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segunda-feira, 28 de março de 2011

Itália apresentará proposta de exílio para Kadafi


O Mundo

OTAN assume o comando da operação militar e americanos diminuem o aparato disponível no Mediterrâneo

BRUXELAS. A Itália vai apresentar uma nova saída diplomática amanhã, em Londres, para a crise líbia. Em entrevista publicada na edição de domingo do jornal “La Repubblica”, o chanceler Franco Frattini citou uma proposta que inclui o exílio do ditador Muamar Kadafi. “Após toda a Europa e a ONU dizerem que o coronel não é mais um interlocutor aceitável, nós não podemos encarar uma solução em que ele permaneça no poder”, disse ao jornal. “Certamente o exílio para Kadafi seria diferente... Mesmo dentro de seu regime há pessoas que trabalham por esta solução”.

O encontro reunirá chanceleres de países-membros da coalizão militar na Líbia e outras nações da região. Frattini quer angariar o apoio alemão ao plano. A proposta incluirá um cessar-fogo monitorado pela ONU, consultas aos grupos tribais líbios e um “corredor humanitário que já estamos trabalhando com a Turquia”.

Segundo Frattini, a União Africana e a Liga Árabe estariam trabalhando para persuadir o líder a pôr fim ao regime de Kadafi.

Em reunião ontem, em Bruxelas, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordou em assumir todas as operações militares na Líbia, atualmente lideradas pelos EUA. Os ajustes finais do acordo serão decididos também em Londres.

A organização fica responsável por zelar pela obediência à resolução do Conselho de Segurança da ONU. O texto determina a formação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, o embargo à venda de armas ao país e a proteção de sua população civil contra os bombardeios.

— Nossa meta é proteger civis e áreas povoadas por eles sob ameaça do regime de Kadafi — revelou o secretário-geral da aliança, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen. — A Otan vai implementar todos os aspectos da resolução da ONU. Nada mais, nada menos.

A Otan assumiu a responsabilidade após resolver um impasse sobre o controle da missão.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, queria restringir o controle da organização sobre o equipamento militar necessário para coordenar a campanha aérea. A Turquia, por sua vez, queria limitar essas operações contra a infraestrutura líbia.

Seguindo um pronunciamento feito pelo presidente dos EUA, Barack Obama, no início da semana passada, Washington vai reduzir seu papel militar na Líbia nos próximos dias. O país trocará o comando dos bombardeios por funções de apoio ao setor de inteligência, vigilância e reconhecimento.

Há relatos não oficiais de que o Pentágono já reduziu a artilharia naval à disposição no Mar Mediterrâneo. Pelo menos um dos cinco navios e submarinos da Marinha que lançaram mísseis Tomahawk contra a Líbia já deixou a região.

Em entrevista transmitida ontem por uma rede de TV americana, o secretário de Defesa do país, Robert Gates, revelou que as tropas de Kadafi estão seriamente impedidas de mover tanques e outros veículos armados.

— Sua capacidade para mover armas, para andar em direção a Benghazi, está sendo eliminada — revelou.

Perguntado se a operação militar na Líbia terminaria este ano, o secretário foi reticente: — Não sei se alguém saberia responder isso.

Hillary: mensagem ao ditador

Gates afirmou que a instabilidade na Líbia poderia minar a transição democrática em curso em Egito e Tunísia.

No front diplomático, a Casa Branca empenha-se em procurar uma saída para encerrar a ditadura de 41 anos. Também entrevistada ontem, a secretária de Estado, Hillary Clinton, afirmou que, nos próximos dias, a ONU vai mandar um enviado especial a Trípoli com “uma mensagem muito clara” ao ditador.

— Temos muitas evidências de que pessoas ao redor de Kadafi estão se aliando à comunidade internacional — disse. ■

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