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quarta-feira, 9 de março de 2011

Intervenção deve ter aval da ONU, diz Hillary


Internacional

EUA indicam que só tentarão impor zona de exclusão aérea com apoio internacional

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, garantiu ontem que uma zona de exclusão aérea só será imposta sobre a Líbia por decisão das Nações Unidas "e não dos EUA". A afirmação foi feita enquanto crescem os debates sobre uma intervenção externa para auxiliar rebeldes a derrubar o ditador Muamar Kadafi.

Apesar de ter afirmado anteontem que a possibilidade de uma operação militar não está descartada, o próprio presidente Barack Obama seria o mais cauteloso em uma ação contra Kadafi. Além dele, o secretário da Defesa, Robert Gates, mostra-se reticente sobre um envolvimento maior na Líbia e insiste na necessidade de apoio internacional.

Segundo pesquisa do Instituto Rasmussen, 63% dos americanos se opõem a um envolvimento direto dos EUA na crise Líbia, 22% defendem uma participação maior - outros 15% disseram não saber. Por enquanto, 40% dos americanos afirmam que Obama tem realizado um bom trabalho na questão líbia, de acordo com o levantamento, enquanto 21% avaliam como ruim.

A cautela americana, porém, não é motivo de consenso em Washington. O democrata John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, teme que a falta de ação dos EUA possa culminar em tragédias como em Ruanda e na Bósnia. O senador republicano John McCain é outro que pede por ações dos EUA contra Kadafi.

As duas opções estudadas no momento são o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea e o envio de armas para os rebeldes líbios. Mas comandantes militares americanos advertem que nenhuma delas terá logística simples. Eles afirmam ainda que mesmo a ajuda humanitária poderá colocar em risco a vida de tropas americanas - já presentes em zonas de combate no Iraque e no Afeganistão.

Até agora, além das sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU, os EUA adotaram medidas unilaterais contra Kadafi, seus parentes e membros de seu regime. Uma nova rodada de sanções nas Nações Unidas enfrenta resistências de países com poder de veto, como a Rússia e a China. Na Otan, um obstáculo seria a Turquia, que possui o segundo maior contingente da aliança militar.

Gustavo Chacra - Correspondente

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