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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Relação com a Venezuela

07/12/2010
Exterior
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, se mostrou preocupado, em fevereiro passado, com a "cada vez mais complicada situação doméstica’’ de Hugo Chávez e manifestou temor sobre possível impacto interno caso o presidente venezuelano resolvesse reprimir manifestações contra seu governo.

O relato teria sido feito por Jobim ao então embaixador dos EUA, Thomas Shannon, e faz parte do pacote de telegramas divulgados pelo Wikileaks. Os papéis também revelam a insistência brasileira para derrubar o veto do governo George W. Bush à venda a Caracas de aviões Supertucanos da Embraer, com componentes de tecnologia americana.

Segundo telegrama de 2006, da Embaixada dos EUA em Caracas, o Brasil ofereceu um trato à Casa Branca: se Washington derrubasse o veto, o Brasil apoiaria a ONG oposicionista Súmate, que havia articulado, com apoio financeiro dos EUA, a coleta de assinaturas para o referendo revocatório contra Chávez em 2004. O telegrama ironiza a oferta: "A ação brasileira pela Súmate seria simbólica, mas os Tucanos seriam bem reais".

Naquele momento, a relação entre os governos Lula e Chávez passava por turbulências por conta da atuação do venezuelano durante a nacionalização das refinarias da Petrobras na Bolívia. Os EUA de Obama reconhecem, porém, dois anos depois, que o veto à venda complica a posição americana na disputa pelo fornecimento de caças ao Brasil.

DILMA E RADICAIS
Os documentos também relatam encontros da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, com o assessor de Segurança da Casa Branca, James Jones, em 2009. A presidente eleita havia criticado o acordo militar entre Washington e Bogotá, hoje suspenso na Colômbia.

"Assuntos como esses (o acordo militar) abrem portas para radicais que querem criar problemas na região’’, teria dito Dilma a Jones, sem fazer referência a Chávez. Ela disse, segundo o relato, ser desconcertante’ ter de responder a jornalistas o motivo pelo qual os EUA precisavam de bases na Colômbia.

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