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quarta-feira, 9 de março de 2011

Mulheres marginalizadas



Anistia Internacional pede maior integração delas à sociedade
As mulheres correm novamente o risco de serem marginalizadas e de não poderem participar da construção de um novo Egito, após as revoltas que acabaram com décadas de ditadura, advertiu a Anistia Internacional (AI). Por causa do Dia Internacional da Mulher, a diretora-geral do Programa de Di- reito Internacional e Política da AI, Widney Brown, escreveu um artigo de opinião no qual alerta que "por incrível que pareça (...), se está negando às mulheres um papel na criação de um novo Egito". Centenas de mulheres pedindo igualdade de direitos e o fim de assédios sexuais entraram em confronto com homens no Cairo, ontem.

"As mulheres são excluídas tanto pelo governo provisório como pela comunidade internacional. O novo comitê nacional criado recentemente para redigir a nova Constituição egípcia é integrado só por homens. Isso não é aceitável", diz Brown.

Nas revoltas dos últimos meses no mundo árabe as mulheres estavam junto aos homens, exigindo o fim da repressão política e reivindicando uma reforma radical, lembrou Brown. "Todos sofreram sob esses governos repressivos, mas as mulheres tiveram que padecer, além disso, leis discriminatórias e uma desigualdade de gênero profundamente arraigada", assinala a diretora- geral da AI.

"A ninguém estranha que as mulheres saíssem à rua. Que exigissem a queda de Mubarak. Ou que quisessem crer na promessa de um novo amanhecer na política egípcia. Mas ainda está por vir quanto vai mudar e para as mulheres no Egito." Brown é crítica com os governos ocidentais que "só parecem apoiar os direitos da mulher quando lhes convém" e denuncia que "estes direitos se utilizam frequentemente como trunfo nas negociações, na luta pelo controle da agenda internacional".

"Quando as negociações com os talibãs parecem uma boa medida, de repente os direitos da mulher deixam de importar tanto. Quando necessitam ao Paquistão como aliado, aceitam que o governo paquistanês dê autonomia a regiões do país onde o sistema legal paralelo trata com total injustiça às mulheres", diz. "E no Iraque – afirma – fazem alianças com milícias que em seus momentos livres atacam e matam a ativistas dos direitos da mulher".

Widney Brown lembrou ainda que as mulheres ganham só 10% da renda, mas realizam dois terços do trabalho mundial.

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