estão olhando os conflitos só pelo lado da Petrobras, sendo que, se o petróleo realmente for às alturas, o mercado como um todo sofrerá muito, e isso não está nos preços."
Ele não acredita que este seja o cenário mais provável. No entanto, para um petróleo acima dos US$ 110 ou US$ 120 o barril, o Índice Bovespa teria que cair pelo menos para a casa dos 60 mil pontos, sendo que ontem o indicador fechou aos 66.910 pontos, em alta de 0,71%.
Mercado deve sofrer como um todo com a piora dos conflitos
O petróleo numa tendência de alta acentuada, entre outras coisas, comprometeria o crescimento mundial e daria força para a inflação dos países, explica o gestor.
Até a ideia de que a Petrobras ganha com o petróleo em alta requer cautela. A estatal repassaria esse aumento para os combustíveis até um certo limite. Do contrário, isso afetaria a inflação.
Para o gestor, a recente valorização das ações da Petrobras é resultado principalmente de um movimento técnico. Os investidores estariam comprando os papéis para anular suas posições vendidas a descoberto (vender sem ter o papel) ou para aumentar a participação das ações da estatal dentro das carteiras, que até então estava abaixo da média do mercado ("underweight").
O aumento da distância entre as ações ON e as PN da Petrobras, a favor das ordinárias, também pode ser um sinal da volta do investidor estrangeiro, que historicamente prefere papéis com direito a voto.
Além da alta do petróleo, os papéis da Petrobras refletem as especulações de que o balanço do quarto trimestre da companhia, que será divulgado amanhã, virá bom.
Daniele Camba é repórter de Investimentos
Daniele Camba

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