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quarta-feira, 6 de abril de 2011

ONU acusa grupos rivais de usar ''crianças soldado''


Internacional

Facções em conflito na Costa do Marfim estão alistando menores, diz Unicef; americanos e europeus defendem ação internacional

O presidente de facto da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, e o líder que teria ganhado as eleições, Alassane Ouattara, foram acusados ontem pela ONU de usar crianças como soldados, enquanto europeus e americanos defenderam as operações internacionais na Costa do Marfim.

Ontem, o presidente americano, Barack Obama, saiu em defesa da atuação da França e da ONU na Costa do Marfim e exigiu a saída de Gbagbo. "Para que essa violência e banho de sangue acabem, o ex-presidente Gbagbo precisa renunciar imediatamente e instruir aqueles que estão lutando em seu nome a deixar as armas", disse.

Em um comunicado, a ONU garantiu que recebeu informações da cúpula do grupo de Gbagbo de que as tropas entregariam suas armas. Mas a entidade admite que, longe das negociações, execuções em massa continuaram a ocorrer. Entre as vítimas, estariam várias crianças.

"Menores estão sendo usados pelas forças dos dois lados do conflito", acusou Anthony Lake, diretor executivo do Unicef. Segundo ele, o assassinato de crianças estaria sendo um dos maiores dramas da guerra marfinense. O Unicef pediu que o uso de crianças soldado conste numa investigação sobre a violência no país.

Apelo francês. "Estamos evitando que a Costa do Marfim se transforme na Ruanda do século 21", afirmou ao Estado Bernard Kouchner, fundador da ONG Médicos Sem Fronteira e ex-chanceler do presidente francês, Nicolas Sarkozy. Kouchner insistiu que foi graças à intervenção da França e da ONU nos últimos dias que um massacre ainda maior foi evitado.

"A comunidade internacional passou a ter a responsabilidade de proteger. Chegamos tarde em Ruanda e nos Bálcãs. Hoje, estamos em operações na Costa do Marfim exatamente para evitar isso", defendeu.

"Fomos também chamados pela população de Benghazi, alertando que se não viéssemos, seriam assassinados. Temos de ser corajosos o suficiente para entrar em uma guerra e proteger pessoas", afirmou o ex-ministro.

Kouchner disse que a França está "apenas ajudando a Costa do Marfim a respeitar suas leis e o resultado da eleição", que dão a vitória a Ouattara.

Para o ativista, o maior risco é que reformas democráticas não sejam capazes de melhorar a vida da população, causando frustração. "Centenas sacrificaram suas vidas por valores como direitos humanos e democracia.

Mas, agora, temos de ajuda-los em suas aspiração democráticas. Se não houver resultados reais para a população, o risco é de que a situação seja ainda pior que antes. Somos responsáveis pelo futuro dessas lutas", disse Kouchner.

Crimes
O Tribunal Penal Internacional informou que está mantendo conversações com países africanos sobre denunciar as atrocidades que estão sendo cometidas na Costa do Marfim ao TPI.

PONTOS-CHAVE

Eleição

Em 28 de novembro, Alassane Ouattara ganhou as eleições para presidente. No poder desde 2000, Laurent Gbagbo não quis deixar o cargo e contestou o resultado

Reação

Ouattara lançou ofensiva que tomou a capital do país, Yamoussoukro, e o principal
porto exportador de cacau - insumo que sustenta a economia marfinense

Violência

Mais de 80% do país é controlado por Ouattara. A notícia de que forças opositoras seriam responsáveis pelo massacre de 800 civis em Duekoue ameaça a legitimidade do governo eleito

Derrotado

O mandato de Gbagbo já havia acabado em 2005, mas as eleições foram adiadas com a desculpa de que a instabilidade não permitia a votação

Jamil Chade

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