Se fosse uma competição, o Brasil teria levantado dois troféus com a divulgação da inflação de 2011, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A taxa de 6,5%, divulgada sexta-feira (6), além de ficar exatamente dentro do teto da meta do governo, consolidou o Brasil como o país com o menor índice de inflação acumulada nos últimos dez anos, entre os vizinhos do Mercosul.
De 2002 a 2011, o Brasil acumula uma inflação de 86,8%. O Paraguai, que fechou 2011 com um índice de preços menor que o do Brasil, de 4,9%, tem a segunda menor inflação acumulada do Mercosul, nos últimos dez anos: 94,95%. No Uruguai, o índice de preços do ano passado fechou em 8,6% e o acumulado dos últimos dez anos, em 125,21%. Na Argentina, ainda não foi divulgado o indicador de dezembro, mas no acumulado do ano até novembro, a inflação já registra alta de 8,6%. Em dez anos, a Argentina é disparado o país que mais sofreu com o aumento de preços: 153,1%.
“Esses dados indicam que o Brasil adotou uma política econômica mais acertada, em relação aos outros países, no que diz respeito à inflação”, afirma Jankiel Santos, economista-chefe da BES Investimento do Brasil.
Para o argentino Juan Pablo Romero, economista da Universidade de San Andrés, o Brasil vem acumulando menos inflação por que adota uma política econômica sem alterações significativas há vários anos. “A continuidade da sua política econômica é, sem dúvida, o grande trunfo do país para liderar a região também no quesito inflação”, diz Juan Pablo.
Cada país vive uma realidade diferente em relação ao tema inflação. A Argentina deve sofrer mais com o aumento de preços este ano, segundo os analistas, em função da decisão do governo de Cristina Kirchner de eliminar gradualmente os subsídios estatais que mantinham as tarifas públicas congeladas desde 2003. A inflação oficial da Argentina também sofre o descrédito de setores empresariais e consultorias privadas costumam divulgar índices bem mais altos do que o calculado pelo Indec (o IBGE argentino).
O Paraguai, que também adota o sistema de metas, é o que apresentou o menor índice em 2011, favorecido pela menor pressão dos preços dos alimentos.
“O preço da carne teve uma desaceleração no último trimestre em função da maior oferta do produto no mercado local, como consequência da febre aftosa que paralisou as exportações”, explica Juan Pablo.
Para o Banco Central do Brasil, o cumprimento da meta de inflação de 2011 foi a grande notícia da sexta-feira. Em nota oficial, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, afirmou
que existe um “significativo arrefecimento das pressões inflacionárias”. A nota destaca que outros indicadores reforçam essa percepção. “Por exemplo, a variação dos preços no atacado, medida pelo IGP-M, tem mostrado tendência marcadamente declinante, e se deslocou de 7,5% no terceiro trimestre para 5,1% ao final do ano.
Em 2012, a inflação ao consumidor seguirá recuando e se deslocando na direção da trajetória de metas, dinâmica esta consistente com a estratégia de política monetária adotada pelo Banco Central”, finaliza a nota.
No ano passado, os grupos que mais pressionaram a inflação brasileira foram alimentação e bebidas, com alta de 7,18%, e transporte, com 6,05%. No primeiro caso pesou refeição fora de casa e, no segundo, passagens aéreas.

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