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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Em 2002, não residentes foram os primeiros a sair

13/10/2010

Finanças

De Brasília

O cenário de atração de recursos e de valorização do real neste momento de sucessão presidencial contrasta o processo vivido em 2002, na primeira eleição que levou Luiz Inácio Lula da Silva ao poder. Naquele ano, os investidores realizaram um intenso processo de retirada de investimentos tanto da bolsa de valores como dos mercados futuros e de renda fixa, que levou à depreciação da moeda brasileira e à forte perda de valor das ações e títulos da dívida externa e interna.



Estudo feito pelos economistas Sandro Andrade e Emanuel Kohlscheen, publicado recentemente pelo Banco Central ("Working Paper Series 211"), mostra que as instituições controladas por estrangeiros se tornaram mais pessimistas em relação à moeda brasileira do que as instituições controladas por brasileiros e, com isso, cometeram maiores erros de previsão, diz o trabalho. "Coerentemente com seu maior pessimismo, investidores estrangeiros venderam fortemente ações brasileiras e a moeda brasileira no mercado futuro antes das eleições", afirma.



Esses movimentos, diz o texto, são condizentes com a interpretação de que "a ignorância relativa sobre o funcionamento de instituições brasileiras por parte dos investidores estrangeiros contribuiu para a acentuada desvalorização da moeda e do mercado de ações brasileiro no período anterior às eleições presidenciais de 2002".

O estudo é baseado nas projeções para o câmbio enviadas pelas instituições a cada mês ao Banco Central. A base de dados conta com 60 instituições locais e 43 estrangeiras. Não há uma abertura maior sobre o posicionamento de cada instituição.

Fica claro, no entanto, de acordo com a análise, que as estrangeiras tinham uma visão significativamente mais pessimista. A divergência nas previsões com relação ao rumo da moeda brasileira chegou a ser 5% superior à média para projeções de câmbio para os três anos seguintes.

A análise comprova que a atividade de venda foi compatível com as previsões. A posição vendida em reais nos mercados futuros da BM&F chegou a US$ 1,7 bilhão, em outubro de 2002. Posição que coincide com a forte depreciação da moeda brasileira nos mercados futuros, concluem os economistas. (Fernando Travaglini)

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