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terça-feira, 1 de março de 2011

Inglês ou mandarim? / Artigo



Em algum momento entre 2019 e 2022, o PIB nominal da China superará o dos EUA. A economia chinesa será a maior do planeta. O fato antecipará em 25 anos as previsões de Jim O´Neill, do Goldman Sachs sobre o “C” dos “BRICs” (ele apostara que a ultrapassagem se daria em2047). Chegará ao fim uma primazia que vem desde 1880, quando os EUA superaram a Inglaterra. Época emque a rainha Vitória regia um império “sobre o qual o sol jamais se punha”. O inquilino da Casa Branca era o pouco conhecido RutherfordHayes.

A escalada chinesa repercute na maneira como as pessoas se preparam para a economia global. Quando era estudante no segundo grau, fiz intercâmbio numa High School americana. Jamais, há 25 anos, passaria pela minha cabeça ou de minha família estudar na China. O fato é que crescente número de brasileiros está estudando mandarim. Querem fazer intercâmbio na China. Desejam estagiar e trabalhar em empresas chinesas. Alunos de relações internacionais, economia ou administração no Brasil dividem-se entre estudar inglês e complementar estudos num país anglófono ou aprender mandarime estudar na China.

Isso tenderá a aumentar com o impacto do livro Battle Hymn of the Tiger Mother — que será best-seller mundial — de Amy Chua, professora da Universidade Yale. Americana filha de chineses, Chua foi foco de recente matéria do Wall Street Journal: “Porque as mães chinesas são superiores”. Texto mais acessado e comentado desde que o site do WSJ foi pela primeira vez ao ar. Para ela, severidade na criação dos filhos é o segredo da hipercompetitividade chinesa e, em grande medida, de coreanos e vietnamitas.

Tenho comentado o assunto com amigos empresários chineses. Eles têm negócios globais em têxteis, infraestrutura ou computadores. Perguntei a eles o que era melhor para os próximos 25 anos, estudar inglês ou mandarim? Todos me responderam comfirmeza: o inglês.

Dizem que hoje há 300 milhões de pessoas estudando inglês na China. Metade da população chinesa commenos de 50 anos em2020 será fluente eminglês. Que a distância entre o mandarimcorrente e o erudito é enorme. Que só o mandarim não resolve a imensa diversidade étnica e lingüística na China. Que os chineses “importam” universidades americanas e britânicas para o país. Defendem, se possível, “dominar inglês e mandarim como o melhor dos mundos. Mas aí não sobra tempo para estudar outras coisas”.

Mesmo que a China cresça 8% ao ano na próxima década, o PIB per capita americano ainda será 4 vezes maior que o chinês. A ascensão chinesa representa a entrada de um novo protagonista no palco. Não a sucessão de hegemonias em que o papel supostamente decadente dos EUA será substituído por uma “Pax Chinesa”. Para nós, brasileiros, além de nos aprimorar cada vez mais no português, é importante perceber que, mesmo para os sempre patrióticos – mas pragmáticos – chineses, o idioma corrente dos negócios continuará sendo o inglês.

Marcos Troyjo - CEO da Wisekey-Brasil

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